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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Reviver o passado – “a mesa dos velhos fascistas”

por josé simões, em 01.05.08

 

Quando era mais puto, aí por alturas das botas da tropa e do cabelo eriçado “angry young man”; nos “anos da revoltade 1977 até meados de 80, mais coisa menos coisa; parávamos todos no Café Brasileira, Praça do Bocage; pleno coração da cidade de Setúbal.
 
Ainda havia a Sala dos Bilhares; ainda o “velho Costa” era o proprietário; a mesa ao lado da nossa – sim, porque naquela época as mesas tinham dono – era a mesa dos “velhos fascistas”. Sentavam-se àquela mesa desde militantes do MIRN a simpatizantes do MDLP e depois ELP; um velho imigrante alemão de porte militar, e que a lenda nunca comprovada dizia ter sido oficial SS, até retornados das ex-colónias; daqueles que diziam “mal empregues as que caíram no chão!”, quando se vangloriavam das chibatadas que tinham dado nos pretos-burros. O conviva mais à esquerda que tinha assento à “mesa dos velhos” era militante do CDS de Freitas do Amaral, e, não raras vezes a coisa não descambou em sopapada e cadeirada, devido à sua intervenção apaziguadora dos ânimos, coadjuvado pelo “velho Costa”.
 
Quando chegava as alturas do Primeiro de Maio, a conversa na “mesa dos velhos” era exactamente esta. O dia do trabalhador comemora-se a trabalhar.
 
Já morreram todos. Que a terra não lhes seja leve.
 
(Na foto do insigne fotógrafo setubalense Américo Ribeiro, a Praça do Bocage em Setúbal; anos 50 do século passado. O Café Brasileira (na foto) era à esquerda, na zona de sombra em frente ao parque de estacionamento.)
 
 

Procissão do Senhor do Bonfim

por josé simões, em 12.05.07

(Procissão em Setúbal, ano de 1939. Fotografia de Américo Ribeiro)

 

Realiza-se amanhã em Setúbal, e pelas 16 horas, a tradicional procissão do Nosso senhor do Bonfim. Segundo o trissemanário O Setubalense, “a procissão sai da Igreja de S. Julião, com a imagem do Senhor do Bonfim, de Nossa Senhora de Tróia e de Nossa Senhora da Arrábida, passando pela avenida Luísa Todi, rua Cláudio Lagrange, Jardim da Beira-Mar e Senhora do Cais, onde haverá bênção às actividades marítimas e exortação aos homens do mar. A acompanhar estarão a banda Musical das Caldas da Rainha e a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Setúbal.”

 

O blogue, que se orgulha de ser agnóstico, não pode, no entanto, deixar de referir a cerimónia e assinalar a data, como parte integrante da cultura popular Setubalense, e, acima de tudo, pela educação recebida e pelas recordações de infância que me traz esta procissão, na qual cheguei a participar com a minha avó. Aqui fica a evocação, pela escrita de António Lopes Ribeiro, imortalizada nas palavras de João Villaret:

 

Procissão

 

Tocam os sinos na torre da igreja

Há rosmaninho e alecrim p’lo chão

Na nossa Aldeia que Deus a proteja

Vai passar a procissão

 

Mesmo na frente marchando a compasso

De fardas novas vem o Solidó

Quando o Regente lhe acena com o braço

Logo o trombone faz pó-pópó

 

Olha os bombeiros tão bem alinhados

Que se houver fogo vai tudo num fole

Trazem ao ombro brilhantes machados

E os capacetes rebrilham ao Sol

 

Tocam os sinos na torre da igreja

Há rosmaninho e alecrim p’lo chão

Na nossa Aldeia que Deus a proteja

Vai passando a procissão

 

Olha os Irmãos da nossa Confraria

Muito solenes nas opas vermelhas

Ninguém supôs que nesta Aldeia havia

Tantos bigodes e tais sobrancelhas

 

Ai que bonitos que vão os Anjinhos

Com que cuidado os vestiram em casa

Um deles leva a Coroa de Espinhos

E o mais piqueno perdeu uma asa

 

(Refrão)

 

Pelas janelas as Mães e as Filhas

As colchas ricas formando troféu

E os lindos rostos por detrás das mantilhas

Parecem de Anjos que vieram do Céu

 

Com o calor o Prior vai aflito

E o Povo ajoelha ao passar o Andor

Não há n’Aldeia nada mais bonito

Que estes passeios de Nosso Senhor

 

Tocam os sinos na torre da Igreja

Há rosmaninho e alecrim p’lo chão

Na nossa Aldeia que Deus a proteja

Já passou a procissão

 

 

 

(Procissão em Setúbal, ano de 1950. Fotografia de Américo Ribeiro)

 

 

 

 

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 21.02.07

 

Corso de Carnaval na Avenida Luísa Todi em Setúbal - 1969

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 09.01.07

 

No dia em que se comemoram os 254  do nascimento de Luísa de Aguiar Todi , o blogue faz uma repescagem da inauguração do monumento (glorieta) à cantora lírica, à época situado no então Parque das Escolas, actual Largo José Afonso.

 

Inauguração no ano de 1933. Descerrado por Leopoldo Todi Gonçalves, na presença do Governador Civil de Setúbal, Dr. Mário Caes Esteves.

 

 

 

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 30.12.06

 

1928 - A Praia das Fontaínhas, antes da construção da Doca do Comércio e onde actualmente se embarca no Ferry-boat rumo a Tróia.

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 26.12.06

 

1942 - Vista panorâmica dos actuais Bairros de Nossa Senhora da Conceição e Santos Nicolau, com os respectivos moínhos de vento já desaparecidos e, com a península de Troia em fundo, sem uma única construção.

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 21.12.06

 

Ano de 1947 - Descarregadores de peixe.

Setúbal de outros tempos

por josé simões, em 15.12.06

 

Actuação de Saltimbanco no Largo da Conceição, perante o olhar atento dos irmãos Hugo Silva e Júlio Silva "Jucá", corria o ano de 1954.

 

Fotografia de Américo Ribeiro, conhecido nesta cidade por Américo Fotógrafo.