"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Há quem tenha a espada de D. Nuno Álvares de Santa Maria, a verdadeira, a “que salvou Portugal”, para venda. Da que “matou” Portugal nunca mais ninguém deu fé:
Reza a história que os cavaleiros Templários na sua labuta em espadeirar o “infiel” na Terra Santa, levavam à cabeça um pedaço da cruz onde Cristo tinha sido crucificado. W, outro famoso cruzado, ficou com a “espada” do elo mais fraco como recordação de um dia ter batido à falsa fé em alguém que não era do seu tamanho.
Uns benfeitores duma organização humanitária não-governamental, apologistas da não-violência, e que se dedicam ao combate ao cultivo e ao tráfico da droga, tentando por todos os meios que os camponeses convertam o tradicional cultivo da coca, noutro tipo de culturas.
Uns voluntários-idealistas, que têm em seu poder há um ror de anos (6), com o seu consentimento e por sua declarada vontade, uma senhora de nome Ingrid Bettencourt (entre outros/as), também por razões humanitárias, uma vez que a referida senhora se encontra em estado de saúde grave, e só ali pode ser convenientemente tratada.
Uns democratas que lutam abnegadamente contra uma das mais bárbaras e desumanas ditaduras totalitaristas da América Latina.
Pois bem, esses santos-homens e santas-mulheres que – e nunca é demais sublinhar –, no princípio da não-violência, inocente e afincadamente levavam a cabo o seu meritório trabalho no coração da selva; clandestinamente, sem o conhecimento do Governo desse país; foram barbaramente assassinados; de noite e pelas costas (!), sem que ao menos fossem antecipadamente avisados da sorte que lhes estava reservada, de forma a poderem levantar ferro e mudar de lugar!
“Imaginem que a ETA tinham uma escola em Portugal para a formação de bombistas, em campos de treino protegidos pela polícia portuguesa; imaginem que as autoridades portuguesas abasteciam a ETA com armas compradas com dinheiro obtido através da venda de droga, negócio onde as autoridades portuguesas estavam enterradas até a pescoço. Seria um escândalo com uma dimensão inimaginável. É o que está a acontecer neste momento com o governo Venezuelano e com as Farc.” (Tradução livre).
“Se Hugo Chavez quisesse, poderia forçar as Farc a libertar Betancourt amanhã pela manhã. Era só dizer: ‘vocês a entregam ou o jogo acabou para vocês na Venezuela’. A dependência das Farc com os venezuelanos é tão grande que eles não poderiam dizer não”
Agora que mais uma Festa do Avante! é passada parece que tudo voltou à normalidade. E a normalidade é a total ausência de pudor – estou indeciso entre “pudor” e “falta de vergonha na cara” – quando se escreve “É a cada povo que compete escolher o seu próprio caminho libertador” para depois meter no mesmo saco e como fosse se tudo a mesma coisa, os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas, a Palestina, Timor e as FARC; classificando estas últimas como “revolucionários colombianos”. “Não há porém «ajuda» que possa resolver os problemas sociais e políticos de um país dominado por uma oligarquia tirânica, encharcado de esquadrões da morte, com milhares de presos políticos, gangrenado pelos cartéis da droga, profundamente injusto e desigual”, lê-se (Negrito meu). Obviamente que as FARC não são para aqui chamadas nestas coisas de «cartéis da droga». Até porque a droga traficada pelas FARC se destina a financiar uma causa justa, de luta contra o imperialismo, mesmo que seja num país com uma democracia parlamentar que até admite um partido comunista nos boletins de voto… A não ser que, como a droga traficada pelas FARC tem como destino o consumo pelos jovens na Europa capitalista e nos Estados Unidos capitalistas e imperialistas, se torne numa actividade comercial aceitável aos olhos do PC… (Ler na íntegra aqui).
É sempre salutar ler o Avante! Fiquei por exemplo a saber que há uma «política belicista da chanceler Merkel no Afeganistão onde, de resto, a Alemanha reparte actualmente com os EUA «o aparelho de ocupação no velho estilo colonial». Para o jornal que nos anos da ocupação soviética de Brejnev ignorou sistematicamente o assunto, e passava a batata quente para as mãos do Avante! das massas – O Diário –, onde a invasão do Afeganistão era classificada como ajuda revolucionária a pedido do Governo de um país amigo… (Ler aqui).
Aquela direita bloguista – e não só – que fez campanha eleitoral em Portugal por Sarkozy, como se depende-se dos votos dos portugueses a sua eleição para o Eliseu; que exultou e rejubilou com a vitória do candidato da UMP, é a mesma direita que não perde uma oportunidade – e verdade seja dita, com razão – de espetar umas farpas no nosso vizinho Zapatero pelas mais que muitas argoladas cometidas, nas cedências que fez, ao aceitar negociar e, por consequência, ficar refém de uma organização terrorista como o é a ETA. Foi, e é, a mesma direita que não perdeu a oportunidade nem o timming para cair em cima de Mário Soares – outra vez com razão – por defender as negociações directas com a Al-Qaeda, como a melhor forma de combater o terrorismo islâmico.
Essa direita Sarkozysta e anti-Zapatero anda alheada e esquecida. Esquecida de que a pedido de Sarkozy, o Presidente da Colômbia Álvaro Uribe libertou aquele que é considerado o ministro dos Negócios Estrangeiros das FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, umas das organizações terroristas mais sanguinárias da América Latina, com ligações ao narcotráfico. Esta direita sofre agora de amnésia súbita. Foram os primeiros – e mais uma vez, verdade seja dita, com razão – a denunciar a presença das FARC na Festa do Avante!, com pavilhão e tudo. Mas isso foi no tempo aS (antes-de Sarkozy). Ou será que, há quem tenha autoridade política para negociar com os terroristas? Há terroristas com quem vale a pena negociar e outros que nem por isso? Terroristas bons e terroristas maus?