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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Spin doctor

por josé simões, em 14.04.09

 

Até dou de barato que o Miguel Abrantes, e roubando a expressão a Dominic Lawson na análise que faz hoje ao caso no Independente, sejam vários “licensed assassins” ao serviço do Governo de José Sócrates. So what? Não podem haver blogues ou twitters de apoio incondicional ao Governo, ao partido de Governo ou ao primeiro-ministro, da mesma forma que os há pró PSD, comunistas ou benfiquistas?

 

Nunca vi o Câmara Corporativa passar os limites do bom-senso, entrar pelo insulto, pelo levantar de suspeitas ou pela difamação. Antes pelo contrário. Toda a argumentação bastante bem fundamentada e documentada. E concorde-se ou não com as políticas deste Governo, e os leitores do blogue sabem que não tenho pejo em malhar quando não concordo, o que o Miguel ou os vários Miguéis faz(em) é bem feito. E é precisamente o contrário do homólogo britânico, mais uma vez por Dominic Lawson: «They only go for the man, never the ball». Os “corporativos” vão à bola. E dói mais que ir ao homem.

 

Post-Scriptum: o argumento do anonimato não cola. Anónimo, em semântica blogueira, é alguém que é desconhecido (ou ignorado) do círculo amiguista que inclui dúzia e meia de blogues da chamada 1ª divisão, jornalistas, uns quantos políticos, e alguns empresários. Vai fazer quatro anos que ando nisto, e este continua a ser um blogue “anónimo”.

 

(Na imagem a Gurka Soldier via Guardian)

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 19.06.08

 

“Com a aprovação das Câmaras dos Comuns e dos Lordes, o Reino Unido ratificou hoje à tarde o Tratado de Lisboa. Significa isto que nem Gordon Brown leva em conta o resultado do referendo irlandês.”

 

Eduardo Pitta no Da Literatura

 

- Who the fuck is Gordon Brown?! Gordon Brown não é o nome duma canção dos The Stranglers?! -

 

(Foto de Russ Beinder)

 

 

 

Fumar um charro

por josé simões, em 20.07.07

 Fernando Pessoa escreveu que não conhecia ninguém que tivesse levado porrada. Eu não conheço ninguém que nunca tenha fumado um charro; uma ganza; uma joint; uma broca; um porro – e fico-me por aqui, que não tenho um dicionário à mão. Aliás, não conheço é ninguém que se tenha ficado só por um! Até a espécie humana mais estúpida que alguma vez conheci, e que eram os bétinhos da JC no Liceu de Setúbal nos anos 80, o faziam. Bill Clinton é um caso à parte; diz que fumou mas não travou o fumo. Pois…

A polémica de fachada voltou à ordem de trabalhos, com quase metade do executivo de Gordon Brown a admitir ter fumado uns charritos. Convenientemente na juventude, que já foi há muito tempo, e é sobejamente sabido e por tudo e por nada dito que “em pequenino não conta”. Fachada, porque neste caso específico de fumar umas ganzitas, há sempre uma diferença entre aquilo que se diz em público e aquilo que se pensa na esfera privada; e a esfera privada não é tão privada como isso – inclui os amigos, que por sua vez têm outros amigos, que têm outros amigos, e ouros amigos que. Prontes! Toda a gente sabe, mas ninguém sabe de nada. Assim, se (quase) toda a gente já fumou um charro em privado, a única explicação plausível para a dificuldade de o admitir em público, prende-se com o facto de haverem “meia-dúzia” de pseudo moralistas que se movimentam na penumbra, e, conseguem mexer com os cordelinhos da sociedade. Quando a classe política perceber que ao admitir sem complexos, subterfúgios vários, ou jogos de palavras, que ter fumado ou fumar erva lhe pode granjear simpatias convertidas em votos, talvez as hipocrisias acabem e as surpresas vão ser mais que muitas.

Fumar ganzas!? Big deal!..