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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A arte de com o acessório desviar as atenções do essencial

por josé simões, em 11.10.20

 

atlantico-che.jpg

 

 

E voltamos a uma "guerra" antiga que é gajos a quem nunca se ouviu uma palavra ou leu uma linha, uma só, de condenação às ditaduras militares sul-americanas, by appointment of USA, indignados quando alguém celebra Che, parido, criado e engordado pelas ditaduras que nunca condenaram.

 

[Na imagem, minha, a capa da defunta revista Atlântico]

 

 

 

 

|| Sem aditivos

por josé simões, em 05.02.12

 

 

 

Fumar mata

 

 

 

 

 

 

"El Che era un idiota político"

por josé simões, em 12.11.08

 

 

A pessoa que um dia me falou do Imperialismo engarrafado foi a mesma pessoa que uma vez me disse: “o Partido não é guevarista. Isso é uma palhaçada”. O que foi recentemente confirmado por Carlos Antunes e Isabel do Carmo na recente entrevista à Pública quando dizem estranhar os jovens na Festa do Avante! com t-shirts do Che porque o PCP sempre desdenhou o guerrilheiro.

 

Vem isto a propósito da obra Comediantes y Mártires do intelectual argentino Juan José Sebreli que analisa quatro destacadas personalidades do séc. XX que se converteram em mitos contemporâneos: Carlos Gardel, Evita Péron, Maradona e Ché Guevara.

 

Ché o “idiota político”, não devendo a classificação ser interpretada como um insulto mas como uma descrição objectiva de um determinado comportamento, uma alusão à imperícia política do guerrilheiro.

 

Juan José Sebreli corrobora assim a análise do PCP:

 

"Punto por punto, el guevarismo fue lo opuesto al pensamiento de Marx y del socialismo clásico: sustituía la autoemancipación por la vanguardia iluminada y el jefe carismático, la movilización de masas por el foco, la democracia social por la dictadura política, el partido por la guerrilla, la lucha de clases por la lucha entre naciones ricas y pobres, la clase trabajadora por el campesinado, las condiciones objetivas por el voluntarismo, el socialismo, sólo posible en las sociedades avanzadas, por el de los pueblos más pobres."

 

O livro onde também é abordada a fricção entre Fidel e Ché, e posterior aproveitamento político do mito por El Commandante, ganhou o I prémio de ensaio Debate Casa de América. Esperemos pela edição portuguesa.

 

 

Internacionalismo engarrafado

por josé simões, em 09.11.08

 

Por favor alguém que me diga que isto não é verdade.

Há bocado fui aos supermercado fazer umas compras de emergência e encontro estas simpáticas garrafas na prateleira.

O “camaradaJaime Serra (sim, esse mesmo), do alto da sua autoridade de resistente e de antifascista disse-me uma vez, era eu um puto de 13 ou 14 anos, que a Coca-Cola era o Imperialismo engarrafado. As voltas que o mundo dá!

 

Depois da Bella Ciao como banda sonora ao IKEA, o Internacionalismo engarrafado. Já faltou mais para haver um McEstaline ou um Lenine Fried Chicken.

 

 

T-shirts - “la esencia del Che” (Compal ligth)

por josé simões, em 03.09.08

 

Benicio del Toro em discurso directo com os leitores do espanhol El Mundo, a propósito da sua interpretação em “Che: o Argentino” de Steven Soderbergh:

 

"Por lo general creo que quien tiene una camiseta del Che entiende por lo menos la esencia del Che. A lo mejor no saben detalles, pero entienden que es una persona que no vendió sus principios, nunca los abandonó. Fue coherente. Creo que todos los que tienen esa camiseta entienden eso."

 

(Na integra aqui)

 

 

 

Che Guevara na Atlântico (Reloaded)

por josé simões, em 03.12.07

 

Quando aqui se escreveu isto, a propósito disto, a ideia era chegar até aqui:
 
“Era un secreto a voces en América Latina, pero ahora el máximo jefe represivo de la dictadura de Augusto Pinochet (1973 - 1990) ha venido a oficializarlo: la CIA estadounidense estuvo implicada en los emblemáticos asesinatos políticos de dos opositores a ese régimen de fuerza, los del ex ministro chileno de Relaciones Exteriores Orlando Letelier y ex jefe del Ejército Carlos Prats.”
(Continuação da notícia aqui)
 
Mas por maior que seja o sentimento de revolta por tudo o que aconteceu, com o alto patrocínio dos Estados Unidos, durante todos estes anos, o apego dos povos à liberdade – principalmente daqueles que já provaram o seu sabor – é grande; tão grande ao ponto de não permitir que coisas destas voltem a acontecer.
 
Em história as coisas não acontecem “porque sim”; tudo tem uma sequência; obedece a uma lógica de causa / efeito. Para os mais distraídos – o que não deve ser o caso do historiador –, as ditaduras militares já lá estavam antes dos Ches e dos Castros; uns não servem para desculpabilizar os outros, mas, por mais ensaios históricos que se escrevam, mais ou menos direccionados, e com exercícios básicos de manipulação de imagem à mistura, (qualquer puto do secundário faz bigodes e dentes podres em cartazes!), não há volta a dar-lhe.
 
Adenda: Ainda sobre o tema, e como complemento aos livros usados por Rui Ramos para a elaboração do artigo, ler também O Homem que Inventou Fidel – Castro, Cuba e Herbert L. Matthews do “The New York Times, de Anthony DePalma, Bizâncio 2006.
 
 

 

 

Che Guevara na Atlântico (IV)

por josé simões, em 11.10.07

 

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz disse na quarta-feira em Caracas que a decisão do Presidente venezuelano, Hugo Chávez, de criar um banco regional de empréstimos será benéfica para a América do Sul.
(…)
Stiglitz, que venceu o Prémio Nobel da Economia em 2001, criticou também os acordos comerciais dos Estados Unidos com a Colômbia e outros países.
«Isso está a minar a cooperação andina e faz parte da estratégia americana de dividir para conquistar, uma estratégia para tentar conseguir o máximo de lucros para as empresas americanas, deixando pouco para os países em desenvolvimento», disse.”
(Ler na íntegra aqui)
 
Os tempos mudaram, e, com eles mudaram os métodos. Deixou de ser ética e politicamente aceitável incentivar e suportar ditaduras militares como forma de tirar dividendos no plano económico, apesar da justificação ter sido sempre política: o mal menor na luta contra o comunismo. No entanto a ideia base objectiva mantém-se imutável. O capitalismo – aqui na acepção económica do termo – vestiu novas roupagens: liberalização dos mercados e competitividade. Qualquer semelhança com o que aqui foi escrito, e que potenciou o aparecimento de Ches e Castros é, obviamente pura coincidência…
 
Pois é caro Daniel, por muito que lhe custe admitir, eu é que tinha razão. Perder tempo a discutir bigodes… (Segue-se um palavrão terminado em ssseee).
 
(Foto via La Stampa)
 

Che Guevara na Atlântico (III)

por josé simões, em 10.10.07

 

O copianço é muito feio, e não é uma boca ao retardador para o blogue de Luís Filipe Menezes.
 
No dia 27 de Abril de 2007, publiquei um post onde se dava conta do modo em como o resistente Edmundo Pedro havia sido recebido na manifestação do 25 de Abril em Lisboa, pelos militantes da JCP. Daniel Oliveira passou por lá, pelo blogue, e deixou este comentário:
“de onde vem essa informação das vaias a Edmundo Pedro?”(Post e comentário aqui)
No dia 29 de Abril, o Arrastão publica este post.
 
No dia 9 de Outubro, e a propósito das picardias que andam por aí na web por causa da capa da revista Atlântico, publiquei este post, onde chamo a atenção para o que penso que realmente importa, e  que é isto. De certeza por coincidência, Daniel Oliveira que andava entretido e feliz da vida no nobre desígnio de comentar o bigode do Che, publica depois este post.
 
Ele há coisas fantásticas, não há?!
 
(Foto via El Mundo)

Che Guevara na Atlântico (II)

por josé simões, em 09.10.07

 

E continuam todos alegremente entretidos em animadas picardias, a desmontar a capa da Atlântico deste mês, como se o problema fosse a capa; numa geração habituada a desmontar, remixar e manipular tudo, principalmente imagens. O busílis é o conteúdo do artigo! (Ou a falta dele…). Adiante.

Che Guevara na Atlântico

por josé simões, em 03.10.07

 

Declaração de interesses: Este blogue não é Guevarista. Nem tão pouco Castrista, Bolivarista, Chavista ou outro qualquer “Ista” Latino-Americano, Anglo-Saxónico ou o diabo que o valha.
 
Li com interesse e agrado o artigo sobre Che Guevara que Rui Ramos assina na Atlântico deste mês. (Leiam que vale a pena).
 
Aparte pontuais discordâncias de análise do ponto de vista ideológico, nada a apontar no que respeita aos factos. Arrisco mesmo dizer que só por isso nem valia a pena ter escrito o artigo, porque não acrescenta nada de novo ao que já se sabe.
 
Retenho-me no entanto na introdução ao artigo, quando Rui Ramos escreve: “Há 40 anos, a 10 de Outubro de 1967, o mundo viu finalmente o seu cadáver, deitado numa maca, com os olhos entreabertos, vidrados. (…). Com ele, no sul da Bolívia, morria a grande ilusão castrista de revolucionar o continente a partir de uma ilha das Caraíbas protegida pelos soviéticos.”
 
Rui Ramos comete, a meu ver, um pecado capital (consciente ou inconscientemente, não sei): ao longo das quatro páginas que compõem o artigo, nem um só paragrafo para situar os leitores na América Latina das décadas de 50 / 60 do sec. XX, nem para enquadrar o fenómeno Che / Castro no labirinto de ditaduras militares que governavam o continente, do México até à Argentina, com o alto patrocínio dos Estados Unidos sob um álibi perfeito – a Guerra-fria e a luta contra o Comunismo.
Partindo da máxima “Fomismo (de fome) é Comunismo”, as sucessivas administrações Norte-Americanas meteram o pé na poça e fizeram asneira da grossa, ao incentivar e apoiar sem escrúpulos, todo o tipo de ditaduras sanguinárias e corruptas que durante meio século governaram (?) o continente. Se não tivessem como lema que, aqueles países exóticos, produtores de bananas, cheios de mulheres baratas e muita praia para passar as férias, – que, infelizmente era assim que os americanos viam Cuba –, eram o seu quintal da frente (ou das traseiras?), e tivessem deixado seguir normalmente o rumo das coisas, talvez neste momento – porque nestas matérias em história só se pode especular – não se assistisse à tomada de poder pela via eleitoral, de toda uma corja de potenciais candidatos a ditadores de inspiração Guevarista. A “febre” da revolução já lhes tinha passado. Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua são antes do mais a falência das políticas patrocinadas pelos Estados Unidos na região, e, a prova – ironia suprema – que Che e Fidel conseguiram o que sempre ambicionaram, e pela via das urnas (!), mesmo que depois de mortos.
 
“Esta é a história de um fracasso” – assim começou Guevara o seu relatório da expedição ao Congo, em 1965”, escreve Rui Ramos. Caro Rui Ramos, talvez tenha chegado a hora de reescrever o diário de Che, porque cada vez mais me parece ser esta “A história de um sucesso” para os semeadores da revolução, e que, por linhas tortas, se começou a escrever no dia em que os Estados Unidos decidiram patrocinar a primeira ditadura militar latino-americana.
 
(Fotos via El Mundo)