"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O taberneiro grita, esbraceja, mente, interrompe o oponente, interrompe o entrevistador, insulta e goza com toda a gente - Jerónimo de Sousa era "o avô bêbado", começou aqui, foi há muuuuuito tempo, foi em 2021, já ninguém se lembra. O taberneiro inaugurou e normalizou a era do insulto, da má-educação, da falta de respeito, do vómito, da chafurda. O taberneiro faz isto tudo e no minuto seguinte tem uma horda de minions, conhecidos, anónimos, contas falsas, bots, a amplificarem e repercutirem o que foi vomitado, jogam com o algoritmo e o algoritmo joga com eles. É o que é, estamos na era do vómito e da javardice.
O taberneiro foi à undécima "entrevista exclusiva" mensal num canal do cabo. O taberneiro não gostou da última pergunta e protestou, passou a língua pelas beiças, ainda mais do que é habitual, e protestou outra vez. Afinal não se conseguia entrevistar a si próprio, e fica à nora com perguntas simples, tipo "se sempre disse que queria ser primeiro-ministro, porque se está a candidatar a presidente?" podia o perguntador ter acrescentado "depois de se ter candidatado a todas as câmaras municipais do país nas últimas autárquicas", não teve tempo, o Costa filho atalhou que se fosse com ele tinha sido "porque berra tanto?", o taberneiro amuou, fez beiço, foi embora, e no minuto seguinte tinha uma horda de minions, conhecidos, anónimos, contas falsas, bots, os mesmos que espalham ódio, boataria, javardice, vomitado, indignados nas redes com o "jornalismo militante [sic] da CNN. Mal habituados. O chefe tinha sido vítima da fórmula que manipula. Ainda por cima às mãos de um "monhé" [sic], está lá, escarrapachado em todos os comentários cobardes, anónimos escondidos atrás de burcas com a cruz de Cristo, o Henriques franciu que bateu na mãe, vikings, bandeiras da reconquista, e o caralho, rataria saída dos bueiros. Não há nisto racismo nenhum, honi soit qui mal y pense.
O Costa filho fez ao taberneiro o que o taberneiro faz aos outros ou, como diz o povo, "foi-lhe pela peida acima", em directo e a cores. Se calhar a fórmula de lidar com o taberneiro é meter o taberneiro na ordem, saltando para trás do mesmo balcão de taberna... O Gavin Newsom da Califórnia tem usado o mesmo expediente com o agent orange, quando sai da linha leva com ele em cima.
Esta debandada halloweenica do CDS tem pouco ou nada a ver com a alegada falta de democracia interna, com a pulsão autoritária do líder ou o desvio protoditatorial do infantil Chicão, num partido habituado a conviver com refugiados do fascismo nas suas fileiras desde o dia da sua fundação, mas tudo com a irreversível irrelevância política do partido, da sua inutilidade enquando porta de acesso ao poder, porta giratória privdo-público e rampa de lançamento para negócios à sombra do Estado. Parem de insultar a inteligência dos portugueses.
Juntem o cravo branco do CDS ao cravo preto do Chega e temos o Portugal que que eles gostariam de comemorar: o Portugal a preto e branco de 24 de Abril.
[Na imagem, com link, Paula Celeste Caeiro, a mulher que "inventou" o cravo vermelho na revolução]
Primeiro foi o Chicão, alegado líder do partido de Jacinto Leite Capelo Rego, do caso Portucale arquivado, das escutas que davam um banqueiro a pagar o salário do líder, dos submarinos sem corrompidos em Portugal pelos corruptores julgados e condenados na Alemanha, vir a terreiro que "o sistema judicial está doente".
Dias depois aparece o doutor Rui 'banho de ética' Rio, eleito chefe de facção pelo sindicato dos votos dirigido por Salvador Malheiro, do PSD desde o PPD a acumular casos até ao apogeu no cavaquismo, tantos que para referir tudo era preciso um blogue só dedicado à causa, clamar que "o regime está muito doente".
A lata. Quarenta e tal anos de construção de um monstro emaranhado jurídico, a meias entre PS e PSD com a prestimosa colaboração do CDS, com mais buracos de fuga que um queijo suíço e escapatórias para pesados que uma auto-estrada, chegando ao ponto da contagem de uma data ser passível de duas interpretações. "o sistema judicial está doente". "o regime está muito doente". Adoeceu sozinho. Ou então é tudo culpa do 'gonçalvismo', há muito tempo que ninguém fala nisso.
O que menos se espera ouvir de um dos partidos donos da democracia era uma discussão sobre voto secreto depois de 46 anos a atirar o voto de braço no ar à cara do PCP.
Quem é que anda enganado, aqueles que agora migram do CDS para o Chaga, por a vergonha ser coisa que não lhes assiste e já conseguirem dizer em público e em voz alta o que antes só se atreviam a pensar em privado, ou quem tenta resgatar um partido que só existiu pela vergonha da culpa que era assumir Salazar na memória fresca do pós 25 de Abril e por falta de alternativa no mercado para o nicho liberal, uma vez que os órfãos moderados e reformistas estão desde sempre albergados no centrão PS/ PSD?
Chicão, armado em Chico-esperto no dia a seguir ao 1% que lhe dão as sondagens, aparece no acampamento da greve da fome frente ao Parlamento, depois de avisar as televisões todas, e sai com o rabo entre as pernas.
"Ontem foi dada a garantia ao CDS, por parte do senhor Presidente da República, de que no quadro do próximo estado de emergência não está equacionada uma requisição civil dos serviços de saúde" do setor privado e social"
O líder partido que nos idos do PREC tinha os militantes a dizer que "vermelhos eram os índios e foderam-se" cita um "poema dos apaches: "Se recuarmos, morremos. Então por que não avançamos?". Isto nem inventado.
Chico Chicão, o líder do CDS que gastou os dois últimos meses a falar da Festa do Avante! , acusa o governo de ter descurado o início do ano escolar por estar preocupado com a Festa do Avante! . Não ter a puta da vergonha na cara é isto.