"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
"Responsabilidade política". A responsabilidade política foi sufragada nas urnas nas últimas autárquicas. E um sonso incompetente foi reeleito. Assim como a responsabilidade política do avençado da Spinumviva o havia sido nas legislativas. É assim que a cabeça deles funciona, é assim que os eleitores funcionam. Podemos lamentar a falta de cultura cívica e de exigência de responsabilidades em 50 anos de democracia. É o que é.
Luís Montenegro não tira a gravata preta do pescoço desde o dia em que foi beber imperiais com Marcelo no Algarve, com a imprensa devidamente avisada, estava metade do país a arder. Se calhar vale pelos mortos Serviço Nacional de Saúde, que "está melhor que no tempo do Costa".
Não querem aproveitamento político disto os gajos que se estão a aproveitar politicamente disto e que sem pudor se aproveitam politicamente de tudo desde que lhes dê jeito. Tempo houve em que um desonesto chamado Carlos Moedas pediu a demissão de Fernando Medina, presidente da câmara de Lisboa, por causa de uma lista com nomes ucranianos na embaixada russa. Alçado ao poder na Praça do Município tratou de promover o responsável pela elaboração e entrega da lista.
A direita é isto, quando confrontada com a sua incompetência esconde-se na religião. Passos Coelho tinha um crucifixo no bolso, Procissão Cristas rezava para chover, quatro milhões desviados da Carris para a Web Summit valem uma missa na igreja de S. Domingos.
Pantomineiros, vigaristas, mentirosos, trafulhas, desonestos. É uma história antiga esta, a da direita na missa.
Carlos Moedas esteve uma hora à espera da abertura dos telejornais para dizer que está muito consternado, que lamenta, que está em permanente contacto com o Presidente da República e com o primeiro-ministro, que coisas de descarrilamentos e acidentes na Carris são pelouros destes dois camaradas de partido, titulares de outros órgãos de soberania. Não disse nada Carlos Moedas assim como nada disse o vereador da mobilidade e transportes, se calhar não há. Marcelo, que uma vez chegou mais rápido que o INEM ao descarrilamento do 25 na Rua de São Domingos, desta ficou por casa, que encontros com Moedas só por acaso, em campanhas eleitorais, de visita a feiras do livro. Entretanto Moedas é convidado pelo primeiro-ministro para participar no Conselho de Ministros já agendado, que é coisa que está toda ligada, Conselho de Ministros - elevador da Glória - Carlos Moedas - eleições autárquicas. Começou ontem a campanha eleitoral em Lisboa. Caiu-lhe um descarrilamento no regaço, é o que há.
Desde este lugar sem história, Até um lugar na história, Vão apenas dois minutos, No elevador da glória
Quando familiares e vítimas estrangeiras do descarrilamento do elevador da Glória descobrirem a rapidez da justiça portuguesa, as poupanças com manutenções, o outsorcing, e outras maneiras de alguém ganhar ganhar dinheiro que é de toda a gente, vai ser um belo cartão de visita para Lisboa e para o país. Bem pode o xerife wannabe Moedas gritar por mais polícia na rua para desviar as atenções dos lisboetas, e desviar turistas de Lisboa. Espectacular passar férias numa cidade sem polícia onde o crime anda à solta na rua, é o "mayor" quem o diz a toda a hora.
Tony Carreira, Cristina Ferreira, meio Governo e Paulo Portas, na apresentação oficial da candidatura de Carlos Moedas. Conseguir juntar o pior da música, o pior da televisão, o pior da política. Chapéu!
Carlos Moedas na apresentação da recandidatura à presidência da câmara de Lisboa que agora é que é, vamos ter mais câmaras de vídeo vigilância e guardas nocturnos e tudo!
Marcelo, Presidente do Estado laico, na celebração dos 50 anos da diocese de Santarém, falou, falou, falou sobre a destruição das barracas pelo Ventura wannabe de Loures para não dizer absolutamente nada.
Jaime Nogueira Pinto, o advogado de Salazar n' Os Grandes Portugueses, no Público escreve umas merdas sobra "A nação portuguesa". "O estado novo combate o analfabetismo".
Carlos Moedas não pediu uma reunião com carácter de urgência ao ministro das Infraestruturas e Habitação devido à explosão de bairros de barracas na Grande Lisboa, um problema real e urgente a que o poder político tarda em dar resposta. Não. Carlos Moedas pediu uma reunião com carácter de urgência à nova ministra da Administração Interna devido à situação de insegurança e violência vividas na cidade, um problema que não existe, constantemente desmentido pelos relatórios e pela chefias das várias polícias. O título do post é roubado ao livro do outro porque a direita sempre foi excelente em manipular percepções para esconder a realidade fruto da sua incompetência.
No tempo das fotocópias circulava de mão em mão uma papeleta com um jacaré ao lado de um crocodilo e respectiva legenda "Sabes distinguir um jacaré de um crocodilo? O jacaré é aquele que está ao lado crocodilo". Aqui não há jacarés nem crocodilos, é mais lagartixa e lagarto sardão, e a legenda é "O que acha que os portugueses são todos estúpidos é aquele está ao lado do que acha que os portugueses são todos totós".
O sismo teve epicentro na Fonte da Telha, uma frente de mar/ praia partilhada entre os municípios de Almada e Sesimbra, mas quem apareceu nas televisões foi Carlos Moedas, de Lisboa, equipado de fluorescente para um cataclismo de proporções bíblicas, chateado com o Partido Socialista que lhe perguntou pela app, anunciada numa acção manhosa de propaganda num arremedo de terramoto em 2022, e que ninguém encontra, nem na Play Store nem em lado nenhum. Uma "politização da notícia" diz o homem que aproveita qualquer rodapé de notícia para vestir o colete da Protecção Civil sem qualquer contraditório ou espírito crítico. Telefona e lá estão as televisões de microfone estendido, as mesmas que andaram meses a fio com o taberneiro ao colo, curiosamente do mesmo partido do inefável Moedas. Como diria o fala-barato que tem cadeira em Belém, há aqui uma entorse informativa.