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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ensinar a despedir

por josé simões, em 06.06.07

Poul Rasmussen, o dinamarquês “pai” da Flexigurança esteve em Lisboa para falar sobre o conceito, numa conferência organizada pelas empresas Multipessoal e Unimagem.

São conhecidos e mais que badalados, os estudos que colocam sistematicamente os empresários portugueses nos tops europeus, sempre pelas piores razões; desde a aversão à inovação, passando pela baixa cultura em gestão empresarial, até à excessiva dependência em relação ao Estado. Para a história fica mais um item a acrescentar a todos os outros: são tão maus – para não lhes chamar outra coisa – que até é necessário vir alguém de fora, para o caso, da Dinamarca, ensiná-los como devem despedir.

Flexigurança

por josé simões, em 06.03.07

José Carlos Pinto Coelho, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, em nome das confederações patronais, afirmou que lhe agrada muito o conceito de flexigurança, que está em discussão na Europa e, defendeu uma «flexigurança à portuguesa».

 

Trabalha – se possível de borla – e está caladinho; se bufas muito vais pró olho da rua e depois logo se vê.

 

Obviamente que nenhum empresário refere o facto de os portugueses imigrantes serem os trabalhadores de eleição nos países de destino, nem os estudos que os colocam (aos empresários portugueses) no top dos piores da Europa.

 

Hoje, o ditado do dia é made in USA:

 

“Quem paga com amendoins, recebe macacos”

Flexigurança e empresários portugueses

por josé simões, em 17.01.07
Cavaco Silva não para de nos surpreender.
 
Não houve ninguém que, ainda se não tivesse interrogado acerca do porquê do português-imigrante ser unanimemente considerado, no país de destino, como o trabalhador modelo. Pontual, trabalhador, cumpridor.
Se assim é lá fora, porque assim não é cá dentro?
 
A resposta veio da Índia, pela boca do Senhor Silva, não o Carvalho da CGTP, mas o outro, o Presidente da República, pessoa insuspeita nestas matérias:
 
Os portugueses são capazes de fazer muito e bem.”
“Os soldados são bons, os capitães são capazes de não ser tão bons.”
 
Acusando o toque, Ludgero Marques, presidente da Associação de Empresários Portugueses, recorre ao argumento do mau treinador que, para colmatar a sua incapacidade, constantemente exige novos reforços:
 
“Gostava que o Governo fosse muito mais ousado e que percebesse que a grande reestruturação da indústria passa pelas leis laborais.”
 
Já todos percebemos que o grande objectivo dos empresários lusos é, poder despedir a eito, daí o seu interesse no conceito flexigurança. O resto, o que fica para lá da flexibilidade, a segurança, isso fica a cargo do Estado. Assim chegamos a outra característica da classe empresarial portuguesa: Há Estado a mais na vida das empresas, via leis laborais reguladoras; excepto no que toca ao Estado arcar com os custos das políticas sociais se as leis forem alteradas; aí sim, todo o Estado que houver é pouco e bem-vindo.
 
Duas questões para colocar a Ludgero Marques:
 
. 1 – A flexigurança aplicada à classe empresarial
 
. 2 – O sistema de castas indiano aplicado à economia portuguesa.
 
Obrigado.

...

por josé simões, em 15.01.07

Virtualidade s. f. - Qualidade do que é virtual.

 Virtual adj. - Existente apenas em potência ou como faculdade, não como realidade ou com efeito real.

 

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa - Círculo de Leitores, 2003

 

" A flexisegurança é um modelo com algumas virtualidades",  José António Fonseca Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, em declarações à RTP1, comentando a repescagem que Cavaco Silva fez, da "bisca"por si lançada há algum tempo atrás.

***

por josé simões, em 14.01.07

Cavaco Silva que chegou à Índia como o Sr. Professor, vai voltar como o Sr. Doutor, se bem que Honoris Causa e, pela Universidade de Goa de quem nunca ninguém tinha ouvido falar até hoje, até à manifestação de protesto contra o doutoramento.

Não sei qual o peso da referida Universidade na tão propalada excelência de ensino indiano, mas seja ele qual for, aparentemente e a seguir ao doutoramento, teve o condão de fazer o Presidente pegar na bisca, lançada pelo Ministro do Trabalho há uns tempos atrás; a flexisegurança.

E não é que o Presidente Cavaco Silva, está de acordo com o conceito?

Só que existem alguns pormenores de somenos:

Alguém que explique aos portugueses porque é que até ontem a Segurança Social estava a rebentar pelas costuras e com um prazo de validade de uma geração e, com a flexisegurança esse problema deixa de existir?

 

Alguém que explique aos portugueses porque é que os nossos empresários estão sempre a pedir alterações à lei quando se fala em despedimentos, quando a actual lei permite despedir desde que seja com justa causa?

 

Eu até sei porquê, mas,  como não fui eleito para nenhum cargo governação, não me compete a mim explicar.