"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Via Rafael Marques, execução extra-judicial pelo Serviço de Investigação Criminal do "país irmão" que consegue a proeza de ser governado pelo "partido irmão" [PCP] ao mesmo tempo que tem assento na Internacional Socialista [PS]. É obra.
Ainda na história recente de Portugal tivemos um Governo formado por dois partidos em coligação que passava os dias a acusar o Tribunal Constitucional de ser um "tribunal político" [no shit?!] e de pôr em causa o "ajustamento" da economia, as "reformas estruturais" [sic] e os "sacrifícios" do [bom] povo português.
Até os vermes, que têm como objectivo único a supressão da democracia e a destruição do Estado de direito, podem recorrer das decisões judiciais em pé de igualdade com os outros seres humanos e com quem aspiram liquidar, e serem julgados, com isenção, por aqueles que seriam as suas primeiras vítimas [ver "Justiça Nazi, a lei do holocausto", Richard Lawrence Miller, Editorial Notícias, ou até mesmo Sebastian Haffner em "História de Um Alemão", Dom Quixote].
Depois a destruição do Estado pelo poder político totalitário [eleito pelo voto popular em eleições livres e democráticas, sublinhar], nascido, criado e engordado na promiscuidade entre o público e o privado e no clientelismo partidário, na sombra do Estado que agora pretende destruir, com o álibi das obrigações a cumprir [o "honrar a palavra" e a "imagem no exterior"] para com o poder económico:
O Estado de Direito, e as instituições que criámos para o regular, têm destas coisas: um assassino confesso de 70 pessoas pode ir a tribunal, com orgulho, defender a sua “obra” e apregoar uma ideologia de ódio que, em última instância, visa a destruição desse mesmo Estado de Direito, ao passo que o juiz encarregue de o julgar não pode publicamente defender a aplicação de uma pena que nem sequer consta no ordenamento jurídico do país.
Toda a universidade que se preze, principalmente as privadas que floresceram como cogumelos nos pinhais de Alcácer do Sal, tem o seu cursito de Direito. Tudo o que é candidato a universitário, e que não teve cabimento pela média das notas na universidade do Estado, vai “tirar” Direito numa privada. Fale-se com alguém na casa dos 30 anos, ou dos trinta para cima, que resolveu voltar à escola, e Direito é o curso escolhido. Carvalho da Silva deve ser a excepção. Resultado: estamos em vias de nos transformar de um Estado de Direito, num Estado de formados em Direito.
É à luz deste fenómeno – dos formados em Direito – que deve ser vista a aparentemente “boa-ideia” da Ordem dos Advogados, em colocar um dos seus, 24 horas por dia nas esquadras. Sempre são mais cerca de 2600 novos postos de trabalho.
Leia-se o que vem hoje no SMS, aquela secção do Diário de Notícias em que os leitores enviam mensagens por telemóvel. Assinada por José Augusto Simões de Oeiras:
«Além de um advogado em cada esquadra, vamos colocar um licenciado em Finanças em cada repartição de Finanças, para defesa dos contribuintes. Desta forma ajudaremos a acabar com o desemprego de jovens licenciados sem saída profissional. À custa do contribuinte, claro.»