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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Claustrofobias

por josé simões, em 18.07.07

Balsemão oportunamente tinha feito eco das apreensões. O ministro Santos Silva, na assistência, não gostou, discursou a seguir, e à falta de melhor argumento, acusou Balsemão de falta de educação. Ontem a história repetiu-se. Palavras de Viviane Reding , comissária europeia da Informação e Meios de Comunicação, ontem no CCB, com o ministro Santos Silva e Francisco Balsemão na assistência:

 

“Não quero intervir na política nacional, mas nunca interfiram no conteúdo editorial ou códigos de conduta do jornalismo. Jamais. Esta não é uma questão da Comissão Europeia ou do Parlamento.”

 

“Numa reunião recente com directores dos media, um deles disse-me que é preciso uma Carta da Liberdade de Imprensa. Respondi-lhe: Façam-na! Não é a Comissão Europeia ou um Governo que a deve fazer.

 

“A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem interferir na regulação. E esta é uma regra sine qua non .”

 

“Mais do que nunca, os jornalistas são necessários. Há demasiada informação, em demasiadas plataformas. O cidadão precisa da credibilidade de uma marca e de um jornalista que escolha por si qual o conteúdo mais fidedigno.”

(O negrito é meu).

 

O ministro discursou a seguir e não consta que tenha acusado a senhora Reding de falta de educação. Sempre tivemos este mau hábito , que é o de só emendar a mão quando vem alguém de fora e nos chama à atenção para alguma coisa que vai mal. O reverso é: vamos fazer assim porque é norma lá fora – nas “democracias avançadas”, como agora se usa dizer.

O debate sobre a claustrofobia segue dentre de momentos.

Os financiadores do estudo e a “claustrofobia”

por josé simões, em 18.06.07

Onde se transcreve excerto da entrevista de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, concedida ao Público / Rádio Renascença, que mui bem ilustra o sentimento de claustrofobia referido pelo deputado Paulo Rangel no discurso comemorativo do 25 de Abril, proferido no Ano da Graça de 2007. Fica o blogue a aguardar futura entrevista em que o tema seja, o sentimento de claustrofobia, quando o poder político fica refém das decisões do poder económico. Não é o caso nem o momento. Mas acontece. E com mais frequência do que possa parecer.

(O negrito nas respostas é da responsabilidade do escriba-copista.)

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?

- Não. A Associação comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início (ver edição de ontem do Público). Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários – e não só, outras pessoas também – têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.

 

Que consequências?

- Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega (da direcção da ACP) Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.

 

E o senhor assina por baixo?

- Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.

 

Mas isso é um mito ou uma realidade?

- Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

Mas é um fenómeno que acontece só com este Governo ou que se tem passado com outros?

- Não é especificamente com este Governo. Mas já havia algum ruído de fundo relativamente a esta coisa. Se calhar é mais patente porque o país vive uma contradição maior, porque está em crise. Neste momento, sente-se mais, embora sempre se tenha sentido. E eu percebo que as empresas se queiram proteger, que um empresário diga: “Eu dou cinco mil contos para isso, mas não quero ter maçadas”. Desculpem a expressão, mas é um pouco essa. Mas que maçadas? Maçadas com o Governo, amanhã vou ter um problema qualquer, vou ser mal visto. É um pouco isso.

 

E acha que isso é um dos entraves ao desenvolvimento da economia portuguesa?

- Ai com certeza que é. Quanto mais informalidade tivermos, quanto menos transparente for a nossa economia, quanto menos transparente for quem são os donos das empresas, quem são os clientes, quem são as pessoas que fazem os estudos e para quem são… Acabamos por ter um poder-sombra, porque esse não é o poder em que nós votamos. Quando cada um de nós vota num partido, não vota nisso, num poder que não está devidamente estruturado e, em rigor, é antidemocrático. Mas, além disso, tem um efeito muito nefasto na economia portuguesa, na medida em que uns são afastados, que podiam ser os melhores para desempenhar uma tarefa. E acabamos por escolher os segundos, que são os piores. Nessa medida, é péssimo. È um péssimo sintoma.

 

Ainda o SISI

por josé simões, em 19.03.07

“Tenho a nítida sensação de que parece estar a ganhar aquela “Segurança” que tomou conta do destino de muitos países.”

“Aquela “Segurança” que contribuiu para o aumento, nesses países, da inobservância dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, aquela “Segurança” que parece ter uma tendência patológica para a fantasia e para a criação de pseudo factos para sustentar projectos de poder.”

 

Mário Ribeiro, dirigente sindical da Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal à revista Modus Operandi.