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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Setúbal, século XXI (III)

por josé simões, em 28.05.08

 

Dez minutos para as oito horas da manhã; hora de ponta.

Bicha enorme na bilheteira da Estação Rodoviária na Avenida 5 de Outubro. Não anda nem desanda, por via duma senhora que ao guichet “não desampara a loja”; os autocarros para Lisboa quase a partirem; começa a impaciência a instalar-se…

 

- “Quérro um belhête prró ex prrésse das dez e oitenta prra Albufêrra!”

- “Oh minha senhora, dez e oitenta não há; já lhe disse!”

- “Come éque na há?!”

- “Então pode lá haver dez e oitenta?!” responde a funcionária ao mesmo tempo que lança olhares para a fila, como que a pedir ajuda.

- “Atão stá aqui do papel, comequé pode na havêrre?!”

- “Então mostre lá o horário, se faz favor…” (silêncio geral; a fila inteirinha em suspense). “Oh minha senhora; dez e oitenta é o preço do bilhete. Dez euros e oitenta cêntimos! O expresso é às dez e trinta…”

- “Aaah!..Veja lá a menina, quê onte à nôte, más o mê filhe, até ó relóge fomes vêrre onde éque érra as dez e oitenta!”

 

(Imagem de Nick Veasey via Daily Telegraph)