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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A nova normalidade

por josé simões, em 02.03.20

 

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Já estamos todos habituados à pobreza de léxico e ao discurso infantil, capaz de envergonhar uma criança da escola primária, de Donald Trump, o oito a seguir ao oitenta Barack Obama. Custou mas foi, não há nada a que o ser humano não se habitue.

Já estamos todos habituados à boçalidade de Bolsonaro e à burrice de Abraham Weintraub, o ministro da Educação do Brasil que escreve "imprecionante", "suspenção" e que confunde Franz Kafka com kafta, um prato árabe.

Agora vamos habituar-nos à ignorância, aos erros ortográficos, aos erros de concordância, à confusão de conceitos do líder do Chaga [não é gralha]. "Bertol Brecth", "Dostoywesky", "massiço", "chisato", "solarengo", "despoletar", "há dez anos atrás", "buçal", replicados pelos aios e escudeiros, gente que não sabe a diferença entre um acento grave em "à" e um acento agudo em "ás" e que se calhar até pensa que é assento, que escreve República sem acento agudo no u, que confunde Presidência com Previdência, ou talvez não, nas mãos do líder Ventas seria "Previdência e Abono de Família". Gente que nos idos de quem têm saudades apanhavam 25 reguadas em cada mão e iam para o canto da sala com umas orelhas de burro enfiadas cornos abaixo.

 

[Imagem "André Ventura apresenta hoje, em Portalegre, a sua candidatura à presidência da República. Esta é a credencial para os jornalistas"]

 

 

 

 

Racismo no cu dos outros para mim é refresco, Capítulo III

por josé simões, em 18.02.20

 

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No dia seguinte nenhuma televisão se lembrou de convidar o Marega para dizer o que lhe ia na alma. Nem uma. A TVI, que se prepara para ser comprada pela Cofina, a do Correio da Manha [sem til], jornal e televisão, que promovem o Ventura e o Chaga [não é gralha] nas primeiras páginas, nos telejornais e nos programas do pontapé-na-bola, convidou o Ventas para uma peixarada de gritaria onde, em contínuo e em crescendo, gritou mais alto que Miguel Sousa Tavares, a quem coube o papel de idiota útil para o aprendiz de feiticeiro passar a sua mensagem racista e xenófoba. "Não sou racista, tanto aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto, ou a um cigano".

 

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Racismo no cu dos outros para mim é refresco, Capítulo II

 

 

 

 

Lei da Protecção do Sangue Português e da Honra Portuguesa

por josé simões, em 09.02.20

 

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Pela revista Sábado [acesso condicionado] ficamos a saber que na segunda década do século XXI português há um bando de imbecis - a única definição plausível pelo desconhecimento total da História de Portugal, desde os povos ibéricos pré-romanos até à actualidade, e ignorantes da história, recente de 75 anos, da Europa, que se rege por leis da Alemanha nazi dos anos 30 do século XX, as de má-memória  Leis de Nuremberga que deram o primeiro passo para a "solução final" e para o holocausto. Notícias que não abrem telejornais, se calhar porque como Paulo Rangel, o ex-camarada de partido de André Ventura, até agora não viram nenhum fascismo em André Ventura.

 

[Via]

 

 

 

 

Noções elementares de como legitimar um fascista, Capítulo II

por josé simões, em 31.01.20

 

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Marcelo Rebelo de Sousa, mais rápido que o INEM a chegar à queda de uma avioneta em cima do telhado de um hipermercado a dezenas de quilómetros de Cascais; Marcelo Rebelo de Sousa, mais rápido que a própria sombra a chegar ao descarrilamento de um eléctrico numa calçada de Lisboa; Marcelo Rebelo de Sousa, sempre disposto a meter o bedelho onde não é chamado, e onde os poderes presidenciais não são tidos nem achados, para condicionar a acção do Governo; Marcelo Rebelo de Sousa, que se baba todo e que fica com a cara toda babada para beijar tudo o que respira à face da terra e que lhe renda simpatia popular; Marcelo Rebelo de Sousa não comenta o "vai para a tua terra" de André Ventura e "desaconselha escaladas" porque "o radicalismo fomenta o radicalismo, a agressividade fomenta a agressividade". Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, diz ao deputado do Chega que pode dizer tudo o que lhe vai na real gana e diz aos restantes deputados, partidos políticos, cidadãos anónimos deste país que devem ouvir e calar e se calhar até dar a outra face, fazer o sinal da cruz e dizer "amém!".

 

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Noções elementares de como legitimar um fascista, Capítulo I

 

 

 

 

Noções elementares de como legitimar um fascista

por josé simões, em 30.01.20

 

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O Iniciativa Liberal, cujo programa económico e social é igualzinho ao do Chega, se calhar até nas virgulas: acabar com a escola pública, acabar com o Serviço Nacional de Saúde, entregar a Segurança Social - pensões e reformas, a fundos privados, e que foi levado a cabo, com o "sucesso" que se conhece, pelos rapazes de Chicago no Chile do golpista-fascista Pinochet, introduz a "liberdade de expressão" na tomada de posição sobre o "vai para a tua terra" com que André Ventura despachou uma deputada eleita pelos cidadãos em eleições livres e democráticas.

Não se percebe bem a que propósito a "liberdade de expressão" aparece, aqui e neste contexto, ou se calhar até se percebe. Se a liberdade da deputada Joacine propor a devolução das obras de arte retiradas às ex colónias, retiradas, não compradas ou doadas, como, por exemplo, o Metropolitan Museum of Art de Nova York fez ao Egipto com as peças retiradas da tumba de Tutankhamon, ou como o Museu de Atlanta, também nos States, com a múmia de Ramsés I, nós, que passamos a vida a lastimar-nos do saque cultural e científico sofrido durantes as invasões francesas, se a liberdade de André Ventura mandar quem quiser para a terra que lhe der na real gana, tudo a brincar, pois claro e sem emoji, até ao dia em que uma maioria lhe permita fazer uma lei a sério, para depois andarmos todos a ganir, liberais incluídos, o poema do Martin Niemöller "Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista" e o caralho.

 

[They Live na imagem]

 

 

 

 

Conseguem perceber isto?

por josé simões, em 29.01.20

 

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Eu proponho que a própria deputada Joacine seja devolvida ao seu país de origem. Seria muito mais tranquilo parav todos... inclusivamente para o seu partido! Mas sobretudo para Portugal!

 

 

 

 

Notícias do Conde Andeiro

por josé simões, em 04.01.20

 

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O Ventas do chaga congratula o Vox pelo resultado eleitoral, com a bandeira espanhola em primeiro plano e por cima da portuguesa, o Vox retribui a deferência e convoca uma manif com um mapa da península onde é tudo Espanha.

 

[A morte do Conde Andeiro]

 

 

 

 

Perder uma boa oportunidade de ficar calado

por josé simões, em 12.12.19

 

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"É uma vergonha!" Ferro Rodrigues repreende expressões de André Ventura

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

História da Europa no século XX

por josé simões, em 22.11.19

 

A woman riding an alligator in the Los Angeles Memorial Coliseum.  The alligator is evidently the team mascot, c 1930s (via Los Angeles Public Library).jpg

 

 

O jornal Expresso que noticia a renúncia ao cago de uma autarca social-democrata alemão depois de repetidas ameaças da extrema-direita por ter condenado em mais de uma ocasião a violação de direitos humanos quando quatro homens amarraram um refugiado a uma árvore, é o mesmo jornal Expresso que dá conta da disponibilidade da ex-ministra das Finanças do governo da troika para entendimentos com o oportunista André Ventura que lançou a carreira numa candidatura à presidência de uma Câmara dos subúrbios de Lisboa com um programa anti-ciganos e com o suporte de Passos Coelho até à contagem dos votos. O resto é História da Europa no século XX.

 

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Na próxima legislatura depois a gente fala, Capítulo IV

por josé simões, em 21.11.19

 

 

 

Enquanto Telmo Correia descia a escadaria de S. Bento para falar com os manifestantes debaixo de uma assobiadela e de uma vaia monumental, nos Passos Perdidos André Ventura falava para a imprensa com uma t-shirt do Movimento Zero vestida antes de fazer o mesmo trajecto, minutos antes feito pelo deputado do CDS, aplaudido pelos manifestantes e aos gritos de "Ventura! Ventura!", para um mini-comício sobre insegurança e autoridade do Estado a pretexto das perguntas dos jornalistas.

 

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"Na próxima legislatura depois a gente fala", Capítulo I

"Na próxima legislatura depois a gente fala", Capítulo II

"Na próxima legislatura depois a gente fala", Capítulo III

 

 

 

 

Começa o circo

por josé simões, em 25.10.19

 

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Há uma diferença substancial entre chegar atrasado e programar um atraso e André Ventura não chegou atrasado ao Parlamento, André Ventura atrasou-se para a coreografia a transmitir pelos telejornais e para a qual contou com a prestimosa colaboração de Ana Rita Bessa, deputada eleita pelo CDS, que ensaiou uma espécie de milonga [na imagem] no breve 'raspanço' entre cadeiras . É desrespeitoso para o voto popular e para a casa da democracia, que bastas vezes não se dá ao respeito, mas é um desrespeito "criativo" da parte do deputado eleito pelo Chega. Habituem-se.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

O pai da criança

por josé simões, em 09.10.19

 

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Ainda na noite do rescaldo eleitoral o fascista Ventura aparece nas televisões a celebrar o "país que pela primeira vez em 45 anos não teve medo de votar num partido verdadeiramente de direita". Quarenta e cinco anos. É fazer as contas, descontando os anos em que os deputados da União Nacional eram eleitos em votações marteladas, se calhar o fascista Ventura pecou por defeito nas contas, é a primeira vez que é eleito um.

 

No dia a seguir, quando se soube que "a ciganada toda", como diz o senhor do CDS, votou no Chega, para que o Ventura soubesse que os ciganos não têm medo dele, o cabeça de lista por Beja, com aspecto de cigano e nascido nos últimos 35 anos, aparece com a mesma cartilha dos "45 anos", o tempo que andam a tratar mal o interior do país e o Alentejo. Ele que nasceu sem candeeiro a petróleo, bilha da água e penico na mesa de cabeceira, a ir calçado para a escola, até à faculdade se preciso for, e sem os fundilhos remendados, sem pão com azeitonas na praça da jorna, e sem a carga da GNR a cavalo para reprimir reivindicações de quem queria 5 tostões por dia de ceifa ou de apanha da azeitona ao contrário dos 4 que o latifundiário se dispunha a pagar e, com um bocado de sorte, via pela primeira vez o mar quando fosse metido dentro de um barco para ir combater numa guerra colonial a milhares de quilómetros no outro lado do oceano, em África.

 

Mas isto é a conversa dos coitados que não têm capacidade de raciocínio para lá do resumo da jornada futeboleira nas páginas do Record ou da telenovela a seguir ao telejornal, antes da Casa dos Segredos.

 

Cinco anos antes do fascista Ventura se ter sentado no Parlamento pelo voto popular o mui liberal e culto e instruído secretário de Estado de Pedro Passos Coelho, tão instruído que só usava o Twitter em 'amaricano', tinha tuitado que vivíamos há 35 anos em hegemonia socialista, sem a coragem, ou a falta de vergonha, que o fascista Ventura teve em assumir a contagem integral do tempo, como Pacheco Pereira muito bem desmontou

 

Mas não é por aqui, que a relação entre fascismo e liberalismo é uma história de amor antiga, ainda mais antiga que os rapazes de Chicago a aplicarem no Chile de Pinochet a teoria económica que os rapazes de Passos Coelho pretendiam aplicar em Portugal, agora asilados no Iniciativa Liberal depois da vassourada de Rui Rio e do stand by a que Miguel Morgado se remeteu.

 

Passos Coelho um dos vencedores da noite eleitoral ao ter conseguido sentar dois deputados no Parlamento, André Ventura pelo Chega e João Cotrim de Figueiredo pelo Iniciativa Liberal, um "peru menor" que escapou aos jornalistas e comentadeiros com lugar cativo nas televisões.

 

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O day after

por josé simões, em 07.10.19

 

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Miguel Relvas, da velha liderança do ar pesado e bafiento, sai a terreiro logo no day after a pedir nova liderança e ar fresco para o partido. Podia ser um piada do Imprensa Falsa mas não é. Isto foi de manhã, que à hora do jantar, Miguel Morgado, do mesma agremiação de Miguel Relvas, do circo de sombras por detrás de Passos Coelho, apareceu na televisão do militante n.º 1 aka SIC Notícias a pedir ar fresco e nova liderança para o partido, que ele vai fazer a parte que lhe compete, não sabe nem deixa de saber se é candidato, vai apresentar uma moção e coise, ele que até já meteu mãos à obra e inventou o "cinco para as sete" que só não congrega a direita toda porque o André Ventura se recusou a participar e isso é lá com ele. Não foi ele, Miguel Morgado, quem espantou o fascista Ventura, foi o fascista Ventura que não quis nada com ele. Temos [têm] pena. O André Ventura, esse mesmo, que à noitinha no Prós e Contras na televisão pública teve exactamente o mesmo discurso que o senhor novel deputado eleito pelo Iniciativa Liberal, corrupção, compadrio, sector privado, blah-blah-blah, direito de escolher a escola, saúde privada para todos e que quando Mariana Mortágua falou em "fraude liberal", do Estado a pagar a privados, provocou a mesma reacção nos três, que o João Almeida do CDS também lá estava. E novidades?

 

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Não há nada para celebrar

por josé simões, em 07.10.19

 

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Quarenta e cinco anos depois um fascista torna a sentar-se em S. Bento. Não há nada para celebrar, lamento.

 

 

 

 

A direita radical a gostar dela própria

por josé simões, em 29.08.19

 

 

 

"Consegue dizer-me se esta frase que eu lhe vou dizer é de André Ventura ou de Nuno Melo? "Não queremos fechar a porta a quem procura a Europa como ponto de acolhimento, não podemos é deixar que cheguem e entrem de qualquer maneira". Consegue dizer-me de quem é a frase? Ó Rita, eu não tenho nenhuma dificuldade em identificar aí uma frase do Nuno Melo"

 

Assunção Cristas a atribuir a Nuno Melo uma frase de André Ventura na entrevista à Rádio Observador, a partir do minuto 40:14.