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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Da qualidade da democracia

por josé simões, em 10.05.19

 

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Se as comissões parlamentares de inquérito em Portugal tivessem o mesmo peso institucional e o mesmo valor jurídico que as comissões de inquérito do Senado norte-americano os Berardos desta vida pensavam duas vezes antes de se deslocarem ao Parlamento para gozar com a cara de todos os portugueses que lhes garantem com esforço e sacrifício um nível de vida acima das suas possibilidades. [E não nos estamos propriamente a referir à foto que ilustra o texto].
 
 
 
 
 

Ainda sou do tempo de trabalharem dezenas de pessoas nas agências bancárias

por josé simões, em 09.05.19

 

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Ainda sou do tempo de trabalharem dezenas de pessoas nas agências bancárias espalhadas por todos os lugares do país e onde os funcionários conheciam os depositantes como o merceeiro de bairro conhece o cliente, de livro de cheques com o "canhoto" para acertar o saldo com a ficha de cliente arrumada por ordem alfabética nas gavetas fundas dos arquivos. Ia pela mão do meu pai e via muito maravilhado com olhos de puto todas estas operações e rituais e salamaleques. E os bancos tinham lucros. Grandes lucros.

 

Depois veio a modernização e éramos os melhores e os mais modernos do mundo em agências com balcões new age e chãos de mármore e tudo computorizado e falávamos muito nisso. E vinha o banqueiro de sorriso de orelha-a-orelha, ainda mais satisfeito que as reportagens dos jornalistas do economês nos telejornais, ainda mais satisfeitos que o banqueiro e com a modernidade da banca mais moderna do mundo, com empregados que escaparam à reforma antecipada e à rescisão amigável todos muito barbeados e equipados com fatos da Zara e da Massimo Dutti, todos muito satisfeitos e felizes por trabalharem na banca mais moderna do mundo e de fazerem sozinhos o que um exército de camisas Triple Marfel e calças terylene fazia antes deles. E os bancos continuaram a dar lucros. Grandes lucros. E quando não deram lucros, grandes lucros, estavam cá os contribuintes para assumir a culpa de viver acima das suas possibilidades.  

 

Bancos querem cobrar taxas pelo uso do multibanco

 

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Toda a gente sabe como começa

por josé simões, em 10.04.19

 

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Todas as privatizações de sectores estratégicos da economia começaram com uma abertura a "investidores" privados, a maioria do capital detido pelo Estado, e uma blindagem estatutária ou "golden share" a impedir o privado de ultrapassar 49% do capital da empresa ou da sociedade.

 

 

"Presidente do PSD admite que a Caixa Geral de Depósitos pode vir a ser alvo de privatização, mas mantendo a posição de maioria do Estado."

 

Rio defende que Estado mantenha maioria do capital, mas admite privados na CGD

 

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Novo Banco com prejuízo de 1.412 milhões de euros em 2018

por josé simões, em 01.03.19

 

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O Novo Banco vai pedir 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Do ponto de vista de quem passa 25 anos a trabalhar para pagar escrupulosamente o empréstimo que contraiu

por josé simões, em 03.02.19

 

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Independentemente da responsabilidade política e da responsabilidade dos políticos, nomeados administradores pelo cartão da universidade do partido, do ponto de vista de quem passa 25 anos a trabalhar para pagar escrupulosamente o empréstimo que contraiu e que de repente se encontra numa situação de desemprego, ou com salários em atraso, não interessa, numa situação de incumprimento, e vê o olho da rua como habitação e o banco a ficar-lhe com a casa, às vezes já paga, o resto eram os juros, dar de caras com Joe Berardo, um dos metralhas da Caixa Geral de Depósitos, na porta da Quinta da Bacalhoa a receber Manuel Luís Goucha com sorriso de orelha-a-orelha enquanto o contribuinte se desunha para injectar 13, 4 mil milhões de euros na banca.

 

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A "hipocrisia" do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda

por josé simões, em 26.01.19

 

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Sete - 7 - sete do PSD, quatro - 4 - quatro do PS, dois - 2 dois do CDS. O mui famoso e badalado "arco da governação", sem o qual Portugal ainda estava a sair do feudalismo. Acusa a direita radical o PCP e o BE de "hipocrisia" por quererem uma Comissão Parlamentar de Inquérito que não queriam à Caixa Geral de Depósitos.

 

[Na imagem manchete do Correio da manha em 26 de Janeiro de 2019]

 

 

 

 

Não há dinheiro para nada

por josé simões, em 24.01.19

 

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Não há dinheiro para nada, nem para a saúde, nem para a educação, e ainda há que aumentar a idade da reforma por causa da sustentabilidade da Segurança Social, a justificação medonha-terrífica, e por causa do aumento da esperança de vida, a desculpa quando querem gozar com o pagode.

 

Portugal injectou 13,4 mil milhões de euros na banca em 10 anos

 

 

 

 

"A herança que deixamos às gerações vindouras"

por josé simões, em 04.10.18

 

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Como eles gostavam de dizer, de dedo esticado em todas as direcções, acusando tudo e todos os que os tinham antecedido, "a herança que vamos deixar às gerações vindouras".

 

 

"Estado já gastou 55% dos fundos da banca para travar défice de 2011"

A medida que, em 2011, permitiu ao Governo cumprir as metas da troika para o défice, continua a pesar nas contas do Estado e custo pode superar as estimativas. Usando critérios mais actualizados, os bancos deveriam ter transferido pelo menos mais 1000 milhões para o Estado.

 


"ANA Aeroportos processada em Bruxelas por lucros excessivos"


Associações internacionais de aviação apresentam queixa na Direcção-Geral da Concorrência da União Europeia por causa do contrato de concessão a privados da ANA Aeroportos, confirmou o Expresso. As taxas são excessivas, dizem, responsabilizando o governo de Passos Coelho e a troika por "más decisões"

 

 

 

 

"Não é possível fazer tudo ao mesmo tempo"

por josé simões, em 04.07.18

 

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O Estado "gasta mais 768 milhões de euros com bancos falidos em 2017" mas, no Orçamento do Estado de 2018, o valor previsto para todos estes veículos financeiros "supera ligeiramente os mil milhões de euros, mais 32% ou 249 milhões de euros do que o executado em 2017". O "não há dinheiro para nada" de Pedro Passos coelho nos idos da troika deu lugar ao "não é possível fazer tudo ao mesmo tempo" de António Costa, respaldado na 'Geringonça', que "ao fazer obra no IP3, [está] a decidir não fazer evoluções nas carreiras ou vencimentos".

 

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O estado da nação

por josé simões, em 07.05.18

 

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Segundo trimestre de 2018 e, perante a indiferença geral, há anúncios nas televisões e rádios portuguesas com "um banco ao seu serviço".

 

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"O dinheiro dos pobres"

por josé simões, em 03.04.18

 

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Gozar com a inteligência alheia é argumentar que o dinheiro das Misericórdias empatado no Montepio é "dinheiro dos pobres", é "apanhar dinheiro dos pobres para pagara imparidades da banca". Uma família de pobres, de pobres mesmo pobres, a ganhar o salário médio nacional, sublinho médio, que tente meter o pai ou a mãe com uma pensão ou reforma mínima num asilo para velhos, perdão, num lar da terceira idade propriedade de uma Misericórdia, sem ter de dar como entrada uns milhares de euros, uma casa ou uma propriedade, e sem ficar a pagar uma mensalidade no valor de muitos salários mínimos nacionais. Nas Misericórdias administradas por militantes do PSD e do CDS, nas Misericórdias centro de emprego para militantes do PSD e do CDS. São estas as alturas perfeitas para o zapping, mudar de canal para uma série qualquer onde a ficção é mesmo ficção.

 

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E se fossem gozar com quem vos talhou as orelhas? Capítulo II

por josé simões, em 29.03.18

 

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A propósito do post "E se fossem gozar com quem vos talhou as orelhas?" diz-me o João Galamba no Twitter que "O retorno é sobre o investimento no banco que é do Estado, não nos bancos que não são". Pois bem, que seja. E então já que não há retorno do dinheiro do contribuinte, enterrado a fundo perdido num banco privado propriedade de um fundo abutre a quem o Estado pagou para ficar com o banco, porque é que não ficámos, nós, o Estado, o contribuinte, com ele como pretendiam Bloco de Esquerda e PCP?  Se era para ter prejuízo era preferível ficar com o banco do que pagar para o vender, certo? Ou nem por isso quando o medo e o respeitinho é muito bonito é condição para não invocar o interesse nacional e bater o pé a Bruxelas.

 

Se "O retorno é sobre o investimento no banco que é do Estado, não nos bancos que não são", ler a Caixa Geral de Depósitos, e uma vez que o dinheiro não se evapora de dentro dos cofres dos bancos, por que razão ou razões, o Estado, o dinheiro dos contribuintes, nós todos, os accionistas do banco do Estado, os tais que segundo o ministro Mário Centeno vão investir na mira do retorno, não podemos saber para onde é que foi o dinheiro que estava na Caixa e deixou de estar, para os bolsos de quem, e quem é que autorizou que o dinheiro passasse de um lado para o outro?

 

E se fossem gozar com quem vos talhou as orelhas?

 

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Não há dinheiro para nada. Capítulo III

por josé simões, em 28.03.18

 

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"Estava no início de férias e recebi um telefonema da ministra das Finanças a dizer: 'Assunção, por favor vai ao teu email e dá o OK, porque isto é muito urgente, o Banco de Portugal tomou esta decisão e temos de aprovar um decreto-lei'. (...) Como pode imaginar, de férias e à distância e sem conhecer os dossiês, a única coisa que podemos fazer é confiar e dizer: 'Sim senhora, somos solidários, isso é para fazer, damos o OK'. Mas não houve discussão nem pensámos em alternativas possíveis — isto é o melhor ou não —, houve confiança no Banco de Portugal, que tomou uma determinada decisão". Depois disso o Governador do Banco de Portugal foi reconduzido no cargo pelos partidos da direita radical [PSD/ CDS], os mesmos partidos que antes o haviam arrasado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES. E depois de depois disso, António Costa, o primeiro-ministro da 'Geringonça' jurava ao país que a "venda do Novo Banco não acarreta encargos para os contribuintes", como já antes havia jurado José Sócrates com o BPN. Como a venda, "instrumento geralmente de pano utilizado para tapar os olhos", foi usada com mestria, percebem agora os mais crédulos onde é que António Costa queria chegar.

 

O secretário de Estado adjunto e das Finanças, que diz não ter ainda conhecimento das contas finais de 2017 do novo Banco, admite que o Estado tenha que injectar mais dinheiro no Fundo de Resolução para que este possa recapitalizar o sucessor do BES

 

Não há dinheiro para nada, qual foi a parte que não perceberam?

 

Capítulo I

Capítulo II

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Não há dinheiro para nada

por josé simões, em 27.03.18

 

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Não há dinheiro para nada. Nem para a saúde, nem para a educação, nem para a cultura, nem para as polícias e o controlo de fronteiras, nem para pensões e reformas, nem sequer para pagar aviões-bombeiros no Verão e o pré aos militares que tomam conta dos paióis nos quartéis. Não há dinheiro para nada, qual foi a parte que não perceberam?

 

Ajudas à banca já custaram 17 mil milhões a contribuintes

 

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"Não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades"

por josé simões, em 26.03.18

 

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"Sem o efeito Caixa, o défice foi apenas de 0,9%, um valor que fica abaixo do previsto pelo Governo e supera já a meta traçada pelo Executivo para este ano."

 

Caixa faz défice de 2017 subir para 3%

 

"Não podemos continuar a viver acima das nossas possibilidades", Cavaco Silva em Maio de 2011, prontamente secundado pelo presidente do Lloyds Bank, Horta Osório, por Vítor Bento, conselheiro de Estado e o escolhido para presidir o BES, e por Pedro Passos Coelho no encerramento do XIV congresso regional do PSD-Madeira.

 

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