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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| António Craveiro Simão

por josé simões, em 04.07.09

 

 

 

Fazer a árvore genealógica da família não é o mesmo que limpar o rabo a meninos. Nem pouco mais ou menos. Guerras e pilhagens, roubos, incêndios, terramotos e outras calamidades que levaram ao desaparecimento e/ou à destruição dos documentos, no tempo em que o Registo Civil era o padre que o fazia “lá” na igreja, tornam a tarefa quase, e na maioria dos casos, impossível de concretizar.

 

Vamos andando às arrecuas, todos lampeiros, e a páginas tantas a coisa desagua, ou num beco sem saída ou em ramificações várias. Quando é beco sem saída temos pena, arrumamos a mochila e damos por concluída a tarefa; quando a hipótese é escolher “ao calhas” uma das várias ramificações ali à disposição, a graaaaande maioria opta pelo antepassado Marquês ou Conde ou com um brasão cheio de armas e leões e, inevitável e invariavelmente, quase todos os portugueses são netos de D. Afonso Henriques mesmo que o nome seja Pires ou Pereira ou Silva.

 

Nós por cá, com várias gerações de nativos setubalenses da parte a mãe, mas com costela alentejana da parte do pai, metemos mãos à obra pela parte mais difícil: o pai, e (guess?) não chegámos ao Alentejo e já vamos na Serra de Estrela.

 

Corria o ano de 1860 quando o barbudo e com cara de poucos amigos na foto que ilustra esta posta, e que fazia anualmente a transumância, desde Manteigas na Serra de Estrela até ao Alentejo, resolveu assentar ferro no local da Boa Fé, distrito de Évora, mesmo ao pé de Santiago do Escoural, o tal, o das grutas. Casou com Prisca Maria, tornou-se lavrador e proprietário e deixou descendência de cinco rapazes e uma rapariga. E nunca mais voltou à Serra. E na Serra nunca mais dele souberam. Morreu pelo caminho, foi assaltado, assassinado por causa do gado; pensaram. E pensaram mal até um dia lhes aparecer a bater à porta um tal de José Simões Prisca que dizia ser o filho mais novo do desaparecido pastor da transumância. (Mais um bico-de-obra na árvore genealógica: o Simão passa a Simões e o nome de família é o da mãe).

 

O elo ficou restabelecido, mas sempre foi muito ténue e espaçado. Este fim-de-semana vamos lá. Um montão de gente, de Setúbal, Alentejo, Algarve, eu sei lá, mais de 200 contando com os que lá estão, que isto a fazer filhos é pior que os coelhos. A ver vamos se conseguimos recuar mais no tempo.

 

Ah, e o barbudo da foto é o meu octavô, e parte desta história vem contada no Notícias de Manteigas de Maio de 2007.

 

(Post em piloto automático, uma das boas funções do SAPO)