"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
As primeiras páginas dos jornais no dia a seguir ao Público ter feito manchete com a fraude no valor de 6.747.462 € [seis milhões setecentos e quarenta e sete mil quatrocentos e sessenta e dois euros] com fundos comunitários, era Miguel Relvas secretário de Estado da Administração Local no Governo de Durão Barroso e Pedro Passos Coelho administrador da Tecnoforma, a empresa beneficiária dos fundos.
Das obras faraónicas que nunca ninguém viu sair do papel que nunca ninguém viu e com benefícios só para alguns que toda a gente viu, da formação de um técnico camarário por m2 para aeródromo e heliporto na zona centro do país, do preço que foi pago por todos nós, do 'socialismo' que eles gostaram.
Nunca mais se ouvia falar em Rui Rio até ao fim dos tempos. Mas como parece que o homem faz falta aí para umas coisas que hão-de vir, a next big thing, tipo dar credibilidade à política e aos políticos e ao PSD e à direita e tal [não necessariamente por esta ordem], no pasa nada!
«O ex-dono da Tecnoforma, antigo patrão de Passos Coelho, admite que criou uma ONG com o objectivo de candidatar projectos a financiamento comunitário, que depois teriam a participação da sua empresa. Passos abria "todas" as portas para estes negócios, garantiu [...].
Fernando Madeira, que foi ouvido no final do ano passado pelo Ministério Público – no âmbito de uma investigação de projectos de formação profissional pagos à Tecnoforma com fundos comunitários –, conta [...] que Passos Coelho era uma peça-chave naquele processo.
«O ex-sócio maioritário da Tecnoforma refere que o actual primeiro-ministro chamou para fazer parte dos órgãos sociais do Centro Português para a Cooperação – uma organização não-governamental (ONG) financiada pela Tecnoforma – "pessoas com influência", como o então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, e os também social-democratas Ângelo Correia e Vasco Rato (nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana). Fernando Sousa, na altura deputado do PS, e Eva Cabral (então jornalista do Diário de Noticias e actualmente assessora do primeiro-ministro) estiveram igualmente na fundação desta ONG.
Em entrevista [...], Fernando Madeira diz que o objectivo de Passos Coelho em rodear-se de personalidades influentes era "abrir ou facilitar a vinda de projectos para a ONG no âmbito da formação profissional e dos recursos humanos, e que depois esses projectos pudessem ter a participação da Tecnoforma".
O empresário garante que Passo Coelho sabia que a ONG era criada com esse intuito e conta pormenores de um encontro com o então comissário europeu João de Deus Pinheiro e de um negócio fechado com Isaltino Morais.
"O projecto precisava também da aprovação de Isaltino, era o presidente da Câmara de Oeiras. O Pedro desbloqueou isso, fez o papel que se esperava dele. Tivemos uma reunião com o Isaltino Morais que aprovou o projecto e foi essencial para a candidatura a um programa financiado pela União Europeia", exemplifica.
Fernando Madeira não se recorda se pagava a Passos Coelho e, [...], durante a entrevista fez parar o gravador nesta questão durante 13 minutos. Na altura em que presidia à ONG, o actual primeiro-ministro era deputado em regime de exclusividade no Parlamento […]»
Diz que também está a ponderar a possibilidade de haver igualmente "medidas de discriminação positiva" nos processos de licenciamento de projectos. "Ponderar" que é diferente de adquirido.
E também diz que há a hipótese de "majorar positivamente" as zonas com menos população. "Hipóteses" que é diferente de decidido.
E que "poderá" e "ponderado" e "hipótese" depois, vai definir "uma taxa de comparticipação maior" para os projectos, de forma a captar investimentos nas regiões desertificadas, como se alguém no seu perfeito juízo fosse investir o que quer que seja numa região desertificada de escolas, de centros de saúde, de tribunais, de repartições de finanças e de gente.
[Na imagem estação de metro em Berlim, de autor desconhecido]
Adenda: Também diz que se construíram para aí umas estradas e uns equipamentos públicos, faltaram os aeródromos e os aeroportos malgrado a formação dada para futuros controladores [esta parte digo eu], mas que não serviu para nada disso da coesão nacional e territorial. Serviu para as pessoas se pirarem mais rápido, depois da "hipótese" e do "ponderado".
Para os que nasceram depois e para os que não têm memória e para quando Cavaco Silva, O Avisador, vier outra vez avisar da urgência de uma aposta do país no mar:
E é assim um pouco por todo o país, de Vila Real de Santo António a Caminha, a "aposta no mar" foi feita nos anos 90 pelo homem que mais tempo esteve na liderança do país desde Salazar, o "mar nosso" passou a "mar deles".
Cavaco Silva, O Avisador, quando nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, pagou para arrancar olival. Filipe González, José María Aznar, José Luis Zapatero, e isto sim é consenso e visão e grandes opções estratégicas, muito diferente da "união nacional" passista que rima com passadista, pagaram para comprar terreno de olival arrancado em Portugal.
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, há bocado, e em resposta a uma questão do líder da sua bancada parlamentar, Luís Montenegro, sobre a Tecnoforma, empresa de que foi consultor e depois gestor, e da mãozinha dada pela sua cara metade e à época secretário de Estado da Administração Local, Miguel Relvas, sobre o novo quadro comunitário de apoio [QREN]:
Uma ajuda Priberam, outra ajuda Dicionário Online de Português, e ainda outra ajuda Wikicionário. Comparar depois sabedoria com esperteza, saloia ou não, que permite atingir o estatuto de sábio, pelo mínimo de três décadas dentro do sistema, a respirar o sistema, a vestir-se do sistema, a alimentar-se do sistema, a dizer que o pão para a boca está mal cozido por defeito no forno e por falta de profissionalismo do padeiro. Eraserhead.