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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O que faz falta é saber o que é que falhou

por josé simões, em 09.02.08

 

Sobre o escrito por Luís Silva no blogue O Insurgente, a que cheguei via Atlântico; eu que conhecia aqueles terrenos como as palmas das minhas mãos; eu que na minha infância brinquei naqueles descampados da Bela Vista, antes de serem “a Bela Vista”, eu que fui “inaugurar” a primeira Escola Secundária da Bela Vista antes de ser “a Escola da Bela Vista”, apraz-me escrever o seguinte:
 
- O bairro da Bela Vista foi um erro colossal de danos incalculáveis numa zona que-poderia-ser-nobre da cidade, pela sua situação geográfica. A todos os níveis. Começando pelo arquitectónico – e todos sabemos como o “embrulho” ajuda – ao mais grave de todos: o social.
 
Quando foi construído (“com o dinheiro de todos os contribuintesLS dixit, e é verdade), o bairro da Bela Vista veio, ao princípio, solucionar um problema grave na cidade: o bairro da lata. O que se fez então foi, o que mais tarde se viria a fazer com os centros comerciais: juntar num mesmo espaço mercearias, cafés e prontos-a-vestir que antes estavam espalhados pela cidade; para o caso juntar as barracas que haviam espalhadas pela cidade. Famílias de etnia cigana, imigrantes provenientes dos PALOP, e emigrantes chegados à cidade com a vaga da industrialização da Península de Setúbal.
Aqui chegados podíamos esmiuçar as razões por detrás dos diversos bairros de lata. Culturais e económicas. Fica para outra, porque isto é um post num blogue.
Numa coisa estou de acordo com Luís Silva: quem quer casa que a alugue ou que a compre. Como milhões de portugueses – onde me incluo – fizeram, e que bem me esfalfo todos os meses para a pagar.
E fiscalizações activas das Câmaras para prevenir o nascimento de mais bairros de lata, como os que estão a surgir novamente em vários pontos de Setúbal. A história vai-se repetir. É uma pescadinha de rabo-na-boca
 
Mas o que não pode nem deve ser ignorado é que a Bela Vista começou a “dar problemas” de há dez / quinze anos a esta parte, mais coisa menos coisa. Os ciganos, tirando os “acertos” entre famílias, nunca causaram danos de maior; as coisas foram sempre “entre eles”. Temos assim que o problema está localizado: “os pretos” e a "minoria branca" do bairro. Estes últimos, descendentes do lumpen proletariado deserdado da industrialização, e, incrívelmente absorvidos e diluídos pela "cultura negra".
Os primeiros habitantes da Bela Vista eram / são todos trabalhadores honrados e honestos, como gostam de dizer; e é verdade. De baixa escolaridade, de baixas qualificações profissionais, mas trabalhadores orgulhosos do que fazem, e onde a grande maioria se esfarrapa todos os santos dias, para levar para casa no final do mês salários inferiores a 700 euros.
 
E têm vergonha do que por lá acontece. E ter vergonha do que por lá acontece means ter vergonha dos próprios filhos e dos próprios netos! E aqui é que está o busílis da questão. O que é que falhou aqui. E enquanto não for feito o diagnóstico da falha a história vai ser Never Ending Storie. Que o diga Sarkozy com Paris a arder; esperemos pela nossa vez de ver Lisboa e Setúbal em chamas.
 
- Compreendo perfeitamente que o comum do setubalense possa falar nas ruas, nos autocarros, nos cafés, nas colectividades, da maneira como Luís Silva escreve n’O Insurgente. Mas isso é o cidadão comum. Não é alguém com a responsabilidade de escrever num blogue como O Insurgente. Isto é populismo e demagogia. Daquela mazinha; que leva invariavelmente ao racismo e à xenofobia. Que pode por exemplo, incendiar.
 
(Imagens do bairro da bela Vista via blogue Grafitti Setúbal)
 

Der Terrorist

por josé simões, em 10.01.08

 

O Grafitti Setúbal meteu mãos à obra, e arranjou uma nova imagem aqui para o blogue. Mais século XXI. Mais terrorista urbano, e menos taliban, que o taliban que está ali no canto superior direito. Vou pensar seriamente no assunto; assim as definições do quadradinho o permitam.