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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Para o Futuro

por josé simões, em 17.04.07

 

 Paul D. Wolfowitz, presidente do Banco Mundial, e um “cruzado” contra a corrupção nos países que recebem ajuda da instituição por si presidida, foi notícia na passada semana pelo aumento chorudo que concedeu à sua namorada.

Acontece que, as normas pelas quais a instituição se rege são muito claras e rígidas: não são permitidos relacionamentos entre funcionários. Assim, a senhora foi transferida do Banco para o Departamento de Estado; mas não foi só – levou o salário e o respectivo aumento, auferindo a módica quantia de 193 590 dólares por mês, mais sete mil dólares que Condoleezza Rice.

 

Esta história, poderia ficar só pelo escândalo das relações promíscuas não se desse o caso de Shaha Ali Riza – o nome da namorada de Paul D. Wolfowitz – se encontrar a trabalhar na Fundação para o Futuro, que tenta descortinar como será o futuro da humanidade. Aqui chegados, importa ter em atenção uma notícia saída no Público de hoje. Reza assim:

 

“Quase mil milhões de pessoas no mundo vivem com menos de 73 cêntimos por dia”.

 

“Continuam a existir disparidades substanciais entre as diferentes regiões do mundo e entre os pobres e os ricos de cada país, reconhecem os indicadores mundiais de desenvolvimento agora publicados pelo Banco Mundial (…) (sublinhados meus).

A pobreza extrema foi reduzida em 21 por cento a partir de 1990, mas isso não significa de modo algum que ainda não existam 985 milhões de pessoas (num total de 6500 milhões) a ter de procurar sobreviver com menos de um dólar diário (73 cêntimos). E não consegue esconder que, em 2004, ainda havia 2600 milhões de pessoas, quase metade da população dos países ditos em desenvolvimento, com um rendimento inferior a dois dólares diários (menos de um euro e meio).

O Banco Mundial declara existir um consenso sobre a necessidade de se reduzir a pobreza extrema, que é o maior risco para que as doenças se perpetuem e haja mortes prematuras.

 

Façamos um rewind no post. 193 590 dólares por mês? Fundação para o Futuro? 73 cêntimos por dia? Reduzir a pobreza extrema? Haja decoro!

 

Post-Sciptum: Paul D. Wolfowitz pediu desculpas, mas não se demitiu. George W. Bush que foi quem o nomeou, não encontra motivos para Wolfowitz se demitir.

A imprensa norte-americana de cada vez que refere o caso e os seus contornos é nos seguintes termos: o judeu conservador, com uma namorada muçulmana, filha de um líbio e de uma mulher sírio-saudita, cidadã britânica e criada na Tunísia e na Arábia Saudita; uff!...

Quaisquer semelhanças ou preconceitos que tenham a haver com racismo e xenofobia são, obviamente, pura coincidência!