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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| “Não mais deveres sem direitos, Não mais direitos sem deveres”

por josé simões, em 18.05.11

 

 

 

 

Eu sei que nos tempos que correm não fica bem citar estrofes de A Internacional mas, o que frau Merkel quis dizer, foi que se vai proceder à uniformização fiscal na União Europeia, e que a carga horária laboral dos teutões deve ser igual à dos portugueses, e que os portugueses devem, a partir de ontem, ter o mesmo salário mínimo e médio que os teutões, e que os reformados, pensionistas, e desempregados portugueses devem receber o mesmo que recebem os reformados, pensionistas, e desempregados teutões, de forma a também eles poderem comprar uma casinha no litoral alentejano, ou nas serranias algarvias, ou um monte alentejano, daqueles abandonados desde os idos da reforma Agrária, de forma a gozarem o resto dos dias ao Sol. Ou à sombra, conforme preferirem.

 

 

 

 

 

 

 

|| Profissão: Reformado

por josé simões, em 08.07.10

 

 

 

Uma pessoa liga a televisão e vai por acaso bater a programas, género Opinião Pública na SIC N, onde o “estimado telespectador” liga para dizer de sua justiça, ou nem por isso, e depois vê no canto inferior direito do ecrã: fulano, 57 anos, reformado; beltrano, 60 anos reformado; sicrano, 59 anos, reformado; outro que tal, 62 anos, reformado. Mais de 80% das chamadas são de reformados – e daí não vem grande mal ao mundo, um reformado tem de se entreter com qualquer coisa – mas de reformados numa faixa etária entre os 57 – cinquenta e sete – 57 e os 62 – sessenta e dois – 62 anos.

 

Os mesmos que puseram esta gente, útil à sociedade, a trabalhar para Portugal Telecom e para as audiências das televisões, de forma a limpar as empresas para as privatizações, são os mesmos que agora falam em aumentar a idade da reforma porque o sistema como está é insustentável.

 

E o povo engole e continua agarrado ao telefone num exercício de masturbação colectiva a dizer de sua justiça, ou nem por isso.

 

(Imagem de autor desconhecido)