"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Agora que sabemos que o "liberalismo faz falta" e que o Cotrim afinal não disse aquilo que todos o ouvimos dizer, explicou-se mal, coittado, a questão que se coloca é: numa hipotética segunda volta entre Catarina Martins e Cotrim de Figueiredo ou entre Catarina Martins e Marques Mendes em quem é que votava o Partido Socialista de António Costa e Ferro Rodrigues que se empenhou em reeleger Marcelo deixando às pessoas com um mínimo de decência a tarefa de remeter o taberneiro para a terceira posição atrás de Ana Gomes? Não se incomodem em responder que isto sou eu a pensar em voz alta.
Curioso, já não se fala das escutas, não validadas por um juiz, no processo dos GNR's manageiros e do patrão que se gabava de ter um Procurador na mão... Agora é que o DCIAP vai fazer participação criminal sobre divulgação das escutas a António Costa, é que os jornalistas escalaram a parede pela calada da noite e andaram a remexer nas gavetas... Ou então foram bufadas pelos advogados de defesa a quem foi recusado aceder ao processo.
Parece que Netanyahu quer fazer aos palestinianos o mesmo que Estaline fez às diversas nacionalidades que integravam a União Soviética. Já ninguém inventa nada.
Sabendo nós o conteúdo das escutas que "eles" querem que nós saibamos, na altura que "eles" muito bem entendem ser a indicada para se saber, e sabendo nós, daquilo que veio aos ouvidos do pagode, que tudo junto e por atacado não vale um caralho, não tem relevância criminal de qualquer espécie, que tudo não passa de uma corja de bisbilhoteiras e calhandreiras que "eles" são, e sabendo também nós que o que "eles" querem que nós saibamos é apenas uma ínfima parte das horas, dias, meses, anos que "eles" levaram a escutar a vida alheia, a pergunta, legítima, diria mesmo mais, legítima, que se impõe é se tiraram proveito disso, se souberam de negócios em primeira mão, de decisões políticas ainda em fase embrionária, se tiveram acesso àquilo que comummente se chama "inside information"? Pois.
E depois há dois pê-esse-dês e duas à-dês, o dos figurões, do mindinho ao cherne passando pelos do lugar cativo nas televisões, os que estão no Governo e os que se sentam no Parlamento, que sim senhor, que o é óptimo para o prestígio nacional, que o Governo apoia o Costa apesar das diferenças que são mais que muitas e coise, e o outro, o dos aios, escudeiros e minions de plantão nas redes, que o Costa não é digno de nada e muito menos de confiança, não estão a ver as notícias que saem todos os dias? Só não vê quem não quer, socialistas, se procurarem na minha timeline podem dar com os links.
A muito custo e depois de muito barulho, político e mediático, finalmente encontrado o "momento processualmente adequado" para ouvir António Costa na casa dos segredos, de onde saiu como entrou, foi só a ocasião se propiciar ao futuro do ex primeiro-ministro para se propiciar às habituais fugas ao segredo de justiça, agora com imagens e tudo, para lembrar à turba que eles ainda ali estão, o Costa, e por sua pessoa o Escária, os polícias, guardadores e desvendadores de segredos, a república dos juízes em roda livre, Bruxelas e tudo o mais. Nunca falha.
No denominado "dia da família" estar na hora do jantar na sede de um partido político para comentar a mensagem de Natal do primeiro-ministro, alguns com uma papeleta escrita lida em directo logo no minuto a seguir.
Augusto Santos Silva dizer que o Ministério Público deve um esclarecimento ao país sobre as buscas à casa de Rui Rio e à sede do PSD, "sustentando que foi cometido um crime em directo", para o PSD é diferente de Augusto Santos Silva dizer que o Supremo Tribunal de Justiça deve esclarecer depressa, antes das eleições, a situação penal do primeiro-ministro, "frisando que o caso abriu uma crise política". Percebemos todos? O PSD também percebe.
"Dois anos à espera [?] e agora o Costa demitiu-se e fica tudo fuuudido outra vez...", "É pá, porque é que o Costa se demitiu?", "Por causa lá daquela corja dele...", "Mano, nuuunca em tempo algum um ministro do MPLA se demitiu por causa dele quanto mais por causa de outros!".