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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| His Master's Voice, ou Psittacidaes e Pit Bulls

por josé simões, em 06.02.10

 

 

 

"Liedson bate num director e vai à selecção?" como spin é bom, é mesmo muito bom.

Já sobre Deco que é apanhado com Pinto da Costa a preparar a melhor forma de chantagear a Federação e a Liga, assobia para o lado… Deve ser por causa do “Segredo de Justiça”… (Vocês sabem do que eu estou a falar).

 

 

 

|| Ora agora escutas tu, ora agora escuto eu

por josé simões, em 21.01.10

 

 

 

Agora é ficar à espera que os blogues habituais (não, não linko) da regionalite-futeboleira aguda e mais o “abaixo o centralismo!” e a “capital no Porto; já!” e que exigiram ouvir as escutas entre Armando Vara e José Sócrates apareçam “ai-ai-ai, ai-ai-ai que não pode ser” com esta fuga de informação e este atentado à privacidade alternadeira.

 

(Na imagem Switchboard Operators in 1930s or 1940s, British Mandate Palestine. Matson Photo Service)

 

Adenda: É quase impossível dissociar a colocação das escutas a Pinto da Costa no Youtube com as recentes declarações do presidente do FC Porto a exigir um “apito encarnado”. Talvez agora Pinto da Costa aprenda a moderar a incontinência verbal assim que dá fé da presença das câmaras de filmar e dos microfones por perto…

 

 

 

 

|| Desgaste do ‘Apito’

por josé simões, em 22.07.09

 

 

 

Até há pouco tempo era tabu. Um tabu do caralho; passe a ironia. Até que começaram a aparecer por aí uns anúncios na televisão, e lembro-me de que um até era com o Nicolau Breyner: "Sabia que mais de 500 mil homens portugueses têm problemas de disfunção eréctil?". Olha isto nos tempos do meu pai, em que homem que era homem nem despejar o lixo ao contentor ia! Parece que os estou a ver: “olh’ó gajo! Quem diria?! O Senhor Contente também é dos tais…” Disfunção eréctil mas é o caralho! Homem que é homem tem sempre força na verga, e mulher que não aguenta casamento por falta de pau, não é mulher é galdéria. Mas os tempos mudam, e pelo que me constava e via nos anúncios, o desgaste do Apito levava ao divórcio, nunca o contrário

 

(Na imagem Simone Silva with Robert Mitchum via Getty Images)

 

 

 

Vale tudo?

por josé simões, em 04.03.09

 

 

Na primeira página o Correio das Manhã apresenta uma foto montagem colocando Pinto da Costa a sorrir enquanto assiste à agressão de que foi ontem vitima Carolina Salgado à saída do Tribunal.

 

Isto é jornalismo? Depois quando "o outro" vem falar de "jornalismo rasca" fica todos ofendidos...

 

 

Razões de Estado

por josé simões, em 05.11.08

 

«A nossa Justiça tem de ser mais rápida. Precisará de relógio? Não, precisa de cronómetro! Um exemplo de ontem: foi adiado o julgamento em que Carolina Salgado é acusada do crime de "fogo posto" nos escritórios de Pinto da Costa e de Lourenço Pinto. A razão é de Estado: os queixosos não compareceram em tribunal "por causa do jogo" do FC Porto em Kiev.

 

No entanto, o voo que transportou a comitiva portista para a Ucrânia saiu com 30 minutos de atraso porque Pinto da Costa se esqueceu do passaporte em casa. É aqui que entra o cronómetro. Se a nossa Justiça fosse um bólide, o julgamento tinha-se realizado naquela meia hora de impasse e em pleno aeroporto. É que estavam lá todos. E sem nada que fazer.»

 

Leonor Pinhão no Correio da Manhã

 

 

(des)Norte

por josé simões, em 05.06.08

 

Apesar da aparente contradição quando se afirma que a penalização do FC Porto é prejudicial para o futebol português, para logo em seguida se afirmar que o Apito Dourado foi direccionado a uma única pessoaPinto da Costa – porque é o que falta abater no Norte; como se “O Norte” fosse outro país; como se já não bastasse haver uma região com estatuto de “Região-Independente-e-aparentemente-fora-da-Lei-da-República-e-que-dá-pelo-nome-de-Madeira” (e já agora, quem passou procuração ao presidente do FC Porto para falar em nome d’ “O Norte”?!?); apesar de tudo isto, ou por tudo isto, este caso é exemplar da mentalidade do legendário portuguesinho do Portugal dos Pequeninos.

 

Enquanto foi cá “entre a gente, entre a família”, tudo bem. Recorrer? Recorrer para quê, se eles falam, falam, falam, mas não dizem fazem nada?! O problema só surge quando “os vizinhos” começam a falar. Aí é que já não pode ser nada. Temos uma imagem a preservar. (“Nós”; Pinto da Costa; o FC Porto… ou “O Norte”?).

 

No fundo, no fundo, e por mais que custe a Pinto da Costa, ele é como o lisboeta quinhentista: deu três voltas ao mundo a bordo duma caravela, sabe Deus como, e a fazer sabe Deus o quê, mas na realidade nunca saiu de Xabregas.

 

(Foto de Ana Filipa Scarpa)

 

 

 

Pinto da Costa; versão Cecil B. DeMille

por josé simões, em 26.03.08

 

Moisés; o Profeta servo de Deus:
 
“Acredito, pelo menos, na justiça divina, e quando fui pronunciado, pedi a Deus que se prove a inocência de quem estiver a falar verdade”.
 
As Pragas do Egipto:
 
“A quem estiver a mentir a quem induziu os outros a mentir sobre a história do envelope, que lhe caiam em cima as maiores desgraças e que nunca mais durma com descanso (…). Não quero castigos, mas sim o tormento de não dormirem com a consciência de saberem que estão a fazer uma coisa que é falsa.”
(Link)
 
Também se pode olhar para a coisa pelo prisma étnico; são os ciganos quem costuma rogar pragas. Mas, e até ver, o único cigano da tribo é o Quaresma; e anda arredado destas lides…
 
 

A Voz do Povo - # 5; ou: As coisas que uma pessoa ouve no autocarro

por josé simões, em 05.03.08

 

(Atenção à especificidade de ser passado em Setúbal)
 
17. 45 horas; carreira n.º 1; Mercado – Terroa; com uma banda sonora insuportável de Kuduro manhoso, saída do telemóvel dum bazoofe:
 
- Vás vêrre qu’esta histórria do Apite Dórrade vai dárre em nada…
- Éh…
- Tamêm, se dárre e arrecebêrre perrendas fosse querime, do Natal érrames todes perrêses!
 
 

O julgamento de A Senhora Dona Carolina

por josé simões, em 27.06.07

À medida que o Apito Dourado vai ganhando contornos mais ou menos precisos, vai ficando também clara uma das vertentes da defesa de Pinto da Costa. Prontamente correspondida no terreno, nas palavras e pela pena, dos indefectíveis do presidente do FC Porto. (Sim, porque muito do (in) sucesso deste processo joga-se fora dos tribunais; as constantes fugas de informação e a contra-informação estão aí para o provar). A estratégia passa claramente por denegrir a imagem na opinião pública e aos olhos da justiça da ex-primeira-dama do Dragão, recorrendo para o seu passado – mais ou menos duvidoso, mais ou menos desaconselhável –, de alternadeira. O ridículo da coisa, é que entre os mais assanhados e raivosos, encontram-se precisamente aqueles que iam ao beija-mão, e brindavam de copo erguido nas festas do jet-set, à então companheira de Pinto da Costa, e há época, A Senhora Dona Carolina Salgado. Aqueles que estavam sempre ali à mão, disponíveis para aparecer nas fotografias da praxe, nas revistas da especialidade – mais ou menos cor-de-rosa – e que tinham em cima da secretária ou da cómoda no quarto, a foto de Carolina a beijar a mão ao Papao verdadeiro – em posição beata e de cabeça coberta, ao lado de Pinto da Costa. Perguntavam então: “Quem são aqueles dois que estão ao lado de Carolina Salgado?”

 

Não foi ainda Carolina Salgado que fez o papel do Brutus de Pinto da Costa. Mas já esteve mais longe de aparecer um candidato a encarnar a personagem. É uma questão de tempo.

 

Tanto jornalista bom, e no desemprego...

por josé simões, em 23.06.07

Venho no carro a ouvir a TSF. Cai o noticiário das 20; a páginas tantas: “Foi pela terceira vez indiciado e pela terceira vez reclamou inocência!”, seguem-se as declarações da praxe. Referiam-se a Pinto da Costa e ao Apito Dourado. Desculpe lá ó senhor jornalista (?), mas pagam-lhe para dizer isto?! O que é que estava há espera? Que o homem há terceira vez de ser indiciado se reclamasse culpado de todos os males do futebol português?! Tenham dó!

(Terminava a notícia (?) com Pinto da Costa a dizer que acreditava na justiça dos Tribunais e na justiça Divina. Não fosse ele conhecido como “O Papa”…)

 

Declarações bombistas e declarações bombásticas

por josé simões, em 19.06.07

 Confesso que esperei até hoje para escrever sobre o tema. Esperei para ler a crónica de Miguel Sousa Tavares n’A Bola. E também confesso que até nem me surpreendi com o resultado da espera. Miguel Sousa Tavares aborda o tema, mas ignora o assunto. Refiro-me à entrevista dada ontem por Pinto da Costa ao Público. O presidente do FC Porto que, desde que os apitos ganharam cor perdeu o mítico sentido de humor, diz a páginas tantas na entrevista: “Há uma perseguição ao FC Porto e ao Norte em geral.” Pinto da Costa que ao longo dos anos nos foi habituando, que quando abre a boca não dá ponto sem nó, faz uma acusação gravíssima para passar em claro. E Miguel Sousa Tavares não deu por nada. Ou leu e fingiu que não leu o que tinha lido… Tão lesto e perspicaz de raciocínio em assuntos que vão desde os aeroportos ao sistema de ensino em Portugal, pela melhor altura do ano para plantar batatas, passando pelos atentados ao património ambiental, e qual o melhor anzol para a pesca ao achigã; com honras de página inteira no Expresso, qual candidato à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa; nem um paragrafo! Nem uma linhazinha…

Vivemos num Estado de Direito, e sugerir que a justiça persegue alguém só por ser o presidente que ousou transformar um clube de “aldeia”, numa potência do futebol nacional e internacional, é grave. Sugerir que a justiça persegue alguém só por ser natural de determinada região do país, não é grave, é gravíssimo. Sermos um país civilizado, é o que vai valendo. Noutras zonas do globo, com acções terroristas deste teor – é assim que devem ser classificadas as declarações de Pinto da Costa –, as coisas descambavam para outro nível de violência. O leitor que faça um exercício de memória sobre o que foi inventar guerras entre regiões; nem é preciso sair da Europa. Estas declarações sim, à atenção de Maria José Morgado. Espero não terem passado “despercebidas” como passaram a Sousa Tavares.

  Não consigo entender a indignação da “nação benfiquista” com as recentes declarações de Joe Berardo. Está bem que o homem sentado em cima dos seus milhões de euros é um desbocado. Mas com uma só frase pôs o dedo na ferida que consome o Benfica de há muitos anos a esta parte. O Benfica vive agarrado ao passado e às velhas glórias. E passados de grandeza histórica não ganham batalhas, para o caso, campeonatos. Se assim fosse Portugal era uma das nações mais poderosas do planeta. Tem razão Berardo. “Rui Costa devia seguir o exemplo de Vítor Baía.” Ficava-lhe bem, ficava bem ao Benfica, e era bom para os que estão e para os que hão-de vir.

Anotem

por josé simões, em 20.03.07

 Escreve hoje, Miguel Sousa Tavares, na sua habitual crónica das terças-feiras em A Bola:

 

“Anotem: foi o segundo jogo do título disputado no Dragão este ano. Não houve quaisquer declarações provocatórias ou incendiárias dos dirigentes, técnicos ou jogadores do FC Porto, antes ou depois do jogo; não houve quaisquer incidentes causados pelos adeptos portistas com os jogadores ou adeptos adversários, e os dirigentes destes assistiram ao jogo no camarote da Direcção, em paz e tranquilidade; nenhum jogador adversário saiu do campo com uma perna partida ou lesionado devido a uma entrada de um portista; e, no final, com razões ou não para tal, não houve queixas de arbitragem nem falta de fair play, tanto na vitória como na derrota. Anotem e façam igual.”

 

Caro Miguel,

Anotei. Fazer melhor infelizmente não está nas minhas mãos, uma vez que a única ligação que tenho ao “mundo do futebol” é na qualidade de sócio – com as quotas em dia – do Vitória FC de Setúbal que, como é sabido, é um clube de gente de paz e, até ingénua. Tão ingénua que quando perde – recorrendo ao léxico de Sousa Cintra – a sua “massa associativa” descarrega a ira nos jogadores do seu próprio clube e na sua direcção.

 

Não foi o único a reparar não terem havido “quaisquer declarações provocatórias ou incendiárias dos dirigentes, técnicos ou jogadores do FC Porto”, também eu havia dado por isso. A questão que se coloca é se o facto do Apito Dourado ter sido desenterrado por Maria José Morgado, do buraco para onde havia sido remetido há já muito, e sem a esperança, por mais ténue que fosse, de regressar à agenda do dia, terá contribuído para isso, uma vez que as habituais bocas e graçolas do sr. Jorge Nuno e que toda a comunicação social corria a publicar e transcrever, aos meses que andam desaparecidas da praça pública. Muito antes do clássico Porto-Sporting.

Jesualdo Ferreira é pessoa educada e nunca foi ouvido a provocar ou incendiar o que quer que fosse antes de qualquer jogo; é certo que teve aquele deslize sobre arbitragens que mereciam investigação policial, mas como logo na jornada seguinte o FC Porto foi descaradamente beneficiado, deve ter-se arrependido da boa oportunidade que perdeu em ficar calado.

 

E esta é só uma maneira de analisar as coisas. Poderíamos, se fossemos muito maus, pensar que os técnicos e jogadores do FC Porto interiorizaram que este jogo, e face ao que o Sporting vinha a fazer, era de tal modo “favas contadas” que nem valia a pena estar a incendiar ambientes, naquela estratégia tão ao gosto das Antas – sim das Antas – em unir as tropas face a um inimigo – não adversário! – exterior.

 

Também registei com agrado que não houveram incidentes entre os adeptos portistas e os do outro clube, que para o caso era o Sporting.

Aquilo a que o Miguel chama “adeptos portistas”, chamo eu, e outros como eu, claque dos Super Dragões, o que convenhamos é substancialmente diferente. Os adeptos do FC Porto sentem o clube, mas não andam à batatada por causa de foras-de-jogo, penalties, ou golos anulados.

Também aqui, e se fossemos muito maus, podíamos perguntar se o facto de Carolina Salgado ter dado com a língua nos dentes e, incriminado o líder da claque, o famigerado Macaco, não foi factor decisivo para este súbito acesso de civilidade da parte dos seus cães-de-fila. Quem sabe?

 

Também pude constatar que já lá vai o tempo em que os presidentes dos clubes de Lisboa tinham de ir para a bancada ver o jogo; porque quando resolviam ficar no camarote a que tinham direito, o presidente anfitrião, escudava-se na sua constante permanência no banco da equipe para disfarçar a má-educação em não receber os homólogos. Com isso matava dois coelhos com uma cajadada; é que a presença do “Papa” no banco era sempre factor adicional de pressão sobre a equipe de arbitragem.

 

Quanto a “nenhum jogador adversário saiu do campo com uma perna partida ou lesionado devido a uma entrada de um portista”, quer dizer duas coisas:

A primeira é que o Miguel não tem – e saúdo-o por isso – a memória curta; pois isso, como bem sabe, já aconteceu, e além de pernas também abrangeu cabeças e narizes.

A segunda é que o Paulinho Santos e o João (Sarrafeiro) Pinto já não são jogadores (?!) de futebol. Graças a Deus.

 

Caro Miguel,

Anotei como pediu. Fico a aguardar pela próxima crónica na próxima terça-feira, e por todas as outras, de todas as terças. É sempre um prazer lê-lo.

Mas como a distância pontual do seu clube, ficou reduzida a um ponto para o segundo classificado que é o Benfica, a ver vamos se esta nova atitude no Dragão que para si é motivo de regozijo, mas que é absolutamente natural e normal na maior parte dos clubes, não cai rapidamente em desuso. Até dia 1 de Abril.

Eleições na Federação Portuguesa de Futebol

por josé simões, em 11.01.07
Numa clara inversão de discurso ao proferido antes das eleições para a Federação Portuguesa de Futebol (FPF):
 
“O Carlos Esteves tem feito um bom trabalho na Comissão de Arbitragem e o Francisco Costa tem sido um elemento cumpridor. Estar indiciado não é estar condenado”.
 
Sobre a presença na sua lista de dois arguidos no processo Apito Dourado, Gilberto Madaíl vem agora dizer:
 
“Não incluiria arguidos em factos desta natureza se já estivessem em vigor os novos estatutos, que concedessem autonomia à direcção na escolha das equipas dos várias órgãos federativos.”
 
Donde se depreende que Gilberto Madaíl foi “obrigado” por algumas Associações a incluir os arguidos na sua lista. Não especificou quais, mas quem não tiver a memória curta e fizer uma revisão da matéria ao historial da FPF, decerto se recorda das infindáveis “negociações” e jogos de bastidor de cada vez que haviam eleições para a instituição – no tempo antes da Liga – sempre em torno da Comissão de Arbitragem, sempre protagonizadas pelas Associações do costume… As mesmas também responsáveis pelos não menos históricos alargamentos de divisão.
Deitamo-nos a adivinhar: A Associação começada por P com um R no meio e terminada em O; a Associação começada por A com um V no meio e também terminada em O; ou a Associação começada por B e terminada em Ga.
 
Mas os fins não justificam os meios e, no discurso de Madaíl também se lê que disse “que sim” para ser eleito. Apesar de ser contra a sua vontade. Vem agora morder a mão a quem lhe deu de comer e, descarta-se das possíveis consequências:
 
“Aí sim, (se os estatutos estivessem em vigor) teríamos de assumir o ónus das asneiras que se fizessem nas escolhas das pessoas!”
 
 
Não o iliba, antes pelo contrário; o que tem de tão apetecível o mundo do futebol em geral e, o da FPF em particular, para Madaíl se prestar a este tipo de jogadas?
À atenção de Maria José Morgado.

Maria José Morgado ou opinião pública vs. opinião privada

por josé simões, em 15.12.06

Com a nomeação de Maria José Morgado para coordenadora do processo “Apito Dourado”, com o estatuto de “super procuradora”, Pinto Monteiro, Procurador-geral da República entra “a matar”.

Pelo competência profissional da magistrada, pelos meios colocados ao seu dispor (não consta que no pacote esteja incluído um passe social…) e, acima de tudo pelo prestigio que Maria José Morgado desfruta na opinião publica.

 

E é precisamente aqui, nas duas categorias de opinião que reside a chave do problema; o busílis da questão.

 

As expectativas na opinião pública são grandes, nomeadamente que as 81 certidões retiradas ao processo não sigam o caminho há muito anunciado; certidões de óbito.

 

Se na opinião pública as expectativas são grandes, na “opinião privada” serão enormes. Escudada na alegada inconstitucionalidade do diploma que pune a corrupção desportiva, a “opinião privada” deve ter ficado no mínimo gelada com as declarações ontem proferidas por Maria José Morgado; o diploma fez jurisprudência quando foi usado no caso que julgou e puniu o árbitro José Guímaro.

 

(Ninguém se tinha lembrado disto, ou não convinha lembrar? O cartoonista Quino, “pai” da Mafalda, tinha uma máxima: “A opinião publica só opina o que convém à opinião privada”; seria o caso?).

 

À “opinião privada” resta-lhe uma tábua de salvação – a alegada ilegalidade das escutas telefónicas; mas aqui, a fuga para a frente é de tal modo desesperada que se perdeu totalmente a noção do ridículo. Não se desmente o conteúdo das escutas e, com ilegalidade ou sem ela, há já muito que a “opinião privada” está formalmente condenada pela opinião pública.

 

Maria José Morgado já defendeu publicamente que Carolina Salgado merece protecção legal por pretender colaborar com a justiça.

Ora desde a publicação do livro “Eu, Carolina” que a “opinião privada” tudo tem feito para a desacreditar, “alternadeira”, “zanga de casal”, “má literatura”, são alguns dos adjectivos usados; a mesma estratégia usada com as escutas telefónicas, quando o que conta é, o que Carolina conta.

 

A este propósito, Fernanda Câncio na sua crónica de hoje no Diário de Noticias, coloca o dedo na ferida, “È que Carolina é uma ex-alternadeira, não uma intelectual com cachet.”

 

O tratamento dado pela “opinião privada”, para consumo na opinião publica, é assim de uma desigualdade gritante em relação a outras publicações, tão ou mais medíocres do ponto de vista literário e do interesse publico, como o são os livros de Manuel Maria Carrilho e Pedro Santana Lopes, cada qual com direito a tempo de antena e, entrevista antes, durante e depois dos telejornais.

Gilberto Madaíl e o Apito Dourado

por josé simões, em 14.12.06

Gilberto Madaíl em declarações ao Público afirma que a ineficácia dos órgãos desportivos é devida à falta de meios; “A justiça desportiva não tem os meios da justiça civil. Não temos escutas telefónicas, nem investigadores, nem detectives.”

 

O nosso muito obrigado pelo esclarecimento, mas tem outros “meios” como ficou sobejamente comprovado pelo processo Apito Dourado e pela prosa literária da senhora Carolina.

 

Reduzindo “tudo isto” a uma questão de meios e até ver, os desportivos levam ligeira vantagem; recorrendo à terminologia futebolística, são “campeões de Inverno”.

 

Há saída do Tribunal de Gondomar, Gilberto Madaíl frisa que é economista e não jurista e que este processo já lhe causou danos e transtornos suficientes, porque segundo o nosso ilustre dirigente federativo, tinha uma candidatura a um cargo na UEFA com 100% de hipóteses de ser eleita e teve de ser retirada devido a.

 

Talvez devido à sua formação em economia, resolveu economizar em meios e vai daí, três dos sete nomes propostos para o Conselho de Arbitragem estão implicados no processo “Apito Dourado”.

Carlos Esteves e Francisco Costa estão indiciados pela prática de corrupção e corrupção desportiva, José António Pereira, ex-árbitro, foi escutado a confessar que perdoou um pénalti a uma equipa da II B (recebeu como prémio, oferecido pelo presidente do Lixa, um par de sapatos!).

 

Madaíl como bom católico temente a Deus, é acérrimo defensor da máxima “não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti” e só por isso os nomes não são retirados da lista, como a sua candidatura ao cargo da UEFA teve de ser.

 

Mas também aqui nada de novo, é só mais uma extensão da dualidade de comportamentos tão bem praticados pelos nossos jogadores. Vejam-se as atitudes comportamentais em provas europeias e no campeonato nacional…

 

Marques Mendes, no rescaldo do cataclismo pós-Santana, começou por tentar credibilizar o partido. Os primeiros a “levarem nas orelhas” foram Valentim Loureiro e Isaltino Morais que eram arguidos em processos.

“Arguidos são arguidos, não são condenados” diz Madaíl à saída do Tribunal de Gondomar para justificar a inclusão dos nomes na lista.

 

Madaíl é deputado eleito pelo PSD. Excelentíssimo Senhor Dr. Luís Marques Mendes, já regressou do Brasil, ou está tão (pre)ocupado com a situação das nossas tropas no Líbano que ainda não deu por nada?

 

Post-Scriptum: De todos os escutados pela Policia Judiciária nunca nenhum desmentiu o teor das escutas, desde o árbitro “Imelda Marcos” até Pinto da Costa, Reinaldo Teles ou Valentim Loureiro… Alegam que as escutas são ilegais…