"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Uma manif de palermas inventada pelas televisões, com directos intermináveis, dois jornalistas por manifestante, drones com câmaras de filmar, cavalgada pela direita populista do CDS antes que os fascistas do PNR, ou outros dissidentes do sentido de Estado PSD/ CDS, que perderam definitivamente a vergonha, se cheguem à frente e ocupem o lugar, é "o povo na rua farto do socialismo", segundo a direita radical de plantão nas redes.
Uma avenida cheia de gente, desde o Marquês ao Rossio, enquadrados pela CGTP, com um caderno reivindicativo definido e propostas concretas, merece meio minuto no telejornal a seguir ao intervalo e é só funcionários públicos, manhosos, sem nada que fazer, dispensados pelas câmaras municipais e juntas de freguesia, que não perdem o dia de trabalho e só atrapalham a vida aqueles que querem fazer o país andar para a frente.
A comunicação social anda a brincar com coisas sérias, um dia mais tarde também vai levar por tabela.
Alínea a) excepto no financiamento com dinheiros públicos aos colégios privados.
"É preciso aliviar o peso do Estado na saúde".
Alínea a) excepto quando a saúde é um negócio financiado pelo dinheiro do contribuinte em PPP's
Alínea b) excepto quando a maleita é de tal forma grave e à qual só o Serviço Nacional de Saúde consegue responder.
"É preciso aliviar o peso do Estado na comunicação social". Adenda: só uma comunicação social livre das amarras do poder político é verdadeiramente independente.
Alínea a) excepto quando está em risco a qualidade da democracia, pela emergência dos populismos e pela crescente debilidade dos órgãos de comunicação social - jornais, rádios, televisões, propriedade de grandes grupos privados, os tais da gestão de excelência,, com agendas definidas, feitos por estagiários mal pagos e com vínculo laboral precário. Aí "o Estado não tem a obrigação de intervir nos media?"
Ou como os jornais todos [o Avante! e o Acção Socialista não contam para o baralho], as rádios todas e as as televisões todas, em blocos noticiosos cirurgicamente preparados, seguidos de espaços de opinião e de cometário, opinados e comentados por opinadores e comentadores avençados e cirurgicamente escolhidos, não impedem que o objecto do comentário e da análise dispare nas sondagens. Não, "uma mentira repetida mil vezes não se torna verdade" e os jornais cada vez vendem menos, e o pagode do online tem o AdBlock activo , e o people das televisões está nas séries do cabo e no Netflix e no Youtube e ninguém liga a ponta de um corno ao que um painel, cirurgicamente escolhido, no blogue da direita radical, para analisar a entrevista na televisão pública ao primeiro-ministro da 'Geringonça' diz. RIP.
Lições de Democracia de um regime totalitário, lições de liberdade de imprensa de um regime de imprensa de pensamento único, lições de Estado de Direito de um regime onde não há separação de poderes – executivo, judicial, e quarto poder. Escusavam[os] ouvir esta.
Depois de ter ilibado o ministro Miguel Relvas no affair Público/ jornalista Maria José Oliveira, por se ter "esquecido" de incluir a expressão "houve uma pressão inaceitável" na deliberação final do regulador a que preside:
Depois do "Cavaco Silva é nosso amigo" no Expresso e no Público durante o fim-de-semana, o "Passos Coelho é humano" no Correio da Manhã de segunda-feira.
Conjugação do verbo Spin: Eu spino, Tu spinas, Ele…
Não há oposição em Portugal e em cada jornalista de cada redacção há um Mário Crespo escondido que [se] alimenta [d]a secreta esperança de um dia ir trabalhar para Washington.
Seguindo o raciocínio (?) do camarada Francisco Mota, se o PCP, que já fala em triplicado, quadruplicado, quintuplicado (por interpostas pessoas, Verdes, CGTP, MDM, CPPC, comissões de utentes disto & daquilo, ufff…) tivesse (ainda) mais destaque na comunicação social, eram maiorias absolutas atrás de maiorias absolutas.
A fronteira entre informação, propaganda e lavagem cerebral é muito difusa na Soeiro Pereira Gomes. Ou nem por isso.