"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Para o ano comemoramos os 50 anos da primeira Constituição democrática, aprovada com os votos a favor do PCP, a "ditadura comunista" derrotada no 25 de Novembro de 1995, e com os votos contra do CDS, a "democracia" vitoriosa nesse mesmo mesmo dia. É isto, não é?
Depois da lei da serapilheira, pelo partido da taberna, coisa que estava no topo das preocupações dos portugueses, por iniciativa do partido do "doutor para aqui e doutor para acoli com cabelinho à foda-se", chega agora a debate outra coisa que apoquenta grandemente qualquer portuguez [não é gralha, é assim que eles escrevem] que se preze: os bandeirantes. A extrema-direita tuga ainda não chegou à fase do perigoso, está ainda na fase do patético.
O partido da taberna ganhou as autárquicas, o CDS ganhou as autárquicas, e o Ilusão Liberal ganhou as autárquicas, disse-o a Mariana "angolana", já a noite ia alta.
Na RTP tivemos o momento caricato da noite com João Almeida, um palerma que nasceu para a política ao andar a abanar o rabo atrás da Zezinha Nogueira Pinto com a cara cheia de furúnculos, o Taxa, apóstolo do taberneiro, desprovido de cérebro, que andava à nora no estúdio a declarar a vitória na Moita ia a contagem com meia hora, e que após a aparição do chefe começou a repetir o que tinha acabado de ouvir, e o ilusionista liberal MAL, aquele que depois de ver manifs pro Hamas em todos os panfletos inventados na net só já lhe falta responder aos mails do príncipe da Nigéria, a medirem pichas para verem quem era o maior partido autárquico e quem tinha ganho mais que o outro.
Ou nunca meteu os chispes em Paris e Londres ou o que ele quer é outra coisa completamente diferente e que não tem nada a ver com qualidade de vida. E é precisamente por aqui, por esta concessão de vida, de cidade e de urbanismo, que a gente vê, ou devia ver, o que vai dentro destas cabecinhas. Uma urbe para os tops e para os rankings, uma cidade a correr, com qualidade zero na vida concreta dos cidadãos que a habitam.
Mete dó ver a ginástica e o contorcionismo que diariamente é feito nas televisões pelos apaniguados do partido que não existe - CDS, em defesa do governo do avençado da Spinumviva.
Ontem, o dia em que se soube que há menos jovens no ensino superior, uma diminuição de 12% em relação ao ano de 2024, foi o dia em que batalhões de minions da direita situacionista, com os ilusionistas liberais à cabeça, caíram nas redes com o argumento "Para que é que serve um curso superior se tens mais empregabilidade, podes ganhar mais dinheiro com um profissional? Que há falta de tudo, carpinteiros, pedreiros, soldadores, electricistas, canalizadores, tudo o que seja profissão braçal. Se soubesse o que sei hoje [eles] não tinha ido para a faculdade [está bem abelha]", os mesmos que em 2014, num congresso da jota do falecido CDS, apresentaram uma moção que visava baixar a escolaridade obrigatória do 12.º para o 9.º ano, com o argumento do combate ao insucesso escolar, assinada por baixo por João Almeida, Miguel Morais Leitão, Adolfo Mesquita Nunes, Leonardo Mathias, entre outros saltitões da vida política nas televisões. 'Libertar Portugal, Conquistar o Futuro', Salazar sorriu de contentamento.
Há precisamente dois meses, não foi há tanto tempo quanto isso, o ministro sobrinho do ex ministro Álvaro Amaro, apareceu a dizer que a "Economia terá que se adaptar" porque o Governo fecha as portas ainda mais à imigração, apesar dos patrões reclamarem que fazem falta mais 100 mil imigrantes, além dos que já cá estão, para a coisa andar oleada sobre carris. Voltando ao princípio, tudo está bem quando acaba bem. Ou é preciso um desenho?
Nos idos do Governo da troika era o Estado na banca rota, a sujeição a uma intervenção externa, as agências de rating, o défice, a dívida pública, e o caralho, agora que o PS roubou a agenda à direita e deixou as contas certas, superavit, Portugal com classificação A nas agências de notação financeira, é só a raça deles, do PSD, do partido que não existe - CDS, dos ilusionistas liberais, e do oportunista partido da taberna. Pediram a direita no poder?
"A saúde está melhor que no tempo do PS", "a educação está melhor que no tempo do PS", "as urgências hospitalares estão melhores que no tempo do PS", "a segurança está melhor que no tempo do PS", "o combate aos incêndios está melhor que no tempo do PS", o que está pior que no tempo do PS é a nossa inteligência colectiva.
Desde 2019, se excluirmos a fase do pontapé-na-bola nas televisões, a insultar, ameaçar, perseguir toda a gente, que vão para a terra deles, que sejam confinados, que sejam castrados quimicamente, que tenham bens confiscados antes de julgamento, que sejam proibidos de aceder aos serviços sociais do Estado, nas televisões a chorar baba e ranho porque a todo o lado a que vá é insultado, ameaçado, perseguido, tipo uma nuvem sempre a chover por cima da cabeça como nos filmes de desenhos animados.
Nuno Melo, o corno.
Líder de um partido morto e enterrado por Rui Rio, ressuscitado com dois deputados por favor por Luís Montenegro que anda a dar facadas no matrimónio com Rui Rocha do Ilusão Liberal. Eu é que sou o homem lá da casa, o nosso casamento é que é o legítimo. "Lá em casa manda ela mas nela mando eu". #Cuckold.
Deportações de estrangeiros, indocumentados e sem autorização de residência, sempre as houve, todos os governos as fizeram, a novidade é serem publicitadas e celebradas, usadas como arma de propaganda em campanha eleitoral. Daqui para a frente vai ser sempre a descer, quando a direita alegadamente do "sentido de Estado" começa a dizer em público e em voz alta aquilo que só se atrevia a pensar baixinho e em privado.
- Luís Montenegro & Miguel Albuquerque, dois desgraçados que não têm onde cair mortos, dois medíocres que não sabem fazer mais nada que governar a vidinha à sombra da política;
- Rui Rio matou e enterrou o CDS, Luís Montenegro desenterrou o ressuscitou. E isto explica a ternura de dois matarruanos - Nuno Melo & Paulo Núncio, e de um pateta com gravatas de marca - João Almeida, para com o alegado primeiro-ministro.
Lembram-se de quando eles andavam pelos blogues a escrever que era necessária uma administração pública profissional, de carreira, independente de nomeações políticas, como acontece em Inglaterra? Foram depois cooptados para o governo da troika de Passos Coelho e Paulo Portas como "técnicos" e "especialistas", do quê, isso também não interessa nada, ganharam currículo, foram colocados em sectores chaves da administração pública. Regressaram outra vez com o governo do ex-líder da bancada parlamentar que suportava o governo que lhes deu currículo. A saga das nomeações contínuas, continua, até porque o PS colonizava, colonizou, coloniza o aparelho do Estado. Há sempre papalvos para engolir o que lhes metem à frente.
Luís Montenegro conhece a letra do Impressões Digitais dos GNR, "Sinto-me uma fotocópia prefiro o original, Edição revista e aumentada cordão umbilical"?
Primeiro acabar com a manifestação de interesse. As filas para a regularização deixaram de ser visíveis nas portas dos serviços de estrangeiros e lojas de cidadão, a tal "visibilidade" papagueada por Montenegro. Mas os migrantes continuam cá, agora clandestinos, "por no llevar papel", sem contrato de trabalho, tudo apalavrado com empreiteiros e patrões sem escrúpulos, sem casa, sem segurança social, abrangidos pelo contrato colectivo do medo, "correr es mi destino para burlar la ley". A seguir vedar o acesso aos cuidados de saúde gratuitos e universais, só deveres, trabalhar, muito, em empregos de merda que mais ninguém quer, mal pagos, nenhuns direitos a não ser o direito a passar mal. Estava escrito, as notícias eram curiosas, diria mesmo muito curiosas.