O Insulto

(O que se segue só hoje está on-line, porque fiquei à espera da disponibilização do link no sítio do costume. Não aconteceu)
“Os irresponsáveis transferiram os empregos que a maioria de nós já não queria para outras partes do mundo, onde foi possível manter os baixos preços do que nos apetece comprar.”
O negrito é meu, as palavras são de Rui Ramos na sua crónica de ontem no Público, onde aborda a recente turbulência nos mercados financeiros e bolsistas e a suposta auto-correcção dos mercados.
Mais que uma despudorada manipulação da verdade, isto é o maior insulto que já me foi dado a ler, aos milhares de trabalhadores dos sectores têxtil, confecções, calçado, sector automóvel, cablagens, e um graaande etc. que nos últimos anos, quase diariamente aparecem nos telejornais e fazem as primeiras páginas da imprensa escrita a pedirem por tudo e por mais alguma coisa que a empresa fique. Que lhes continue a assegurar o miserável único meio de subsistência; onde por vezes (a maioria) uma família inteira depende do mesmo empregador.
Os irresponsáveis transferiram os empregos que a maioria de nós queria para outras partes do mundo, onde foi possível manter os baixos preços e aumentar as margens de lucro, porque, infelizmente, há quem tenha salários de miséria ainda mais miseráveis que os nossos.
Continua a ser o mercado a auto-corrigir-se, para o lado do bolso do accionista, mas ainda assim uma correcção; n’est pas monsieur Rui Ramos? Naomi Klein explica em No Logo, e duvido que não tenha lido.
(Fica mal a um historiador vestir a pele de Goebbels)