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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| No Futur! e o caralho (mais touche pas à la femme blanche…)

por josé simões, em 09.02.10

 

 

 

Fomos, muito antes da queda do Muro de Berlim, a primeira geração totalmente liberta de baias ideológicas e a quem os ícones nas bandeiras e as efígies dos queridos líderes nas lapelas dos casacos não diziam nada, melhor: absolutamente nada. E também os primeiros a piratear e a usar, em autênticas acções de guerrilha e sem pruridos de qualquer ordem, as imagens associadas às (já velhas) religiões do século XX. Como anos mais tarde as empresas de publicidade haviam de fazer, pervertendo os objectivos numa lógica comercial. E os objectivos eram o combate ao sistema político, mas acima de tudo moral e cultural, através de uma nova arma: a provocação elevada ao expoente máximo. E era por isso que na altura conseguíamos chatear de igual forma quer os herdeiros do regime anterior, “cristão novos” adaptados aos novos tempos e que haviam feito a transição para a Democracia mais as suas gravatas, quer uma Festa do Avante! inteirinha, cheia de boinas e barbudos e de “Abaixos!” e “Vivas!”.

 

Mas isso foi há já muuuuuito, nos idos de 1977/ 79, e entretanto muita água correu por debaixo das pontes então construídas e muita coisa mudou. O que não mudou foi o velho modus operandi da agit-prop leninista, em tresler, manipular e cozinhar os factos e as situações em beneficio de causa, e que tem Pacheco Pereira como mestre máximo na arte. A mesma agit-prop que transformou «uma camponesa valente assassinada pelo fascismo quando lutava pelo pão contra a fome» em personagem neo-realista, um ícone de enfeitar paredes de sindicatos e Centros de Trabalho. Os fins justificam os meios…

 

Embrulhar num vómito o GNR Carrajola, punks, skinheads (aqui demonstrando uma total ignorância sobre o que escreve), soqueiras e botas da tropa, mais o nazi-fascista Mário Machado e a as tatuagens, são medalhas atribuídas por quem tem um Lenine tatuado no cérebro, a toda uma geração que sem a orientação dos grandes líderes-educadores inventou o Rock Against Racism e as campanhas contra a fome em África e que sempre teve a noção (pirateando o Ilitch) de o que fazer. É que nós “crescemos” a ouvir dizer que uma pessoa pode deixar o comunismo, o comunismo deixar a pessoa é que é o Diabo...

 

By the way, é muito gauche-chic enfeitar o blogue com Zeca Afonso, mas, como diz “o outro”, dispenso lições, não de Democracia que a Democracia é uma disciplina numa aula que nunca acaba, mas de “Zeca Afonsismo”; eu que o conheci pessoalmente, de quem fui amigo apesar a diferença de idades, e de quem herdei um lema  para a vida. Mesmo com botas da tropa e tudo.

 

 

 

 

O regresso (II)

por josé simões, em 23.08.07
Quando fui de férias Catarina Eufémia, a camponesa de Baleizão que teve o azar de estar no sítio errado e na hora errada, era vermelha e ícone comunista – apesar de nunca o ter sido em vida –, símbolo da resistência e da luta dos camponeses alentejanos por melhores salários e melhores condições laborais.
Regresso passadas três semanas e descubro que Catarina Eufémia se travestiu de verde e viu o seu nome e a sua imagem pirateados por um grupelho de anarcas anti-globalização e pseudo-ecologistas, unidos na actuação e nas ideias (?) aos mesmos que causaram a célebre confusão do dia 25 de Abril no Chiado em Lisboa, como aqui havia sido dissecado. O que então aqui foi escrito assenta que nem uma luva aos vândalos do Allgarve.
Quando fui de férias Luís Filipe Menezes era candidato à liderança do PSD, e nessa condição, não podendo – nem devendo – desprezar todas as armas à sua disposição resolveu activar o seu blogue pessoal, há algum tempo em stand by.
Regresso passadas três semanas e constato que Luís Filipe Menezes foi caçado no copianço. (Nos meus tempos de escola primária não era nada que umas reguadas acompanhadas por umas orelhas de burro não resolvessem). Afinal parece que o blogue que é de Menezes é escrito por um assessor deMenezes, que, disse sem corar, não se poder misturar um blogue pessoal com um blogue dum candidato à liderança do PSD. Confusos?! Também eu, por duas ordens de razões:
. – Se é pessoal, porque é que é escrito por um assessor?
. – Como é que o Menezes candidato se dissocia de Menezes bloguista? Dupla personalidade que, e seguindo o raciocínio de Menezes, lhe permite uma condição de plagiador aos olhos da opinião pública na pele de um personagem – o bloguista, e já não é aceitável nem admissível noutra – o candidato?
Aparentemente parece que algumas coisas mudaram realmente nas três semanas de ausência. Aparentemente, porque as mudanças são na forma, o conteúdo, esse continua lá; todinho.