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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

“Andar à boa-vida”

por josé simões, em 01.12.08

 

Eu nunca comi pão com azeitonas. No sentido de dias, semanas e quiçá até meses seguidos como única forma de matar a fome.

 

Vem isto a propósito de termos ido almoçar fora e no restaurante o empregado ter colocado em cima da mesa um cesto com pão e um pires com azeitonas, e um dos mais novos ter perguntado: “Então, não há nada para comer com o pão?” e da enxurrada de histórias que recebeu como resposta. Da parte de quem comeu “pão com azeitonas”.

 

Nas décadas de 30, 40, 50, 60 e até à entrada para a de 70 do século XX, “andar à boa-vida”, no Alentejo, significava ter 5, 6, 7 - e às vezes até mais -, filhos em casa com fome, e não ter trabalho, nem dinheiro para comprar comida para lhes pôr na mesa. Comia-se pão com azeitonas para enganar a fome.

 

Convenhamos que é substancialmente diferente da imagem associada ao “andar à boa-vida” dos tempos que correm. Se bem que cada vez mais ande por aí muito boa gente “à boa-vida”.

 

(Imagem fanada no Guardian)