"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Depois da "Novilíngua", e já na era do economês, as secções partidárias dos departamentos de agit-prop instalados nos jornais ditos "de referência" criaram agora a "Novimatemática", expandindo o universo orwelliano para o infinito e mais além.
Como é que [menos] -1462 + [menos] -1334 é = a [mais] +128?
Estava eu muito longe de desconfiar que a simples partilha no Twitter de um link para um artigo de opinião de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias, o “conluio-policial mediático” e as suas consequências, ia receber um comentário do jornalista, não de um jornalista qualquer, um jornalista ex-director da TSF, ex director do Diário de Notícias, coluna regular no Jornal de Notícias e visita assídua na SIC Notícias - Paulo Baldaia, por via do seu heterónimo [ou será ele mesmo desinibido do “código deontológico”?] futeboleiro-regionaleiro – DragãoASul, [em print screen na imagem “por causa das moscas”] que, por sua vez, ia dar origem a uma chusma de likes e mentions [alguns já bloqueados] da horda de trogloditas trauliteiros, a salivarem nas redes de cada vez que um qualquer Pavlov açula a matilha acéfala do pontapé-na-bola, todos nascidos, Paulo Baldaia incluído, depois do senhor das bufas, avisado da visita da PJ, ter fugido com a menina do alterne para Vigo até a maré baixar, e por isso desconhecedores dos factos.
O dia em que o director de um jornal com 150 venerandos anos de existência gasta 5465 caracteres num editorial a comentar os comentários dos comentadores a uma sua entrevista ao Presidente da República na silly season onde as pessoas dantes iam para a praia por causa do sol na moleirinha como dizia o povo à época em que o Diário de Notícias foi fundado.
Escrevem hoje o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias em parangonas de primeira página, respectivamente, que "Seis pontes e cinco fins de semana alargados ameaçam produtividade" e que "Patrões queixam-se de perdas de produção. Feriados no próximo ano vão permitir cinco fins de semana alargados". Como não há almoços grátis o que nos privado equivale a que quem quiser fazer pontes ou fins-de-semana alargados tem de para esse efeito usar dias de férias e ainda assim negociado com a entidade patronal com bastante antecedência, vulgo no final do ano anterior que é quando são marcadas as férias do ano seguinte, e ainda assim dependendo do serviço e não podendo pôr em causa o normal funcionamento da empresa, o que quer dizer que mesmo que o trabalhador queira a tal da ponte há sempre um "mas" a considerar; que até empresas como a Autoeuropa e a Visteon Corporation , por exemplo, que não são propriamente mercearias de bairro, no princípio de cada ano fazem chegar às empresas fornecedoras e/ ou associadas e/ ou que trabalham em função de, um calendário onde constam todas as férias, paragens, pontes e fins-de-semana prolongados programados, por forma a não haver a tal da quebra de produção e a ameaça à produtividade com que o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias fazem as grandes parangonas, ou isto é jornalismo de encomenda para patrões do princípio do séc. XX que no séc. XXI cheios de cagança ostentam "empresário" antes do nome, ou isto é jornalismo ideologicamente capturado pela direita radical dos baixos salários e da precariedade como modelo, ou isto é só mau jornalismo, ou isto é todas as três hipóteses numa mistura de merda, literalmente.
Se fosse um qualquer ministro era "a promiscuidade entre o jornalismo e o poder político", como é o presidente do Sporting a passar spin, antigamente conhecido como agit-prop, com o nome de "coluna de opinião", duas páginas de jornal, do jornal até há meses entidade patronal de Nuno Saraiva, actual responsável pela comunicação do clube, e a usar léxico, construção gramatical e semântica até hoje desconhecidas no discurso facebookiano e demais flash interviews trauliteiras de Bruno de Carvalho nos finais dos jogos e entrevistas mal-amanhadas em telejornais – uma revelação que surpreendeu até os mais desligados destas coisas do pontapé-na-bola, está tudo bem e não vem daí grande mal, nem ao mundo nem ao jornalismo, não necessariamente por esta ordem.
Passados 12 – doze – 12 dias sobre "O governo tem o dever de cumprir a legislatura que roubou" o ainda director do Diário de Notícias viu-se na obrigação de vir esclarecer via Twitter que o Governo não "roubou" mas antes "derrubou", um erro de fonética, a gravação, sonotone e o coise. Segue-se uma troca de comentários na timeline e um final feliz que confirma o "big audio dinamite" do DN [print screen na imagem]: o assessor de Pedro Passos Coelho também ouviu Pedro Passos Coelho dizer roubou e não estranhou que Pedro Passos Coelho tivesse dito roubou. Se isto não é qualquer coisa de maravilhoso…
A passagem de Paulo Portas pela Assenbleia da República resumida numa imagem na primeira página do Diário de Notícias: ele dizia umas coisas e a gente ria-se muito.
Eu sempre estive em todo o lado, e os meus pais comigo, porque sempre tive "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E a minha filha também sempre esteve em todo o lado comigo, a começar logo aos 6 anos nas manifs por Timor, porque também sempre teve "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E uns anos mais tarde o meu filho, nas descidas da Avenida no dia 25 de Abril ou, ainda em carrinho de bebé, na primeira gay pride que houve em Lisboa, quando só quem ia eram os paneleiros e as fufas, a maioria de cara tapada, porque também sempre teve "idade suficiente para começar a compreender o que estava em causa". E a "idade para suficiente para compreender o que está em causa" é como a idade suficiente para começar a andar ou a falar. É a diferença entre a cultura política de esquerda e a cultura política de direita. Depois admiram-se.
Eu sou pela liberdade de expressão, mas... Eu sou pela liberdade de manifestação, mas... Eu sou pela liberdade de reunião, mas...
Eu sou pela liberdade de associação, mas... Eu sou pelos direitos humanos, mas... Eu até sofro pelos que sofrem por causa dos actos irresponsáveis e irreflectidos dos outros.
«O jornal americano The Washington Post fala nos 150 milhões de dólares do escândalo da FIFA que levaram, ontem, à demissão de Sepp Blatter. Mas fala também num número mais modesto e que é o que aqui me traz. Entretanto, deixem-me lembrar algumas balizas, para ajuizarmos: mortos nas obras dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008: seis; no Mundial de Futebol da África do Sul, 2010: dois; nos JO de Londres, 2012: um; no Mundial do Brasil, 2014: dez. Assim, desde 2008, nos dois maiores acontecimentos desportivos, Mundial de Futebol e JO, em países tão diversos - e da Ásia, África, Europa e América -, a diferença vai de um a dez mortos. Um morto é sempre uma tragédia, nunca é uma estatística, disse um dos maiores assassinos da história, José Estaline. Mas em obras tão grandes e longas a diferença tão curta, de um morto (Londres) a dez (Brasil), é quase irrelevante e pode ser explicada por acidentes. Quer dizer, consequência do acaso. Portanto, não previsível por quem decidiu a escolha daqueles lugares... Acabo, agora, as balizas para ajuizarmos o que se segue. Passo ao tal número do The Washington Post. Mais modesto e bem mais tremendo. Mortos nas obras, desde que o Qatar foi escolhido, em 2010, para realizar o Mundial de 2022: 1200. Leram bem, mil e duzentos. E ainda faltam sete anos de obras, mas fiquemos pelos já mortos. 1200. Um número destes não é acidente. Não é imprevisível. E atacam Blatter pelo mero roubo de 150 milhões...»
Alguém devia aconselhar António Costa sobre o que deve ou não deve dizer em entrevistas ou em eventos com o microfone aberto para que um dia mais tarde não tenha de vir dar o dito por não dito num aqueles golpes de rins famosos nos políticos e que fazem os políticos famosos e que têm em Paulo Portas o expoente máximo, ou ter de recorrer ao chavão de que o relatório não é a Bíblia nem os economistas do relatório são os apóstolos e ter de explicar aos outros todos, os portugueses que trabalham, oficialmente, as 40 horas diárias no sector privado, com as extras não remuneradas nem descansadas compensatoriamente, que a reposição se enquadra no que está “previsto no relatório que nos foi apresentado pelos economistas”, ou pior ainda, começar já a ganhar anti-corpos ainda a campanha eleitoral não saiu do adro.
Não sei em que país é que André Macedo tem vivido nestes últimos anos do "ajustamento de sucesso" no país do "milagre económico" mas para mim, cidadão, contribuinte e eleitor – por esta ordem, o que menos me preocupa é o bico-papão PS e o mete-medo-ao-susto António Costa, como o senhor director os pinta, e sendo que "o Diabo não é tão feio quanto o Pintam", o que me preocupa é o estado em que o Pintam – Passos Coelho e Paulo Portas deixou o país, a famosa herança para as gerações futuras, traduzida na desvalorização do trabalho, no empobrecimento da classe média, na transferência de recursos do trabalho para o capital, no aumento das desigualdades , na passagem do desemprego de factor conjuntural para factor estrutural da economia, no desmantelamento do Estado social e na criação de um Estado paralelo nas IPSS, derivados e ilhas adjacentes e pago pelo Orçamento do Estado, no desinvestimento na educação e na saúde e na destruição da escola pública e do Serviço Nacional de Saúde, na emigração com números dos anos 60 do século passado e um grande et caetera que fez com que daqui para a frente Passos Coelho e Paulo Portas fiquem até ao fim dos tempos conhecidos como “Pedro e Paulo Quanto É Que A Vossa Aventura E Cegueira Ideológica Custou A Portugal E Aos Portugueses?”, mas quanto a isso André Macedo diz nada que a prioridade é largar spin e descredibilizar qualquer proposta que dê a entender que existe um caminho alternativo porque tarda nada estão aí as eleições à porta .
Como é que é escolhido o director do Diário de Notícias, é por um-dó-li-ta, por moeda ou ar ou pelo primeiro que o patrão vê ao entrar na redacção?