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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ainda a remodelação

por josé simões, em 15.10.18

 

Joseph-Beuys-Portrait-of-the-artist-by-Robert-Lebeck-1978.jpg

 

 

Se a remodelação abafou o Orçamento do Estado e o Orçamento do Estado já tinha abafado a demissão do ministro e a se amanhã há mais e a generalidade dos analistas e comentadores é unânime na avaliação a Marta Temido como a tentativa de acalmar a contestação e encontrar soluções, a manutenção de Tiago Brandão Rodrigues na Educação significa que a confrontação com a Fenprof é para levar até ao dia das eleições quando, pela primeira vez, começa a ser visível a hostilidade dos transeuntes no passeio, manifestada verbalmente às manifs dos profs que passam na avenida e que começam a perder a opinião pública?

 

[Imagem "Joseph Beuys, Portrait of the artist" by Robert Lebeck 1978]

 

 

 

 

E isto vale exactamente o quê?

por josé simões, em 06.07.18

 

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"Quase 97% dos docentes não abdicam do tempo total de serviço, segundo o referendo da Fenprof". E vamos repetir com os bancários, com os empregados de mesa, com os estivadores, com os motoristas, com os canalizadores, com os desempregados, com os empurrados para fora do país, com os ______________ [preencher a gosto e consoante a necessidade], com todos os que viram a vida congelada durante o período da troika e que já não a recuperam nunca mais.

 

[Imagem]

 

 

 

 

Com as calças do meu pai também sou um homem, vox pop

por josé simões, em 12.06.18

 

 

 

Contratos de associação. Mais dois colégios privados encerram portas devido aos cortes do Estado

 

Com as calças do meu pai também sou um homem, que é como quem diz, com o dinheiro do Estado, para fazer o que o Estado já faz com o dinheiro dos impostos, mais barato, com mais qualidade, sem a trafulhice das notas marteladas para as médias e para os rankings, também sou um empresário, de sucesso, criador de emprego e riqueza e o coise.

 

 

 

 

Plasticina

por josé simões, em 05.06.18

 

plasticine model joana ullan vieira.jpg

 

 

Andámos anos a ouvir a direita no poder, e às vezes também o PS, a acusar a Fenprof, os sindicatos, os professores, o comissário Mário Nogueira, a mando da CGTP, a mando do PCP, de irresponsabilidade pela marcação de greves por alturas das provas de avaliação e exames. Hoje ouvimos todos a direita na oposição, pela boca de Assunção Cristas do CDS, no debate quinzenal no Parlamento acusar o ministro da Educação de irresponsabilidade por, com a sua intransigência em não ceder às reivindicações dos sindicatos, pôr em causa a avaliação dos alunos no final do ano lectivo. E isto é a chamada espinha dorsal de plasticina.

 

[Imagem]

 

 

 

 

O numerus clausus da esquerda de que a direita não se lembrou primeiro

por josé simões, em 23.05.18

 

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Isto do Interior e da desertificação do Interior e da discriminação positiva e blah blah blah é tudo muito bonito, sim senhor, e nem sequer vamos falar das medidas tomadas e das políticas implementadas em quase 50 anos de democracia por quem teve e tem e vai continuar a ter responsabilidades governativas e que levaram a que as pessoas fugissem a sete pés do interior do país para o litoral ou para a emigração - encerramento de escolas, tribunais, hospitais, postos de saúde, repartições públicas, postos dos correios, agências bancárias e o coise, e não se dando por contentes, os mesmos das tais políticas, cortam agora as vagas nas universidades e politécnicos do litoral para as abrir no tal dito interior, onde as vagas nunca são na totalidade preenchidas e onde cursos há que nem sequer chegam a abrir, para dificultar ainda mais o acesso das classes baixas e médias ao ensino superior, porque uma coisa é uma família de Setúbal ou de Sesimbra ou de Almada, por exemplo, ter um filho ou dois a estudar numa universidade ou politécnico no distrito, ou até mesmo em Lisboa, outra coisa completamente diferente é a mesma família ter a descendência a tirar o curso em Beja ou na Guarda ou em Portalegre ou na Covilhã, com a acção social miserável que temos e com o preço das rendas e alimentação e transportes, porque as propinas a roupa e as sebentas não entram agora aqui, e despesas com a saúde não há-de ser nada se Deus quiser.

 

Era só o que faltava um numerus clausus instituído por um Governo do Partido Socialista apoiado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda. A direita não faria melhor e Nuno Crato até se deve estar a roer de inveja por nunca se ter lembrado de tal coisa. O filho do doutor é doutor e o filho do pedreiro é pedreiro e vai mas é trabalhar malandro, manda qujem pode obedece quem deve. Tudo está bem quando acaba bem.

 

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Não há dinheiro para nada. Capítulo II

por josé simões, em 28.03.18

 

A líder do CDS-PP reafirmou o apoio do partido à manifestação dos colégios privados que se realizou esta tarde em Lisboa. Assunção Cristas defende que em alguns casos possa ser a escola pública a sacrificada, em vez de apenas os colégios privados.

 

 

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Não há dinheiro para nada, qual foi a parte que não perceberam?

 

[Imagem]

 

 

 

 

O busílis da questão

por josé simões, em 05.02.18

 

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Independentemente da importância e da relevância que se dá ou que se deixa de dar aos rankings das escolas; independentemente do contexto social e cultural onde cada escola se insere, independentemente dos alunos amestrados para o desempenho nos exames e da alegada manipulação de notas; independentemente da mistura sem critério entre escolas públicas e escolas privadas; independentemente do fosso entre escolas do litoral e escolas do interior; independentemente do sucesso no percurso pós-ensino nunca contabilizado e ordenado em ranking; independentemente disto tudo o que importa saber é o que é que o Estado fez ou deixou de fazer para combater a exclusão, a desigualdade, o estigma que esmaga as escolas do fundo da tabela e que faz com que por lá se mantenham, quando não se afundam ainda mais, ano após ano. Onde é que o Estado está a falhar?

 

[Imagem de Otto Stupakoff]

 

 

 

 

Manipulação Jornalística Desmascarada em Directo

por josé simões, em 02.06.17

 

 

 

Durante a última semana, o tema do financiamento público a colégios privados voltou aos jornais. Tal como aconteceu em 2016, os jornais pareceram fortemente parciais na forma como noticiaram o tema, dando amplo destaque à perspectiva dos privados e parecendo atirar para segundo plano a poupança conseguida pelo Estado - canalizada para reforçar a aposta na Escola Pública.

 

Nas notícias, pudemos ler títulos como "Colégios privados dizem que novos cortes trazem despedimentos", "Colégios privados criticam novo corte nos contratos de associação", "Novos cortes nos colégios afectam 268 turmas. 'Espantoso e absurdo'" ou "Cortes trazem despedimentos e mudam 6000 alunos de escola". Ou seja, a perspectiva negativa estava sempre presente, concentrando-se nos problemas que esta medida alegadamente causaria, e quase negligenciando os benefícios que ela implica.

 

[Continuar]

 

 

 

 

Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 29.01.17

 

 

 

E depois temos pessoas que, desde sempre, defenderam o desinvestimento na escola pública em favor do ensino privado, quer através do cheque-ensino, quer através do financiamento a colégios privados por via do Orçamento do Estado com verbas desviadas da escola pública, e que, durante os quatro anos do Governo da direita radical - PSD/ CDS, aplaudiram o radicalismo e a cegueira ideológica de Nuno Crato, hoje muuuuuito preocupadas por chover dentro de uma escola pública, a sofrer as consequências do deinvestimento de quatro anos que tanto aplaudiram.

 

[Imagem do filme de Jean-Luc Godard em 1964 "Band à Part"]

 

 

 

 

 

 

Crato contra Crato

por josé simões, em 19.12.16

 

 

 

Enquanto o Crato de 2016 elenca todos os progressos feitos nos últimos 20 anos, o Crato de 2011 acusa os seus antecessores de não perceberem a ponta de um corno.

 

 

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 06.12.16

 

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Quando era já dado adquirido que a exigência e o rigor de Nuno Crato tinham estado por detrás de "O Grande Salto Em Frente" na disciplina de Matemática entre os anos de 2011 e 2015 e que o laxismo dos "sabotadores contra-revolucionários, inimigos do Povo" a soldo da Fenprof tinha sido a causa da queda a pique a Ciências no mesmo período temporal, um trambolhão da 19.ª para a 32.ª posição, descobrimos que estávamos todos enganados e que afinal, também por mérito de Nuno Crato, "na ciência, os alunos portugueses tiveram desempenhos acima de países como Noruega, EUA, Austria, França, Suécia, Espanha, Rep Checa, Itália", explicou o Álvaro, doutor, e ficamos todos mais descansados.


[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Uma faca de dois legumes

por josé simões, em 29.11.16

 

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A exigência e o rigor de Nuno Crato estiveram por detrás de "O Grande Salto Em Frente" na disciplina de Matemática entre os anos de 2011 e 2015 mas a exigência e o rigor de Nuno Crato não tiveram a mesma sorte na disciplina de Ciências no mesmo período temporal quiçá por causa do laxismo dos "sabotadores contra-revolucionários, inimigos do Povo" a soldo da Fenprof. A argumentação da direita radical é uma faca de dois legumes, para não dizer ridícula.


[Imagem]

 

 

 

 

Mais circo

por josé simões, em 14.09.16

 

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Depois do circo "Abertura do Ano Judicial" vem a a parolice da propaganda mais básica que dá pelo nome de "assinalar a abertura do ano escolar", todos os anos, desde que me lembro, com o primeiro-ministro e o ministro da Educação numa escola qualquer, com uma trupe de emplastros atrás, este ano com um Governo de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, a fazer exactamente o mesmo número de agit-prop dos governos da direita e dos governos da marcha do balão do "arco da governação" em anos passados, sem perceber que as pessoas querem é os problemas do dia-a-dia resolvidos e não arraiais montados para as televisões, sem perceber que as pessoas sabem perfeitamente se a escola abriu a tempo e horas e com os profs todos, faça o Governo a propaganda que fizer, faça a oposição o barulho que fizer, façam as televisões o que muito bem entenderem fazer consoante a agenda de quem lhes paga.


Podia também o Governo, de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, assinalar o início do campeonato nacional de futebol, com o secretário de Estado do Desporto num estádio qualquer da primeira divisão, o início da faina da sardinha, com o ministro do Mar a bordo de uma traineira, ou o início da campanha do trigo, com o ministro da Agricultura em cima duma ceifeira-debulhadora numa herdade qualquer no Alentejo, para ficarmos todos de barriguinha cheia que circo é espectáculo a que o comum dos cidadãos só acede por alturas do Natal, ou então podia o Governo, de esquerda, suportado no Parlamento pela esquerda, toda, pura e simplesmente acabar com isto e optar pela sobriedade e pela governação e pouparem-se ambos, primeiro-ministro e ministro da Educação, a espectáculos tristes. Podia mas não era a mesma coisa.


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Viva o Estado de direito, viva! Pim!

por josé simões, em 02.08.16

 

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Vira o disco e toca o mesmo

por josé simões, em 20.07.16

 

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Com os livros aprende-se muito e não por acaso o 'bücherverbrennung' - a queima dos livros, nas praças das principais cidades alemãs depois da chegada dos nazis ao poder, no culminar de um percurso que passou pelas purgas na classe dos professores, dos professores universitários, dos juízes, dos intelectuais, da administração do Estado, tudo no cumprimento meticuloso das exigências legais, assente num sistema jurídico elaborado por um pequeno grupo, subserviente e inepto, mas suficientemente capaz para elaborar um código legal que suportasse as acções do regime.


Não há livros para queimar, há internet para cortar e pessoas que ensinam a escrever livros, a ler livros, a interpretar livros para purgar, pessoas que zelam pelo Estado de direito para perseguir, e o resto é tudo déjà vu e déjà écrit, bastas vezes, mas ainda assim não tantas quantas as necessárias para que a história não se repita uma vez e outra e vez e sempre.


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