"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Luís Filipe Vieira dava bom professor dessa disciplina manhosa que a direita radical quer impingir aos putos nas escolas no lugar da educação para a cidadania, "literacia financeira" ou como meter o contribuinte a pagar dívida privada, a direita do economês que transitou dos blogues para o governo da troika a defender a redução do peso das ciências sociais nos currículos escolares.
Os meninos vestem de azul, as meninas de cor-de-rosa, os meninos têm pilinha, as meninas têm pipi. Abuso sexual, violação? Pôs-se a jeito. Doenças sexualmente transmissíveis? Galdérias, oferecidos. Gravidez na adolescência? A virgindade é para o casamento. A masturbação é pecado e provoca a cegueira. Sexo? Aprendemos uns com os outros e no Pornhub depois de chegar a casa, que na escola o telemóvel é proibido. Respeito pela diferença? São doentes, precisam de tratamento.
A verdade é que pessoas desconhecedoras dos seus direitos, não estimuladas a questionar, nunca habituadas a participar e intervir, não tolerantes com a diferença, não educadas para a cidadania, são pessoas mais propensas a aceitar o status quo, a calar e consentir, a mover-se em rebanho, a dispensarem-se de pensar, em última instância a votar em quem não quer a educação para a cidadania.
Um gajo que teve mais-valias em acções não cotadas em bolsa, se esquece do sítio onde guardou a escritura da casa e que, enquanto governante, criou um inner circle que vai desde banqueiros corruptos a suspeitos de assassinato, junta-se em abaixo assinado contra aulas de Educação para a Cidadania a um gajo que fundou empresa única e especificamente para sacar dinheiro dos fundos comunistários, não se lembra do ordenado que recebia nem que era obrigatório descontar para a segurança social. Pelo meio recebem a assinatura solidária de um gajo que não declara ao fisco o dinheiro entrado em caixa [esmolas e donativos] nem paga IMI dos prédios de que é proprietário. Estas coisas não se inventam.