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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Um partido de mágicos (II)

por josé simões, em 21.02.08

 

“O trabalho realizado pela Novodesign para o PSD, pago pela Somague, que culminou numa condenação por financiamento ilegal de partido, anteontem divulgada pelo Tribunal Constitucional (TC), não teve apenas que ver com a produção de material de propaganda, mas implicou toda a mudança de imagem que o partido viria a promover nos anos seguintes – nomeadamente a reformulação do símbolo do partido.”
(Link)
 
O hospital… aquele edifício bonitinho, pintadinho de branco, mas por dentro é o micróbio aos montes!”, era uma deixa do meu amigo Manuel Bola, numa comédia de que não me recorda o nome, e levada à cena pelo Teatro de Animação de Setúbal há uns anos (muitos) atrás.
 
Podia bem ser a metáfora que define bem toda esta trapalhada no PSD. Mudou-se a imagem, mas os lixos e os vícios antigos ficaram todos lá, pintadinhos, não de branco como no hospital da peça, mas de cor-de-laranja brilhante.
 
 
Mas há mais. Carlos Coelho, o homem por detrás da Novodesign é um activista fundador do Compromisso Portugal. Com a ilustre companhia de Diogo Vaz Guedes.
Ou como escreve hoje Paulo Ferreira em editorial no Público:
 
“Menos surpreendentes são certas práticas empresariais. É fácil ir para os palcos do Compromisso Portugal e fóruns semelhantes falar de transparência, da separação entre o Estado e os negócios e da promoção da concorrência. Tão fácil como, à primeira oportunidade, financiar por baixo da mesa um partido, subvertendo de uma assentada todos esses bons princípios. Foi isto que fez Diogo Vaz Guedes.
Ele e os restantes envolvidos, sabendo todos que estavam a alimentar o cancro do financiamento partidário ilegítimo e tudo o que ele implica. São estas as elites que temos: prometem-nos a Suécia mas só nos levam para o Sul de Itália.”
 
Pena é que a investigação tenha morrido na praia. Faltou, por exemplo, dizer as contrapartidas recebidas pela Somague por este financiamento…
 
Era disto que Marinho Pinto falava?
  

Um partido de mágicos

por josé simões, em 20.02.08

 

Recapitulando:
 
“uma inspecção da direcção de Finanças de Lisboa, realizada em 2006, à empresa Brandia Creating levou à apreensão de uma factura de 15 de Março de 2002, no valor de 233.415 euros, emitida à Somague SGPS mas relativa a material de propaganda do PSD; a esta factura estavam anexadas outras sete e um documento interno onde se lia: "Estes sete pedidos de facturas vão dar origem a uma factura única à Somague".
O valor da factura em causa era mais de 20 vezes superior ao limite máximo imposto pela lei, cerca de dez mil euros, para donativos a partidos políticos. Nos termos usados pelo TC para explicar as coimas aplicadas, esse montante excedia "com alguma expressão" o limite permitido”
(Público, sem link).
 
Uma quantidade de interrogações (para as quais até desconfio qual seja a resposta):
 
O que é que Ribau Esteves pretende realmente dizer quando afirma que “houve desleixo”? Um partido de profissionais com práticas amadoras? Se não houvesse o “desleixo” da factura era tudo gente séria? O que está por detrás da decisão da actual direcção do PSD, em vasculhar nos baús do partido de 2001 para cá? Porquê 2001 e não uma data anterior ou posterior? De que têm medo as “fontes ouvidas pelo DN e ligadas à direcção de Durão Barroso”? Para Diogo Vaz Guedes é assunto encerrado porque “o seu nome e o da empresa” deixa “de andar associado a este problema nas páginas dos jornais”; e é assim tão simples como isso? Depois da decisão do Tribunal ficamos todos a dormir mais descansados porque não há mais promiscuidade entre o sector da construção e os partidos políticos? O juiz decidiu, está decidido; fazemos um reset e nunca mais ninguém se lembra disso? Mesmo quando passamos nas estradas e vemos sempre os mesmos placards, com os logos, das mesmas empresas, nas mesmas obras públicas?
 
Era de casos como este que Marinho Pinto falava?
 
(Imagem via La Repubblica)