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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| 53 vezes mais

por josé simões, em 27.10.14

 

 

 

«As pessoas defendem que a diferença de salários entre CEO e trabalhadores não qualificados deveria significar que os primeiros ganhariam cinco vezes mais do que os segundos, mas a realidade a que se assiste nas grandes empresas é a de que, em média, os CEO ganham 53 vezes mais.


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Pedro Soares dos Santos ganhou 108 vezes mais do que a média dos restantes trabalhadores da Jerónimo Martins em 2013. Paulo Azevedo mais 92 vezes na Sonae. Estes foram os dois gestores em que a diferença foi maior, um facto explicado pelos seus grupos terem um peso muito significativo do comércio a retalho onde, em média, se praticam salários mais baixos.


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O prémio Nobel da Economia Paul Krugman, uma dos economistas que mais alertas faz em relação ao agravamento registado na desigualdade durante as últimas décadas, sugeriu uma explicação. Krugman, na sua coluna no The New York Times, refere o estudo publicado pela Harvard Business School e diz que a diferença entre a percepção e a realidade se deve ao facto de os mais ricos entre os ricos serem virtualmente "invisíveis" para o resto da população, uma vez que "estão totalmente afastados das vidas das pessoas comuns". "Nós até podemos ver, e sentirmo-nos incomodados com, jovens universitários a conduzirem carros de luxo. Mas não vemos gestores de fundos a irem do trabalho para as suas enormes mansões nos Hamptons de helicóptero", diz o economista. Krugman defende que é essa "invisibilidade" que evita que o protesto contra as desigualdades que diz serem crescentes seja maior.»