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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A festa da democracia (II)

por josé simões, em 05.07.07

Há muitos, mas mesmo muitos anos, que não participo em acções de protesto, manifestações, comícios, ou outras intervenções similares; a última de que me recordo foi a propósito de Timor. Agora que por eufemismo se denominam “Festas da Democracia” estou a ponderar participar numas quantas. É só uma questão de oportunidade até José Sócrates passar por Setúbal. Não que pense que isso leve a algum lado ou vá resolver alguma coisa. Não. Mas com a secreta esperança que o Comissário Político do PS em Setúbal, perdão, o Governador Civil de Setúbal siga o exemplo do seu congénere de Braga e mande instaurar processos aos manifestantes, perdão, aos foliões da “Festa”.

Carregar no curriculum, via cadastro, detenções e possíveis condenações por acções de protesto contra a deriva autoritária de um Governo, suportado por um partido que se reclama do socialismo, é honroso; quase como que uma medalha de mérito. De fazer inveja a muito bom militante da União dos Resistentes Antifascistas Portugueses, (URAP).

 

Adenda: 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais! (a plenos pulmões).

 

O país dos Comissários Políticos (II)

por josé simões, em 02.07.07

«É demagogia comparar os casos do professor e do médico»

É a frase chave do editorial de hoje do Diário de Notícias, e desenvolve-se assim:

 

«Imaginem-se os dois casos numa empresa privada. Ou num quartel. Ou numa estrutura sindical. Ou num clube de futebol. Todas as pessoas com responsabilidades dirigentes sabem que dos encontros dos seus trabalhadores nem sempre saem incólumes, mas isso não interfere na liderança nem nas condições de trabalho. Mas se um deles permitir que um empregado afixe numa janela da rua uma tarja contra o patrão é óbvio que ambos ficam sem condições para continuar nos cargos.

Foi isso que aconteceu.»

 

Não! Não foi isso que aconteceu. Porque quer o professor Fernando Charrua no caso da DREN, quer Maria Celeste Cardoso no caso SAP de Vieira do Minho, estamos a falar de funcionários públicos. Não estamos a falar de funcionários do Governo e ainda muito menos de funcionários do PS. Os funcionários em questão não são empregados dos respectivos ministros; são empregados do Estado, independentemente da cor partidária no momento ou do sistema político em vigor, por muito que isso possa custar a José Sócrates, a Maria de Lurdes Rodrigues, a Correia de Campos, ou a qualquer outro ministro. Os ministros e os Governos passam, o Estado e a sua estrutura mantêm-se, e, enquanto se alimentar esta promiscuidade e esta confusão deliberada, casos como estes vão tornar a acontecer. Os funcionários em causa não perturbaram o normal funcionamento do Estado ou da Administração Pública; limitaram-se a dizer / fazer umas graçolas sobre os ministros, num caso usando as palavras do próprio ministro! Demagogia é o que um jornal de referência como o Diário de Notícias faz hoje em editorial acerca do tema.

 

E nem de propósito o DN chamar para editorial as interferências na liderança e nas condições de trabalho. Veja-se outro caso surgido e ignorado (deliberadamente?) pelo DN. Agora é na Sub-Região de Saúde de Castelo Branco, onde uma norma assinada pela coordenadora Ana Maria Correia impõe a abertura pela chefia de toda a correspondência dirigida aos funcionários. Como classifica o DN esta norma? Insere-se nas boas normas de trabalho e nas condições para uma boa liderança? Chame-lhe o DN o que lhe quiser chamar. Isto é violação de privacidade e intimidação pura e simples.

 

Já várias vezes aqui foi chamado à atenção que, casos como estes, só deixaram de existir quando houver uma Administração Pública profissional e profissionalizada. Quando os cargos de chefia forem ocupados pelos mais capazes e pelos mais competentes. Enquanto servirem para alimentar e recompensar as clientelas políticas nada feito. Quem foi que uma vez falou em “Jobs For The Boys”?

 

O país dos Comissários Políticos

por josé simões, em 29.06.07

«Atenção! Você está num SAP! Fuja! Faça como o ministro da Saúde deste pobre país e corra para a Urgência de Braga»

O cartaz.

 

 

«As críticas [de perseguição política] são completamente infundadas. Não há nenhuma matéria dessa ordem no despacho de exoneração», afirmou Correia de Campos, alegando que a ex-directora «teve todos os prazos para recorrer da decisão e não o fez» (Sol on-line).

No mesmo em dia em que a directora foi exonerada, o Governo nomeou para o mesmo cargo, Ricardo Armada, vereador do PS na Câmara de Ponte da Barca.

As palavras que deram origem ao cartaz:

Vou directo à urgência do hospital ou a uma urgência qualificada como tal. Nunca vou a SAP, nem nunca irei!(...) Porque não têm condições de qualidade. Têm um médico e um enfermeiro e conferem uma falsa sensação de segurança. Nenhum deles devia funcionar assim!»

Correia de Campos em entrevista ao Jornal de Notícias 06 de Agosto de 2006.