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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O pai da criança

por josé simões, em 09.10.19

 

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Ainda na noite do rescaldo eleitoral o fascista Ventura aparece nas televisões a celebrar o "país que pela primeira vez em 45 anos não teve medo de votar num partido verdadeiramente de direita". Quarenta e cinco anos. É fazer as contas, descontando os anos em que os deputados da União Nacional eram eleitos em votações marteladas, se calhar o fascista Ventura pecou por defeito nas contas, é a primeira vez que é eleito um.

 

No dia a seguir, quando se soube que "a ciganada toda", como diz o senhor do CDS, votou no Chega, para que o Ventura soubesse que os ciganos não têm medo dele, o cabeça de lista por Beja, com aspecto de cigano e nascido nos últimos 35 anos, aparece com a mesma cartilha dos "45 anos", o tempo que andam a tratar mal o interior do país e o Alentejo. Ele que nasceu sem candeeiro a petróleo, bilha da água e penico na mesa de cabeceira, a ir calçado para a escola, até à faculdade se preciso for, e sem os fundilhos remendados, sem pão com azeitonas na praça da jorna, e sem a carga da GNR a cavalo para reprimir reivindicações de quem queria 5 tostões por dia de ceifa ou de apanha da azeitona ao contrário dos 4 que o latifundiário se dispunha a pagar e, com um bocado de sorte, via pela primeira vez o mar quando fosse metido dentro de um barco para ir combater numa guerra colonial a milhares de quilómetros no outro lado do oceano, em África.

 

Mas isto é a conversa dos coitados que não têm capacidade de raciocínio para lá do resumo da jornada futeboleira nas páginas do Record ou da telenovela a seguir ao telejornal, antes da Casa dos Segredos.

 

Cinco anos antes do fascista Ventura se ter sentado no Parlamento pelo voto popular o mui liberal e culto e instruído secretário de Estado de Pedro Passos Coelho, tão instruído que só usava o Twitter em 'amaricano', tinha tuitado que vivíamos há 35 anos em hegemonia socialista, sem a coragem, ou a falta de vergonha, que o fascista Ventura teve em assumir a contagem integral do tempo, como Pacheco Pereira muito bem desmontou

 

Mas não é por aqui, que a relação entre fascismo e liberalismo é uma história de amor antiga, ainda mais antiga que os rapazes de Chicago a aplicarem no Chile de Pinochet a teoria económica que os rapazes de Passos Coelho pretendiam aplicar em Portugal, agora asilados no Iniciativa Liberal depois da vassourada de Rui Rio e do stand by a que Miguel Morgado se remeteu.

 

Passos Coelho um dos vencedores da noite eleitoral ao ter conseguido sentar dois deputados no Parlamento, André Ventura pelo Chega e João Cotrim de Figueiredo pelo Iniciativa Liberal, um "peru menor" que escapou aos jornalistas e comentadeiros com lugar cativo nas televisões.

 

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O day after

por josé simões, em 07.10.19

 

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Miguel Relvas, da velha liderança do ar pesado e bafiento, sai a terreiro logo no day after a pedir nova liderança e ar fresco para o partido. Podia ser um piada do Imprensa Falsa mas não é. Isto foi de manhã, que à hora do jantar, Miguel Morgado, do mesma agremiação de Miguel Relvas, do circo de sombras por detrás de Passos Coelho, apareceu na televisão do militante n.º 1 aka SIC Notícias a pedir ar fresco e nova liderança para o partido, que ele vai fazer a parte que lhe compete, não sabe nem deixa de saber se é candidato, vai apresentar uma moção e coise, ele que até já meteu mãos à obra e inventou o "cinco para as sete" que só não congrega a direita toda porque o André Ventura se recusou a participar e isso é lá com ele. Não foi ele, Miguel Morgado, quem espantou o fascista Ventura, foi o fascista Ventura que não quis nada com ele. Temos [têm] pena. O André Ventura, esse mesmo, que à noitinha no Prós e Contras na televisão pública teve exactamente o mesmo discurso que o senhor novel deputado eleito pelo Iniciativa Liberal, corrupção, compadrio, sector privado, blah-blah-blah, direito de escolher a escola, saúde privada para todos e que quando Mariana Mortágua falou em "fraude liberal", do Estado a pagar a privados, provocou a mesma reacção nos três, que o João Almeida do CDS também lá estava. E novidades?

 

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Não há nada para celebrar

por josé simões, em 07.10.19

 

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Quarenta e cinco anos depois um fascista torna a sentar-se em S. Bento. Não há nada para celebrar, lamento.

 

 

 

 

Eles andam aí...

por josé simões, em 21.04.19

 

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"A coligação liderada por André Ventura aparece com uma previsão de angariação para as eleições europeias de maio que supera a soma dos valores angariados por todos os outros partidos, totalizando 400 mil euros."

 

Basta com mais investimento na campanha do que o CDS

 

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O Steve Bannon wannabe

por josé simões, em 21.03.19

 

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Até onde vai a direita do Movimento? Até ao Chega de André Ventura ou não tem fronteiras?

 


Não colocamos fronteiras. Não somos um partido político. Temos gente do PSD, CDS, Aliança e Iniciativa Liberal. Quanto ao resto, soube há uns dias que André Ventura fez um vídeo a repudiar o Movimento 5.7, portanto, estamos resolvidos desse lado.

 

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"Frescura de pensamento"

por josé simões, em 09.10.18

 

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Há pouco mais de um ano, os apóstolos do Tea Party em terras lusas, inspirados no sucesso de personagens como Sarah Palin, Dick Armey, Michele Bachmann, Marco Rubio ou Ted Cruz, que potenciaram o aparecimento de Dondal Trump,   tentaram "tomar o pulso, testar num subúrbio para ver até onde se pode ir a nível nacional", não correu como pretendido e um dia havemos de saber se por cedo demais, se por terem mais olhos que barriga, se por os portugueses não irem em "frescuras de pensamento". Entretanto, e como o descalabro eleitoral foi de dimensão nacional, o testa de ferro primeiro-ministro no exílio deixou de se andar a passear pelos corredores do Parlamento de pin na lapela, foi à sua vida, mas deixou o partido e a bancada parlamentar armadilhada, com o ideólogo Miguel Morgado à frente de uma troupe de escudeiros, escondidos numa mentira, sem coragem de se apresentar a votos, a dizer aos portugueses ao que vêm e ao que se propõem. A coragem que o Trumpinho de algibeira ganhou depois da falta de apoio na convocatória de um congresso antecipado que depusesse Rui Rio. É cedo demais para Montenegro, é cedo demais para Morgado, é cedo demais para Duarte. Vamos ver quem vai lucrar com os tempos políticos, o do Ventura incluído.

 

"O advogado e vereador do PSD em Loures André Ventura vai renunciar ao mandato na câmara no dia 20 deste mês e, logo a seguir, avança para a criação de um novo partido político."

 

Nova força política defende regresso da prisão perpétua, castração química, proibição do casamento gay e redução de deputados para 100.

 

[Na imagem recorte de entrevista a Bolsonaro em 1999. Via]