"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Dona Chica saiu revoltada por o partido que suporta o Governo querer passar ao papel o que os deputados do partido que suporta o Governo fazem na prática: abanar o rabo ao Governo com a língua de fora.
Dona Chica levou duas legislaturas para perceber qual é o papel dos deputados do partido que suporta o Governo. Dona Chica passou duas legislaturas sem perceber o que andava a fazer na bancada parlamentar do partido que suporta o Governo.
Dona Chica vai adoptar a máxima de Zeca Afonso: "Sou o meu próprio comité central".
Na próxima legislatura quem é que vai ocupar o lugar deixado vago por Dona Chica nos eleitos pelo Círculo Eleitoral pelos Escritórios de Advogados?
À parte o topete de quem, durante 4 anos, votou acéfalamente favoravelmente sucessivos Orçamentos do Estado sucessivamente declarados inconstitucionais pelo Tribunal Constitucional [e projectos de lei vários, enriquecimento ilícito, por ex.], sem nunca se lhe ter ouvido uma palavra e ainda o ter ouvido, calado e consentido as pressões sobre o Tribunal Constitucional de Pedro Passos coelho, líder do partido, primeiro-ministro do Governo, mais os ataques de Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do maior partido que suporta a coligação, o PSD, a sua bancada parlamentar, sobre o Tribunal Constitucional, vir agora invocar a Constituição e a liberdade do deputado eleito, esta intenção da democrática aliança que vai pôr Portugal à frente só surpreende os mais distraídos ou quem, durante estes últimos 4 anos, não seguiu os trabalhos parlamentares do PSD e do CDS, com o zénite a cada 15 dias nos debates no Parlamento com os líderes das duas bancadas parlamentares – PSD e CDS a tecerem loas e a entoarem árias ao primeiro-ministro e ao Governo disfarçadas de interpelações que, quando não eram interpelações disfarçadas, eram as deixas, como o homenzinho escondido dentro da caixinha à frente do palco – o ponto, para o discurso propagandístico que se iria seguir. No fundo é só consignar no papel o que na prática já acontece por livre e espontânea vontade dos visados.