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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Carnaval sucks!

por josé simões, em 08.03.11

 

 

 

 

 

Paulo Portas na televisão, de matrafona Marina, decorado com um painel de emplastros com expressões misto de compenetrado e aterrorizado, a anunciar pela undécima vez este ano, e ainda só vamos em Março, o aumento da criminalidade violenta, por antecipação a Kadhafo ou Gandalf ou as 112 - curioso o número – maneiras de pronunciar o nome do fantasma. Buuuuuh! (o susto). Carnaval sucks!

 

 

 

 

 

 

 

Mundos paralelos

por josé simões, em 25.09.08

 

Com o boom da industrialização no Distrito de Setúbal, assistiu-se a uma afluência em massa de populações para as zonas do Barreiro, Baixa da Banheira, Alhos Vedros e algumas franjas da Moita. Originárias do Alentejo (a grande maioria) e dos PALOPs (uma minoria), e ainda outra minoria que foram os retornados das ex-colónias. O boom da industrialização originou o boom da construção habitacional e o caos urbanístico.

 

As populações alentejanas alugavam ou compravam casa.

A grande maioria das casas (andares) próprias, em prédios de arquitectura típica dos anos 60 (3 andares esquerdo / direito mais rés-do-chão), é propriedade de trabalhadores duma mesma empresa. O factor identidades fez-se pela origem (Alentejo), e pelo trabalho (Quimigal, Fisipe, CP, etc.). Para se ter uma noção da importância demográfica que tinham as populações originárias do Alentejo, a piada em voga era dizer que a capital do Alentejo era a Baixa da Banheira.

 

As populações africanas construíram bairros de lata que posteriormente, com as politicas de habitação social, deram origem aos guetos de que o Vale da Amoreira é o exemplo mais mediático.

 

Os “alentejanos” tinham empregos qualitativamente melhores que os “pretos”, confinados a trabalhos de construção civil e de limpeza e/ ou recolha de lixo.

As duas populações, salvo raras excepções, viveram sempre lado-a-lado mas nunca se misturaram. Houve sempre um racismo recíproco latente. Uma única realidade comum às duas: desenraizamento.

 

Nos anos 80, com o encerramento de algumas fábricas, privatização de outras, e o boom dos empreiteiros prestadores de serviços veio o desemprego e a miséria no Distrito.

Desemprego e falta de emprego. Abandono escolar. Falta de equipamentos.

 

A descendência alentejana descambou para o consumo de drogas e a pequena delinquência: pequeno tráfico para pagar o vicio, pequenos furtos, prostituição feminina (nas ruas à volta do antigo Hospital do Barreiro). Ainda assim uma minoria.

 

A descendência africana deu origem aos gangs, carjaking, criminalidade violenta. A grande maioria.

 

Mas isto não pode ser dito porque é racismo e xenofobia.

 

(Foto roubada no La Repubblica)

 

 

 

Palhaçada

por josé simões, em 03.09.08

 

Pagamos duas vezes.

Quando usamos os serviços de uma empresa privada e, por essa via, contribuímos para os seus lucros; pagamos via impostos sobre os nossos rendimentos… para garantir a segurança da empresa privada.

A minha humilde sugestão a tão genial Governo: um polícia – pago por nós – à porta de cada banco; por causa dos assaltos. Um polícia – pago por nós – à porta de cada farmácia; por causa dos assaltos. E uma vez que ontem assaltaram um hotel na Caparica, um polícia – pago por nós – à porta de cada unidade hoteleira.

Palhaçada!

 

(Foto roubada no Chicago Tribune)

 

 

 

 

 

O faroeste ao contrário (segunda parte)

por josé simões, em 29.08.08

 

Já era esperado.

Primeiro foi no assalto / sequestro ao BES. Escreveram-se coisas que, se eu fosse facilmente impressionável, tinha desatado a chorar que nem uma Madalena arrependida por alma do bandido-sequestrador e com um ódio de morte ao facínora do sniper.

 

Agora é a alteração à Lei das Armas.

E, como diz “o outrovalha-me Deus! o Procurador-geral da República é demagogo e irresponsável por «denunciar o “hiper garantismo” dos arguidos», porque, «afinal de contas indivíduos que o Sr. PGR não pode, ou não devia ignorar, serem cidadãos na posse plena dos seus direitos, liberdades e garantias».

 

Então e «os direitos, liberdades e garantias das vitimas», que é o que para aqui conta?

 

É ou não é o faroeste ao contrário?

 

 

 

Só cá faltava este!

por josé simões, em 27.08.08

 

Chega o Presidente e diz uma série de banalidades e lugares-comuns:

 

- "uma coisa muito séria" a "onda de assaltos e crimes violentos"

- "uma concentração de meios e esforços e uma estratégia adequada"

- "A onda de assaltos e crimes violentos é uma coisa muito séria"

- "a onda de crimes aumentou significativamente"

- não há dias sem assaltos" (esta última então, muito “profunda”)

 

Coisa que qualquer anónimo desdentado, daqueles que são entrevistados a rua, diz.

 

E depois vem toda a gente à direita, com os blogues da praxe à cabeça, com um ar muito sisudo e muito compenetrados na dissecação da profundidade das palavras do Presidente. Que o Presidente apertou com o Governo, e que o ministro Rui Pereira tem as orelhas a arder, e que o Sócrates mais não sei quantos e que rebéubéu a "cooperação estratégica".

 

Querem saber que mais? Continuem mas é na praia, de preferência em Boliqueime junto do patriarca, que ao menos tem o espaço aéreo interdito e não têm que gramar com o ruído das avionetas e mais a publicidade!

 

(Nunca mais acaba o verão...)

 

 

 

Criminalidade violenta: um herói do nosso tempo

por josé simões, em 26.08.08

 

Ontem à noite a RTP1 repôs o Harry Callahan aka Harry Sem Escrúpulos; no original Dirty Harry. Um sacana dum filha da puta dum reaccionário – dizem “eles” -  que faz os snipers do GOE parecerem uns meninos de coro.

 

Pelos tempos que correm é demasiada coincidência para ser uma coincidência. O que “os” deve ter deixado profundamente irritados. O que é bom.

 

Podiam era ter começado a campanha com uma coisa mais sfot. Assim um Charles Bronson na pele de Vince Majestyk; por exemplo. Para não “os” despertar bruscamente do idílio The Bridges of Madison County.

 

Afinal ninguém gosta de ser acordado “à bruta”…

 

(Imagem roubada aqui)

 

 

 

O país Correio da Manhã

por josé simões, em 23.08.08

 

 

     

 

Se há coisa que nunca percebi, foi a razão para que em todos os cafés e restaurantes haja sempre um Correio da Manhã em cima do balcão, gentilmente dispensado pela gerência, para usufruto e consulta pelos clientes.

Oh sôr fulano, tem aí o Correio da Manhã?” perguntava ao balcão a meu lado, um cliente do café onde costumo ir de manhã. “Levou uma senhora lá para fora esplanada…” respondeu o empregado. “Oh que chatice!” pensava eu para com os meus botões. Como é que há alguém que consegue ler um jornal que, há excepção de algumas poucas colunas de opinião, tem no mínimo 20 páginas com crimes, assaltos e assassinatos? As outras são com futebol e mais um suplemento com anúncios de “convívio”; leia-se prostitutas.

 

Chego agora à conclusão que eu é que andava ao contrário do resto da maralha.

De repente vejo o país transformado num enorme Correio da Manhã. A página um fica ali na A2; a página 2 fica em Loures. E por aí fora.

 

O papel de director está entregue a um senhor de nome Rui Pereira. Compila as notícias e manda publicar.

 

 

 

A brincar com coisas sérias

por josé simões, em 21.08.08

 

É o modo como o cidadão comum que não se enreda nos enredos do Direito vê o filme. E até dou de barato que esteja a escrever a maior das barbaridades.

Mas acontecem coisas nos tribunais; há com certeza razões que a razão do povo ignorante onde me incluo desconhece para, e por exemplo, o Vale e Azevedo que deu a banhada a uns milhões, mas de modo simpático, com um sorriso nos lábios e cheio de boas maneiras e vestindo um bom fato mais uma belíssima gravata pendurada no pescoço, tenha estado uma eternidade preso a aguardar julgamento e depois foi julgado e foi outra vez preso e quando ia a sair da prisão foi outra vez dentro assim que pisou o degrau da porta da rua, com direito a transmissão televisiva e tudo. Uma novela!

 

E dois “marmelos”, violentos como o caraças, e que só não mataram ninguém porque Deus não quis, como se costuma dizer nestas ocasiões, e que só ainda não foram mortos por um sniper da polícia, também porque Deus não quis, quiçá para poupar a tinta das canetas e o teclado dos computadores daqueles que passam a vida a malhar nos facínoras da polícia, são libertados com Termo de Identidade e Residência.

 

Como aqui escreve o camarada Dâmaso andam a brincar com coisas sérias.

Mas isto sou eu – que não percebo nada de direitos e justiças – a falar.

 

(Foto do mestre Jean Dieuzaide)