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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Alguma coisa está a mexer, alguma coisa está a mudar

por josé simões, em 18.04.14

 

 

 

Primeiro foi o encontro em defesa da Segurança Social pública promovido por 19 dos mais importantes sindicatos, dos têxteis aos professores, dos médicos aos estivadores, estruturas afectas à CGTP e à UGT a alguns independentes, à revelia das duas centrais sindicais que, formalmente convidadas a associarem-se ao encontro, nem se dignaram responder nem de esconder o incómodo que a iniciativa lhes causou.

 

Agora é um grupo de trabalhadores de call centers que se propões criar o Sindicato Nacional dos Call Centers, sem qualquer relação com as estruturas sindicais afectas à CGTP ou à UGT, com vista a enquadrar uma profissão precária, mal paga e exercida por 50 mil portugueses.

 

"As pessoas não vêem que o facto de pagarem uma quota lhes vá servir para alguma coisa", diz Pedro Fortunato. E podia ter acrescentado que as pessoas vêem a UGT, desde o dia da sua fundação, a assinar sucessivos pactos laborais, concertações sociais e contratos colectivos de trabalho sempre em favor da rigidez patronal e sem que notem melhorias no recibo do ordenado no final do mês nem das condições de trabalho nem nos direitos e garantias, antes pelo contrário; que as pessoas vêem a CGTP a marcar, por decisão da Soeiro Pereira Gomes, sucessivas jornadas de luta, manifs e greves com timings e objectivos inescrutáveis, às vezes pelos motivos mais estapafúrdios, como as famosas greves em solidariedade com a Reforma Agrária ou as greves contra as privatizações, por exemplo. As pessoas vêem a UGT, sem representatividade nem implantação no mundo laboral, encostada ao Governo seja ele qual for, assinar e decidir coisas que mexem com a sua via e a dos seus para pior; as pessoas vêem a CGTP como uma força representativa e reivindicativa mas com um léxico pejado de chavões e adjectivos decalcados do discurso do tempo da Revolução Indústrial do secretário-geral do PCP, seja ele qual for, permanentemente entrincheirada na barricada dos comunistas e intolerante para com as diferenças e surda a tudo o que fuja ao dogma. As pessoas estão fartas.

 

Alguma coisa está a mexer, alguma coisa está a mudar. Ainda há esperança para o sindicalismo em Portugal?

 

[Joe Hill na imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Objectivo de vida

por josé simões, em 12.08.12

 

 

 

Portugal sucks!

 

[Imagem]