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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

"liberdade de informação"

por josé simões, em 11.05.21

 

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A RTP, televisão pública paga com o dinheiro dos contribuintes, consegue meter André Ventura no telejornal dois minutos e picos a destilar ódio na porta do tribunal onde começou a ser julgado por ofensas a uma família do bairro da Jamaica sem 30 segundos sequer dados aos queixosos. Por um lado temos o "bom nome" da Felgueiras e o "desrespeito pela liberdade de informação" a propósito do comentário de João Galamba, do outro lado temos o "bom nome" da família dos "jamaicanos" do Fogueteiro e o "desrespeito pela liberdade de informação" sem contraditório e ao jeito do execrável. É isto, serviço público de televisão, não é?

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

"Estrangeiros de bem"

por josé simões, em 27.04.21

 

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O dia em que os estrageiros de bem estragaram a narrativa ao partido dos "portugueses de bem".

 

Estrangeiros fãs de Portugal pela "segurança e disciplina"

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

No tempo em que o Benfica jogava de "encarnado" porque "vermelhos" eram os comunistas

por josé simões, em 25.04.21

 

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Juntem o cravo branco do CDS ao cravo preto do Chega e temos o Portugal que que eles gostariam de comemorar: o Portugal a preto e branco de 24 de Abril.

 

[Na imagem, com link, Paula Celeste Caeiro, a mulher que "inventou" o cravo vermelho na revolução]

 

[Via]

 

 

 

 

"Portugal para os Portugueses"

por josé simões, em 24.04.21

 

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A direita dita democrática, e cada vez faz mais sentido colocar o dita à frente de democrática, deu o passo que faltava: legitimar a extrema direita. E não é a direita trambiqueira do dia-a-dia do debate político, que também aparece em cartaz na 3.ª Convenção do Movimento Europa e Liberdade, é a direita da cultura e da academia que dá a cara. Nomes como Miguel Poiates Maduro, Francisco José Viegas, António Nogueira Leite, José Adelino Maltez ao lado de André Ventura e Jaime Nogueira Pinto.

 

E depois o case study Sérgio Sousa Pinto, em tempos de blogues e início de redes sociais com estatuto de next bih thing do PS, e que nos últimos tempos se notabilizou na primeira linha do combate à "Geringonça", no painel de debate "A intolerância cultural e a ditadura do politicamente correcto", encerrado pelo líder do Chaga, exímio em destilar ódio contra minorias étnicas e culturas diversas. O raciocínio de Sérgio Sousa Pinto, sempre com a boca cheia de Mário Soares, quase quase quase, falta-lhe dar esse passo, a reclamar ser o guardião do seu legado político, é que se o então fundador e líder do PS trouxe o CDS para o "arco da governação", também o actual PS pode fazer o mesmo com o Chaga, ignorando que com o fascismo não se debate, combate-se.

 

Mais fascismo menos fascismo o ponto de vista é simples: se o programa económico do Chaga e da Ilusão Liberal, semântica e léxico à parte, mais ponto menos vírgula, é exactamente o mesmo - privatizar, privatizar, privatizar, desmantelar o Estado e o estado social em benefício de interesses privados, se não vamos [vão] lá pela boa educação e discurso elaborado, vamos [vão] pelo discurso primário do Chaga, mais mobilizador do eleitorado. Os fins justificam os meios.

 

[O título do post foi o que li da primeira vez que vi o flyer, e não deve andar muito longe disso.]

 

 

 

 

"Dantes é que era"

por josé simões, em 12.04.21

 

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Quando um dos principais beneficiados com a instrução do "Processo Marquês" foi o intitulado "Dono Disto Tudo" - Ricardo Salgado, que viu todas as acusações contra si caírem, por incompetência do Ministério Público e dos juiz encarregado da investigação, é convocado por WharsApp um panelaço sul-americano para a hora em que José Sócrates é entrevistado na televisão, invocado os "donos disto tudo que governam o país há quase 50 anos", que são precisamente os 47 anos que o 25 de Abril faz este mês. E só este "peru menor" dos "quase 50 anos" devia meter a pensar o "povo honesto que é obrigado a trabalhar [sic] sem a devida compensação", os "portugueses que pagam impostos",  como é moda agora dizer, para não acabarem portugueses que votam no André Ventura, que ajudava portugueses a fugir aos impostos e a branquear capitais quando trabalhava para Tiago Caiado Guerreiro enquanto era funcionário da Autoridade Tributária com acesso a informação privilegiada. Os "portugueses de bem" que agora retribuem com o financiamento do Chega e de André Ventura, o André Ventura investigado no "Processo Monte Branco" por fraude fiscal e branqueamento de capitais enquanto deputado e empregado da Finpartner, o André Ventura que foi chamado a depor na investigação "Vistos Gold" por ter colaborado num parecer, enquanto inspector tributário, que isentou em 1.8 milhões de euros a empresa Intelligent Life Solutions, de Paulo Lalanda de Castro, ex-patrão de Sócrates.

 

"Há quase 50 anos", porque antes dos "quase 50 anos" houve outros quase 50 anos, mais precisamente 48 de fascismo, em que Portugal era um paraíso de ética, honestidade e integridade para os actuais, e antigos, "Cheganos", e onde o "povo honesto" não era obrigado a trabalhar para pagar nada a ninguém e recebia por isso a "devida compensação": fome, pé descalço na rua, instrução só para "portugueses de bem", falta de saneamento básico, água e luz, saúde para quem a pagasse, analfabetismo e mortalidade infantil, pensões e reformas do que conseguisse amealhar entre o nascer e morrer a trabalhar sem horário, folgas e férias, filhos para a guerra colonial e respeitinho é muito bonito porque manda quem pode e obedece quem deve.

 

Como diz o "povo honesto", Deus quando deu a cabeça não foi só para pôr o chapéu.

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

Socorro, vem aí o Ventas!

por josé simões, em 10.04.21

 

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Que o Estado de direito democrático deve abdicar de sê-lo e condenar a pedido da turba só porque se não o fizer vai favorecer a ascensão do Chaga, é o argumento mais espantoso que se tem ouvido nestes dias, desde anónimos a políticos super star com assento e acento no prime time, passando por jornalistas. O medo do populismo de extrema-direita para se passar a actuar como se vivêssemos num Estado governado por um partido populista de extrema-direita é um jogo perigoso de se jogar e o Ventas, percebendo isso melhor que os anónimos, os políticos super star e os jornalistas, chapéu, começa a capitalizar por antecipação e força ainda mais com pressões inaceitáveis sobre o tribunal guardião da Constituição da República sob a forma de manifestações.

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

A entronização do Duce

por josé simões, em 10.03.21

 

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"Qual é o universo de eleitores?
Não tenho esses dados ainda porque estou a receber o total disso, não tenho esses números

 

Então mas os 97,3% dizem respeito a quantos votos?
Dos eleitores que estavam habilitados a votar, os que têm quotas pagas.

 

Certo, mas qual é o número?
Este foi o número que recebi da empresa, da empresa que gere isto. Nós temos uma empresa que gere estes números e  deu-me estes números em Excel.

 

E quando vamos ter os números?
Provavelmente, a Patrícia [assessora] diz-lhe ainda hoje."

 

"André Ventura foi reeleito com 97,3% dos votos ou, pelo menos, assim foi anunciado no sábado. Mas três dias depois, o partido ainda não comunicou o universo de eleitores, delegando a responsabilidade da contagem a uma empresa cujo nome também não foi revelado."

 

O estranho caso dos resultados das eleições no Chega

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

"Cavaco Silva está velho"

por josé simões, em 09.03.21

 

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"Cavaco Silva está velho". A frase dita por Jerónimo de Sousa acabou por se revelar a análise mais lúcida de todas as que foram feitas à saída do ex Presidente da República do esquife onde se encontra depositado. Curta e certeira. E tão acertada foi que a aparição foi prontamente compreendida pelo deputado mais velho que alguma vez se sentou nas bancadas da Assembleia da República em todos os anos da sua existência.

 

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Tudo farinha do mesmo saco

por josé simões, em 05.03.21

 

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Um é o líder de um partido que pede o confinamento de etnias, a deportação de cidadãos nacionais, intimida professores através da exposição pública da sua identidade, ameaça jornalistas.

 

António Costa a repetir o mantra que a direita radical usa, equivaler Ventura a Mamadou para desculpabilizar o primeiro.

 

Nem André Ventura nem Mamadou Ba representam aquilo que é o sentimento da generalidade do país. Felizmente

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

O modus operandi do fascismo

por josé simões, em 03.03.21

 

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O Ventas do Chaga pode montar uma campanha de ódio contra uma minoria, toda ela assente na mentira "os ciganos vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado", afirmação desmentida pelo estudo do Alto Comissariado para as Migrações, mas o Ventas não pode ser desmascarado e chamado de mentiroso porque se enquadra na categoria de "ataque a opositor político" na "gestão do ensino público pelo Governo".

 

"Como é que podemos confiar na gestão do ensino pelo Governo?" pergunta o sonso Ventas a propósito de uma aula de Filosofia que levanta a questão "como é que podemos confiar na palavra de um populista que recorre sistematicamente à mentira e à desinformação para ganhar dividendos nas urnas?"

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

O processo de construção do Ventas

por josé simões, em 01.02.21

 

 

Time-lapse, entre Janeiro de 2016 e Janeiro de 2021, do processo de construção do Ventas:

 

 "Quem criou o fenómeno André Ventura? A televisão ou as redes sociais? André Ventura não é um político que ganhou visibilidade mediática. É antes alguém que, embora traçando um caminho na política, ganhou o estatuto de celebridade fora da política e utilizou essa visibilidade para depois se tornar um político-celebridade com expressão eleitoral. Os dados do Facebook permitem perceber que André Ventura beneficiou da notoriedade proporcionada pelos orgãos de comunicação social desde 2016 e também das páginas de apoio do Chega desde 2019."

 

André Ventura: a criação da celebridade mediática

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Fazer de conta

por josé simões, em 25.01.21

 

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Porque é que ser de um concelho tradicionalmente comunista é vacina contra a ciganofobia, reflectida no score eleitoral do Ventas, nos concelhos da raia alentejana e nos urbanos da margem sul do Tejo onde essa comunidade tem forte implantação?

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Dia negro para a democracia

por josé simões, em 24.01.21

 

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O CDS "ganhou" as presidenciais. Duas vezes na mesma noite, primeiro com António Carlos Monteiro e depois com o Chicão, a fugir para a frente do Chiquinho que o partido já é.

 

O PS "ganhou" as eleições, mesmo quando perdeu o respeito por si próprio ao meter Carlos César a reclamar vitória e a apontar que o perigo do neofascismo é para o PSD e não para o país.

 

O PCP perdeu as eleições. Ponto final. E disse-o preto no branco.

 

O Bloco perdeu as eleições. Por abada. E tornou a perde-las quando aos 30 segundos de discurso Marisa Matias decide invocar o Ventas do Chaga, vá-se lá saber porquê. Quando o Ventas não fala falam os outros no Ventas.

 

O PSD "ganhou" as eleições. E no discurso da vitória, Rui Rio, excitado e aos gritos, fez o discurso da vitória do Ventas.

 

O Mayan liberal "ganhou" as eleições. Dobrou o resultado das legislativas, tinha 1 e picos por cento passou para 3 e picos por cento. A onda liberal a fugir por umas décimas à onda calceteira do Tino a morder-lhe os calcanhares.

 

António Costa "ganhou" as eleições. E veio logo todo lampeiro parabenizar Marcelo reeleito sem perceber que hoje é o primeiro dia do resto da sua vida.

 

O Ventas ganhou as eleições. Sem aspas como os outros. Recuperou os votos dos desiludidos do "isto é tudo a mesma merda", "querem é todos tacho", a minha política é o trabalho", "isto queria era um novo Salazar". Recolheu os voto da ciganofobia, é circular pelas estradas da raia alentejana entre Serpa e Marvão para se perceber o score do rato de esgoto. Recolheu os votos das outras fobias todas, do medo dos outros. E os votos dos esquecidos no Portugal profundo. Abriu a boca para a habitual enxurrada de javardice, reclamou ser um enviado de Deus e em boa hora as televisões cortaram-lhe o pio.

 

Em 2023 há legislativas, se não for antes.

 

Como cantavam os Dead Kennedys, Bedtime for Democracy.

 

 

 

 

Pormenores

por josé simões, em 22.01.21

 

 

 

Todos os comícios de todos os candidatos às presidenciais terminam com A Portuguesa mas nas reportagens dos telejornais o hino nacional só é ouvido em fundo nos comícios do Ventas. Agora pençem [como os minions do Chaga escrevem nas caixas de comentários e nas "redes"].

 

 

 

 

O porco na chafurda, X

por josé simões, em 21.01.21

 

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- Podemos ver isto de duas maneiras:

 

- Que violência chama violência e quem quem passa a vida a insultar e agredir verbalmente os outros só pode esperar a retribuição, é uma questão de tempo. E depois lá virá o Calimero com o dia negro e o atentado à democracia e a liberdade e o coise e tal quando dos maiores atentados que se podem fazer à democracia e ao Estado de direito democrático são as agressões a jornalistas e a coacção à imprensa, mas isso não é merecedor de condenação ou reparo.

 

- Que Joseph Goebbels inventou tudo o que havia para inventar em matéria de propaganda e agit-prop e que agora é só ir buscar e remasterizar porque há sempre uns pobres de espírito dispostos a tudo papar.

E foi um processo em crescendo. Começou com a insinuação de fraude eleitoral. Passou para a fraude dos ciganos inventados. Uma perseguição automóvel do Bloco de Esquerda. Uma incursão em território religioso que correu mal e passou ao lado da generalidade da comunicação social. Até uma tentativa de apedrejamento por ciganos verdadeiros com cartazes da candidata que o vai remeter para a terceira posição nas Presidenciais numa luta ombro-a-ombro com o candidato comunista. Tipo a facada do Bolsonaro, mas como os ciganos modernos não usam facas os ciganos inventados estavam lá atrás preparados para que tudo corresse pelo melhor. E o melhor tinha de ser hoje, o penúltimo dia de campanha, porque se fosse amanhã, o último dia, não servia para nada porque não era notícia em lado nenhum por causa do "dia de reflexão".

 

Percebem?

 

[A montagem de Bernie Sandres na recepção cigana ao Ventas é do Nuno Alexandre]

 

O porco na chafurda, Capítulo IX