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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Espionagem com aval (III)

por josé simões, em 30.12.07

 

De Gabriel Silva do blogue Blasfémias, recebi na caixa de comentários do post “Espionagem com aval (II)” o seguinte comentário:
 
“Disparate.
Quem pode ficar contente com a intromissão do estado nos negócios privados são todos os socialistas/sociais-democratas. Não é isso que defendem?
Mas de tão envergonhados que são na defesa do intervencionismo, nem sequer isso fazem, coitados.”
 
Caro Gabriel, disparate é não ver o óbvio. E o óbvio aqui é o Estado dar de mão beijada ao maior banco privado nacional informação classificada e confidencial sobre os meandros do seu concorrente directo, a Caixa. A haver, a presumível intervenção do Estado no mercado foi em favor do sector privado – um “empurrão” –, em flagrante prejuízo do banco do Estado, por mera coincidência aquele com quem o BCP disputa ombro-a-ombro o espaço vital….
 
Mas há por aí mais gente a disparatar. Este senhor obviamente só pode ser um mau administrador – do ponto de vista privado, claro. No fundo, no fundo, está a defender os interesses da Caixa ao dar-se ao luxo de desprezar a informação estratégica na bagagem de Santos Ferreira
 
 

Espionagem com aval (II)

por josé simões, em 28.12.07

 

Sobre as trocas & baldrocas no BCP envolvendo a CGD, já aqui havia escrito que se estava a assistir a uma operação de espionagem industrial com o aval do Governo e do Banco de Portugal. João Duque, Professor Catedrático do ISEG, assina hoje no Público Economia um artigo com o título “Quem defende o interesse a CGD?”:
 
“Calos Santos Ferreira não é um qualquer trabalhador da Caixa. É, simplesmente, o seu Presidente! E das duas umas: ou conhece a CGD, conhece os seus pontos fortes e as suas vulnerabilidades, sabe quem são os seus clientes conhece a sua estrutura de custos, é a sua “cabeça”, o seu líder e o motor de estratégia da Caixa, quem sabe o que quer para a empresa e sabe como o vai conseguir (conquistar quota, aumentar o lucro, etc. à custa de esmagamento de margens, de “cross-selling” agressivo, de campanhas estratégicas, etc.) ou não sabe nada disto e então não se percebe como se mantêm essa incompetência à frente da Caixa.
(…)
Achará o próprio Carlos Santos Ferreira, bem como os promotores da ideia que ele esquecerá tudo o que sabe sobre a Caixa no dia em que dela se demitir?
(…)
Se tomar posse como Presidente do BCP que fará Santos Ferreira na sua guerra contra a Caixa? Imagine-se que Pinto da Costa ia dirigir o Benfica. Quem é que ele iria defender depois de tomar posse?
Ora admitindo-se que Santos Ferreira vai mesmo defender os interesses do BCP os accionistas deste banco aplaudem! Isto é como o Tottenham tentar ir buscar José Mourinho ao Chelsea, coisa que terá tentado! No entanto, o patrão do Chelsea sabe defender os interesses do seu clube e deixou claro na cláusula de rescisão o impedimento deste treinador para conduzir qualquer clube concorrente em Inglaterra nos três anos subsequentes!”
 
(Ler na integra aqui – clicar na imagem para aumentar)
 
Por isso espanta-me que alguns blogues que visito diariamente e que me habituei a considerar e respeitar, conotados à esquerda, por exemplo, este e este, embarquem no lamiré de alguma direita da blogosfera a discutir amendoins, quando o que está em causa não é ser do PS, do PSD, ou outro P qualquer. Não é o PS "OPAr" o BCP. Nem tão pouco uma renacionalização.  Ao que se assiste neste momento é a um ataque maquiavélico concertado ao único banco do Estado, e que disputa palmo a palmo o terreno ao BCP. Quais, ou qual o objectivo, ainda não percebi… Quem sabe uma futura privatização?
No fundo, no fundo, estes aqui e mais estes, até estão a esfregar as mãos de contentamento!
 
 

Espionagem com aval

por josé simões, em 27.12.07

 

Nestas andanças no BCP, uma coisa há que me faz muuuuuita confusão, a mim – e nunca me canso de repetir isto – que de bancos não percebo nada que vá além de consultar o saldo e os movimentos que o meu banco me envia duas vezes por mês via CTT. E não é a suposta falta de curriculum de Armando Vara; também Cupertino de Miranda não tinha curriculum e não foi por isso que deixou de fazer um banco. Nem tão pouco por ser militante do PS. Pelos vistos e pelas declarações, a alternativa proposta seria um militante do PSD; não vejo a diferença; talvez a cor da gravata…
 
A minha confusão deriva de, para a liderança do BCP, ir Santos Ferreira directamente da CGD, e como no Monopólio, sem passar pela casa da partida. Estamos a falar das duas maiores instituições bancárias portuguesas, e rivais na disputa do mercado.
 
A partir do momento em que cruzar a porta de entrada do BCP o que vai fazer Santos Ferreira; vai fazer um delete a todo o conhecimento que tem da CGD? Como isso não é viável – não estamos propriamente num tribunal americano em que o juiz ordena aos jurados que as declarações proferidas por uma das partes não devem ser consideradas –, como vai Santos Ferreira utilizar esses conhecimentos? Qual das instituições vai sair beneficiada ou prejudicada?
 
A isto chama-se espionagem industrial. Grave, gravíiiiissimo; caso único na história do sistema bancário mundial, e com o aval do Governo e do banco central!