"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Os "Parabéns ao PCP" não implicam automaticamente os parabéns ao único partido que votou contra a medida, o PSD, o "pai da criança", o inventor da "fórmula mágica" para esconder no final do mês os cortes nos salários e pensões, que eram provisórios em Portugal e definitivos em Bruxelas, assim como definitivo em Portugal seria o fim do subsídio de férias e de Natal, por via dos sucessivos congelamentos salariais, até que o 13.º e o 14.º mês não fossem mais do que uma recordação contada pelos pais e pelos avós às gerações seguintes. Pode parecer que é a mesma coisa mas não é.
Parabéns ao PCP, o da boca cheia de "piquenas" [não é gralha] e "micro" empresas. Com a pressão que a medida coloca na tesouraria das empresas, em meses fixos do ano, o que vai acontecer é um a dois meses de salários em atraso, na maioria das vezes nunca recuperáveis. Então no pequeno comércio, cada vez mais pressionado por hipers, promoções, shoppings e black fridays, e dependente das vendas do dia-a-dia para cumprir obrigações salariais, obrigações com a Segurança Social e obrigações com a Autoridade Tributária, vulgo fisco, vai ser o descalabro total.