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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| O poder das marcas ou o mercado a funcionar

por josé simões, em 12.02.13

 

 

 

Uma multinacional sueca comercializa refeições congeladas, cozinhadas por uma empresa francesa numa fábrica no Luxemburgo, que contratou uma empresa cipriota para comprar a carne que, por sua vez, subcontratou outra na Holanda que fez a encomenda na Roménia.

 

Há quem ache isto normal, é o mercado a funcionar, dizem. Descontando a novidade de acontecer na Europa [costumava ser no Sudoeste Asiático e na América Latina], e descontando a parte do "quem se lixa é o consumidor", nesta cadeia tudo funciona correctamente e na perfeição, desde a desresponsabilização social das empresas, até à inexistência de vínculos contratuais, passando pelo aumento das mais-valias e pelos respectivos baixos salários para horários de trabalho "alargados" e sete dias por semana, mais a ausência de direitos e garantias para quem está no fim da escala da cadeia de produção. Resumindo, uma major, sueca, europeia, da Europa do Estado social, do ramo da alimentação, com lucros fabulosos para distribuir pelos accionistas e que, para todos os efeitos, só tem "meia dúzia" de funcionários nos seus quadros…

 

A Naomi Klein, que explicou tudo isto há muitos anos, sofreu um ataque cerrado dos paladinos do neo-liberalismo e do capitalismo desregulado e foi dada como louca e ignorante.

 

Há quem ache isto normal. Desculpem, mas não acho nada disto normal.