"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Se calhar por a Igreja Católica nunca ter beneficiado tanto do Orçamento do Estado, por via das transferências para os "avatar" IPSS e com delegações de competências que antes eram pelouro do Estado - do Estado Social, com outro qualquer Governo como beneficia com este?
«Novo patriarca quer Igreja que saiba acolher». E começou bem. Diria mesmo, nem podia ter começado melhor. Deu missa numa casa de Deus repleta de vassalos duques, condes, marqueses e barões, com lugar reservado nas filas da frente, aplaudidos de pé pelos cavaleiros, ao magote nas filas de trás. Desconhece-se se o suserano, via embaixada ou consulado alemão, enviou representante à cerimónia. O povo ficou na rua, a distância higiénica pelo cordão sanitário. Além de fazer muito barulho, dizer impropérios e cheirar mal do sovaco, a defenestração é doença perigosa.
Lembram-se da Brigada do Reumático, aplausos e vassalagem a Marcello Caetano no estertor da ditadura? Eu também me lembrei, hoje nos Jerónimos.
Isto podia ter sido dito ontem, na missa de corpo presente, ou pode ser dito amanhã ou depois de amanhã, quando o intervalo técnico que ocupa a cadeira da Presidência da República empossar o Governo do perdoa-me: