"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Gajo que recusou reconhecer a derrota nas urnas e que patrocinou um motim com vista a impedir a tomada de posse do legitimo vencedor em eleições livre e democráticas, repete a conversa de gajo no poder há 26 anos, que alterou a constituição para por lá se manter até 2036, que é eleito por chapelada no país onde os opositores caem das varandas ou são assassinados, depois de prisão arbitrária ditada por tribunais subservientes ao poder político, sobre a ausência de legitimidade de um presidente de país em guerra, sob lei marcial, com milhões de deslocados - internos e externos, zonas desertificadas e outras em constante mutação fronteiriça. Que é um ditador que não vai a votos. Que não quer a paZ. Pela repetição da cassete, que ambos são leitores do órgão oficial do partido português que não é putinista [e agora nem trumpista] com saída periódica às quintas-feiras é a grande novidade nisto tudo.
EUA, NATO e União Europeia reúnem-se por estes dias em Bruxelas para avançar ainda mais no militarismo, prolongar o conflito na Ucrânia e reforçar as medidas coercivas contra a Rússia.
Porque é que é importante já estarem 28 mil bilhetes vendidos, de um pacote mínimo de 50 - cinquenta - 50 mil, para a corrida de Fórmula 1 no Autódromo Internacional do Algarve, sem pruridos de saúde pública em Rui Rio, no CDS e outros palermas avulso;
Porque é que a Festa do Avante! , num recinto onde cabem 100 mil, e num máximo de 33 mil proposto pela organização, só pode comportar 16.563 pessoas e a venda de bebidas alcoólicas vai ser proibida a partir das 20 horas, depois de semanas a fio de ruído em tudo o que é meio de comunicação?
Se calhar é melhor fazer a vontade a Marcelo e votar noutro partido que ressuscite uma DGS para meter os comunistas na ordem, pública. A bem da nação.
Dão-se alvíssaras a quem encontrar nas páginas do Avante! escritos críticos e assinalar de efemérides sobre o Pacto Molotov- Ribbentrop que dividiu a Polónia entre a Alemanha nazi a a Rússia dos Sovietes e a Lituânia, Letónia, Estónia, Finlândia e Roménia, em esferas de influência alemãs e soviéticas.
"No final de Setembro de 1938, Adolf Hitler, Neville Chamberlain, Édouard Daladier e Benito Mussolini (líderes da Alemanha, Reino Unido, França e Itália) assinaram o Acordo de Munique, que a História recorda como traição de Munique."
Uma ano depois a assinatura do "Tratado de Não Agressão entre a Alemanha e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas" foi, de certeza, para as fechar.
Estes milhares de fugidos da fome, da miséria e da morte na Venezuela a aguardar atribuição de nacionalidade em Portugal, são pessoas que não lêem o Avante! , caso contrario sabiam que está tudo bem, deixavam-se ficar quietinhos lá no seu sítio e não fugiam, para Portugal ou qualquer outro país, na Europa ou ali à volta do seu.
No intervalo entre saudações o PCP podia dedicar algum tempo num quadradinho de página no Avante! para nos explicar a diferença entre as chapeladas eleitorais de Nicolas Maduro do "socialismo bolivariano para o século XXI" e as de Salazar e Caetano no fascismo do Estado Novo, por exemplo. E também por exemplo a diferença entre a supressão de direitos, liberdades e garantias, a censura da imprensa, e encerramento de jornais, televisões e rádios, as "conversas em família" do líder revolucionário Maduro uma noite por semana na televisão, a perseguição à oposição e os presos políticos do "socialismo bolivariano para o século XXI", a tortura praticada pelas milícias, polícias e forças militares em total impunidade, o poder judicial submetido ao poder político, e a ditadura fascista do Estado Novo de Salazar e Caetano de que os comunistas e o PCP foram as principais vítimas.
Já não é o elogio, nem a apologia, nem a saudação, é uma notícia, em forma de notícia, atrás do "Breves", na secção "Internacional", logo a seguir à abertura, feita com um israelita bom.
Ver o Avante! , órgão oficial do Partido Comunista Português, a dar voz ao back in the USSR de Vladimir Putin e a passar a perna ao Partido Comunista da Federação Russa, partido irmão de Guennadi Ziuganov e herdeiro do PCUS, é algo absolutamente delicioso.
Há quem tenha chorado de alegria com as imagens da queda do Muro de Berlim na MTV.
E há quem chore baba e ranho com saudades das imagens do Muro de Berlim da miséria, da infelicidade, da dor e da morte alheia, ainda a preto-e-branco.
Quando vierem com a lengalenga da "política patriótica e de esquerda" a gente lembra-se da "reacção e da social-democracia" a celebrar «mais do que a queda do muro de Berlim» e, na hora de optar e fazer escolhas, as pessoas votam na "reacção" porque não querem para elas aquilo que não gostam de ver fazer aos outros.
Obrigado PCP, vanguarda da classe operária e sempre, sempre ao lado do povo.
«Perante a campanha anticomunista de intoxicação da opinião pública desencadeada a pretexto da passagem de 25 anos sobre a chamada «queda do muro de Berlim», o PCP considera necessário afirmar o seguinte [...]»
Para quem quiser, ainda que por breves instantes, regressar à realidade surrealista socialista do Portugal de 1974 continua a ler aqui. Para quem nasceu depois de 1974 e só pela boca de terceiros teve contacto com a realidade surrealista socialista do Portugal de 1974 continua a ler aqui.