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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Make Distrito de Setúbal Great Again, Chapter II

por josé simões, em 26.05.17

 

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Por um misto de inépcia, preguiça e ignorância dos jornalistas da praça, continuam sem contraditório as doses maciças de propaganda pelo ministro Pedro Marques e os 20 mil empregos directos e indirectos com o novo aeroporto no Montijo, quando uma busca rápida no Google com "direct and indirect employment Heathrow airport" [repetir subsituindo Heathrow por Charles De Gaulle ou por Rhein-Main Flughafen] mostra, por comparação com as dimensões de cada um e o movimento de passageiros e aviões o empolamento das previsões.

 

[Imagem]

 

Make Distrito de Setúbal Great Again, I

 

 

 

 

O triunfo da imbecilidade

por josé simões, em 28.03.17

 

 

 

Melhor que o aeroporto do Funchal ter o nome de Cristiano Ró-náldo é a família do Cristiano Ró-náldo, a todas as horas certas nos canais noticiosos do cabo, que sim senhor, que acham muito bem que o aeroporto do Funchal se chame aeroporto Cristiano Ró-náldo.

 

 

 

 

Make Distrito de Setúbal Great Again

por josé simões, em 16.02.17

 

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Nos idos dos PIN - Projectos de Potencial Interesse Nacional, o saque à Reserva Ecológica Nacional e à Reserva Agrícola, o saque ao património nacional comum trazia sempre às costas a justificação dos postos de trabalho criados. Qualquer hotelzeco com mais de 3 estrelas, campo de golfe ou resort de luxo, construído onde anteriormente era proibido montar uma tenda de campismo selvagem, vinha sempre com milhares de postos de trabalho, directos ou indirectos, no horizonte. Nunca ninguém se lembrou de os confirmar, dez e mais anos que são passados, o impacto nas economias locais, a criação de riqueza para as populações.

 

Ontem ouvimos todos Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, anunciar perante uma sala cheia de gente, e ainda mais as televisões e as rádios, a criação de 20 - vinte - 20 mil postos de trabalho com as low cost no Montijo, sem que ninguém na sala esboçasse sequer um sorriso e sem que a comunicação social fizesse perguntas. Vinte mil por uma "pista de skate" na margem sul comparativamente com os mais de 70 mil de Heathrow, um dos maiores aeroportos da Europa e do mundo. Só faltou juntar o indicador e o polegar e proclamar Let's Make Distrito de Setúbal Great Again.

 

#FakeNews #Sad

 

 

 

 

 

Os otomanos que se lixem

por josé simões, em 30.06.16

 

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Mais de 24 horas passadas e ninguém tem bandeiras da Turquia nas fotos de perfil nas "redes sociais". Os otomanos que se lixem [com éfe grande].


[A imagem é da primeira página do The Independent]

 

 

 

 

|| O Posto de Comando da Cova da Moura [Cap. II]

por josé simões, em 21.04.12

 

 

 

Adivinha-se nova série de entrevistas por Judite de Sousa.

 

[O Posto de Comando da Cova da Moura, cap. I]

 

 

 

 

 

 

 

|| Visão estratégica

por josé simões, em 17.12.11

 

 

 

É ter um aeroporto novinho a estrear, numa cidade a meio caminho entre Lisboa e o Algarve e a poucos quilómetros da fronteira com Espanha, mas sem ligação por auto-estrada e por caminho-de-ferro.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

A importância do ministro

por josé simões, em 03.12.07

 

Sabia que havia um ministério do Ambiente, mas desconhecia a existência dum ministro do Ambiente; pensava até que o cargo não havia sido atribuído e estavam lá para as instalações, os funcionários e as secretárias, entregues à sua sorte; abriam e fechavam as portas no horário de expediente, davam conta da correspondência recebida e reencaminhavam e-mails e telefonemas prioritários, ou seja, relacionados com a aprovação de projectos PIN.
 
Foi pois com surpresa que ouvi um tal de Carlos da Graça Nunes Correia vir dizer que é ministro do Ambiente e que cabe ao seu ministério a última palavra sobre a localização do novo aeroporto. Como ninguém no Governo o desdisse, acredito que o homem fale verdade e seja mesmo ministro.
 
Aqui há coisa de uma semana tinha sido o da Defesa a dizer que não era por ele e pelo seu ministério que o aeroporto não se construía em Alcochete. Como na altura também ninguém o desdisse, nem sequer o mandaram calar, acredito piamente que Nuno Severiano Teixeira se quisesse e dissesse “Aqui não há aeroporto!”; não havia.
 
Ontem o ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Mário Lino Soares Correia, não veio dizer que era ele que tinha a última palavra ou que a sua opinião prevalecia sobre a dos seus colegas de ofício (que isto de ser ministro em Portugal, actualmente é mais um Ofício do que uma Arte, que o diga o do Ambiente…); deve-se ter lembrado, quiçá, da rábula “à primeira todos caem; à segunda…” e por aí fora; e não caiu. Assim à laia de vingança disse que a decisão era colectiva; do Governo no seu conjunto.
 
E Sócrates? Enquanto falam os ministros, passa pelos intervalos da chuva, que é o que mais interessa. Assim, acredita quem quer; que os ministros deste Governo são todos muito importantes, e que têm todos uma palavra a dizer, seja qual for o dossier. Não se desse o caso de termos um Primeiro que é firme e não autoritário como dizem as más-línguas, e que nunca tem dúvidas e raramente se engana (onde é que eu já li isto?).
 
Se aqui no blogue houvesse daquelas setinhas idiotas do “Sobe e Desce”, como na última página do Público, hoje a seta da subida era para o Doutor Manuel António Gomes de Almeida de PINHO, ministro da Economia e Inovação. Assim mesmo. O único Doutor deste Governo. Pelo menos o único ministro que na página oficial do ministério por si dirigido tem o nome de família em maiúsculas e o respectivo doutor antes do nome.
Mas não é por isso que leva o troféu. É que um Doutor ir à Índia em comitiva governamental, contactar empresários “índios” – era para escrever indígenas –, resistir em falar em mão-de-obra barata portuguesa, e permanecer calado é obra!
 
 

 

 

A "parte" da solução

por josé simões, em 17.11.07

 

Nuno Severiano Teixeira, ministro da Defesa Nacional, hoje no Expresso sobre a possibilidade do novo aeroporto ser construído no campo de tiro de Alcochete:
 
“Queremos ser parte da solução. Se o interesse nacional aconselhar que a localização do novo aeroporto seja em Alcochete, não é por causa do campo de tiro que deixará de se fazer naquela zona.”
 
Queremos”?! A hipótese “não queremos” coloca-se?! Senhor ministro da Defesa Nacional, o ministério por si dirigido é entidade autónoma dentro do Governo? Desde os “saudosos” tempos do Conselho da Revolução que não tinha conhecimento de um ministro com a tutela dos assuntos militares com poder de última palavra. Ou isto agora é “Governo, Governo, galderagem (*) à parte”?
 
(*) de Galdérioadj. s. m. diz-se de ou individuo vadio, trampoliniero. Diz-se de ou individuo esbanjador.
Dicionário Houais da Língua Portuguesa.
 

A ponte é uma passagem, a ponte é uma miragem

por josé simões, em 11.07.07

A ponte é uma passagem,

Para a outra margem,

Desafio, pairando sobre o rio…

A ponte é uma miragem!

Cantavam os Jáfumega nos anos 80.

 

«Estudo da CIP sobre o aeroporto em Alcochete vai propor nova ponte Beato-Montijo. Nova localização da terceira travessia do Tejo permite menos 30 por cento de custos. Opção por Alcochete pode antecipar conclusão do aeroporto para 2015.

(…)

Nas contas do coordenador do trabalho na parte de infra-estruturas de transportes, José Manuel Viegas, a deslocalização da terceira travessia do Tejo permitiria “poupar quilómetros significativos” na construção, que custaria assim 70 por cento do total previsto (1, 7 milhões de euros). Enquanto a ligação Chelas-Barreiro tem 8, 5 quilómetros de extensão, uma ponte entre o Beato e o Montijo teria pouco mais de cinco quilómetros. (…)»

Público, hoje.

 

Não questionando a lucidez do estudo; quer quanto à localização do aeroporto, quer em função dessa localização, a construção de uma nova travessia do Tejo; é legítimo questionar, fazer depender a construção da ponte Chelas-Barreiro da opção para a localização do novo aeroporto. Estamos a falar de coisas completamente diferentes. Passo a explicar: O grosso do fluxo automóvel que provoca os diariamente infindáveis engarrafamentos na A2, desde a baixa de Corroios – às vezes desde o cruzamento do Casal do Marco – até à ponte 25 de Abril, tem origem no trânsito proveniente do Barreiro e zonas envolventes, e, em menor (cada vez menor) escala, da zona da Caparica, pelo que outra opção devia já estar em cima da mesa – a ponte Trafaria-Oeiras –, em simultâneo com Chelas-Barreiro.

Tempo é dinheiro”, sempre ouvi dizer, e aqui as contas são fáceis de fazer. Ao tempo que milhares de pessoas provenientes do concelho do Barreiro e da zona da Trafaria e Caparica, perdem todos os dias, para entrar em Lisboa, somem-se os gastos em combustível, as emissões de CO2, e os efeitos sobre a saúde e sobre a produtividade pelo stress acumulado. Além disso, se o Governo anda desesperado por mostrar obra feita, tem aqui duas boas opções. Fica bem na fotografia e o povo agradece.

Não me parece é que seja legítimo continuar a castigar as populações da margem sul, fazendo depender a melhoria da sua qualidade de vida de opções terceiras, como por exemplo um aeroporto.

 

By the way, já era mais que tempo de as Câmaras em questão – Almada e Barreiro –, agora que são governadas pela mesma cor política, se organizarem como grupo de pressão para se resolver esta questão de uma vez por todas.

 

Os financiadores do estudo e a “claustrofobia”

por josé simões, em 18.06.07

Onde se transcreve excerto da entrevista de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, concedida ao Público / Rádio Renascença, que mui bem ilustra o sentimento de claustrofobia referido pelo deputado Paulo Rangel no discurso comemorativo do 25 de Abril, proferido no Ano da Graça de 2007. Fica o blogue a aguardar futura entrevista em que o tema seja, o sentimento de claustrofobia, quando o poder político fica refém das decisões do poder económico. Não é o caso nem o momento. Mas acontece. E com mais frequência do que possa parecer.

(O negrito nas respostas é da responsabilidade do escriba-copista.)

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?

- Não. A Associação comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início (ver edição de ontem do Público). Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários – e não só, outras pessoas também – têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.

 

Que consequências?

- Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega (da direcção da ACP) Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.

 

E o senhor assina por baixo?

- Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.

 

Mas isso é um mito ou uma realidade?

- Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

Mas é um fenómeno que acontece só com este Governo ou que se tem passado com outros?

- Não é especificamente com este Governo. Mas já havia algum ruído de fundo relativamente a esta coisa. Se calhar é mais patente porque o país vive uma contradição maior, porque está em crise. Neste momento, sente-se mais, embora sempre se tenha sentido. E eu percebo que as empresas se queiram proteger, que um empresário diga: “Eu dou cinco mil contos para isso, mas não quero ter maçadas”. Desculpem a expressão, mas é um pouco essa. Mas que maçadas? Maçadas com o Governo, amanhã vou ter um problema qualquer, vou ser mal visto. É um pouco isso.

 

E acha que isso é um dos entraves ao desenvolvimento da economia portuguesa?

- Ai com certeza que é. Quanto mais informalidade tivermos, quanto menos transparente for a nossa economia, quanto menos transparente for quem são os donos das empresas, quem são os clientes, quem são as pessoas que fazem os estudos e para quem são… Acabamos por ter um poder-sombra, porque esse não é o poder em que nós votamos. Quando cada um de nós vota num partido, não vota nisso, num poder que não está devidamente estruturado e, em rigor, é antidemocrático. Mas, além disso, tem um efeito muito nefasto na economia portuguesa, na medida em que uns são afastados, que podiam ser os melhores para desempenhar uma tarefa. E acabamos por escolher os segundos, que são os piores. Nessa medida, é péssimo. È um péssimo sintoma.

 

Um ponto contra Alcochete

por josé simões, em 12.06.07

Ontem pude ver / ouvir Francisco Van Zeller responder a Mário Crespo no telejornal das 21 na SIC Notícias, que uma das vantagens de Alcochete em relação à Ota para a construção do futuro aeroporto era a de não haver “especulação imobiliária possível” uma vez que todos os terrenos são propriedade do Estado. Eu acho que o presidente da CIP está a ver a coisa ao contrário. Isso é um ponto contra Alcochete; melhor, uma enorme desvantagem, a juntar a outra que parece estar a passar despercebida: A Câmara de Alcochete é gerida pela CDU. Então e a já lendária trilogia Autarquias PS / Construtores Civis / Clubes de Futebol? Se bem que estes últimos, em princípio, não são tidos nem achados para o que aqui se joga. De cada vez que o PS ganha uma autarquia, como que por artes mágicas, assistimos a um disparar da construção imobiliária por tudo o que é sítio. Dou só como exemplos, alguns, poucos, para não ser maçudo: Dezasseis anos em Setúbal (venham os americanos bombardear a cidade para se começar construir da estaca zero, tal é o caos urbanístico); dois mandatos em Sesimbra (só não se construiu dentro de água porque os engenheiros disseram que não era viável, mas na praia sim); um mandato (!) em Alcochete (e uma aldeia passou a megapólis num abrir e fechar de olhos). Ou Van Zeller anda alheado, o que não me parece; ou acredita no Pai Natal. Alcochete para o lobby construtor PS é uma péssima opção.

 

(Porque é que insistem em chamar ao novo aeroporto “de Lisboa”? Pergunta: “Onde é que moras?”, resposta: “Em Lisboa… mas tecnicamente falando é em Alcochete, distrito de Setúbal…”)

A vez de Alcochete?

por josé simões, em 11.06.07

Parece que José Sócrates mandou o ministro Mário Linoaguentar os cavalos” até que o estudo sobre a viabilidade de Alcochete como alternativa à Ota esteja acabado. Não sei até que ponto a voz do Presidente Cavaco Silva se fez ouvir lá para os lados de S. Bento, de modo a inflectir a trajectória do que à partida parecia irreversível.

Da parte daqueles que se sempre se bateram por outra localização que não a Ota, seja ela o Alcochete, Poceirão ou Rio Frio, importa agora não entrar em euforias, nem no discurso fácil de encontrar vencedores e derrotados, por várias ordens de razões.

A saber:

 

. Não há ninguém a ganhar aqui o que quer que seja; com uma excepção chamada Portugal, embora me parecendo óbvio que, a haver um derrotado, ele dá pelo nome de Marques Mendes. Foi ele que apareceu em directo das Faias, com um batalhão de jornalistas e mais uns quantos técnicos, a defender a construção do novo aeroporto naquela localidade. Ânsia de protagonismo? Ânsia de ter razão? Aguardemos.

 

. Não é liquido que o Governo esteja de boa fé neste processo, e nada nos garante que a opção Ota seja descartável, mesmo perante alternativas mais viáveis quer do ponto de vista económico, quer do cumprimento dos prazos de construção. Por todo o percurso de teimosia política de José Sócrates, bastas vezes confundido com capacidade de decisão, e pelo discurso assumido até hoje pelo executivo. Importa tomar em linha de conta o que escreve hoje a cara mais visível e incansável da campanha em defesa da OtaVital Moreira – no seu blogue Causa Nossa. Segundo ele, esta é uma decisão política e não científica, e Vital Moreira, melhor do que nós, lá sabe do que fala e com que linhas se cose; e em política as coisas nunca são o que parecem. Podemos estar perante uma manobra de diversão de Sócrates, de forma a “matar dois coelhos com uma cajadada”: A opção Ota está tomada e é irreversível dentro do Governo, mas, que não lhe venham apontar o dedo e dizer que não soube ouvir e estudar alternativas. Entretanto ganha algum tempo até Agosto, e liberta o seu candidato a LisboaAntónio Costa – de um tema incómodo para a sua campanha. E Costa agradece.

 

Como era de esperar; mais rápidos que a própria sombra, surgem os talibans do ambiente a protestar contra a opção Alcochete. Se estes senhores tivessem voz no tempo de Duarte Pacheco, a actual ponte 25 de Abril nunca havia sido construída a pretexto algum. Nem que fosse porque iria destruir um carreiro de formigas que passava onde agora é a Praça da Portagem.

 

Uma asneira nunca vem só

por josé simões, em 29.05.07

Há dias assim. Sai-se de casa (às vezes ainda em casa), apanha-se uma, e, depois, é de rajada; como que por arrastamento. Umas atrás das outras.

 

Venho no carro e ouço os resultados do barómetro DN / TSF / Marktest em que a maioria dos inquiridos apoia a abertura dos hipermercados aos domingos. Depois ouço o representante da Confederação do Comércio defender que se devia seguir o exemplo da vizinha Espanha e de outros países da Europa em que ao domingo é para fechar, e que os portugueses não têm o hábito de fazer compras ao domingo.

(Curiosa esta moda recente. De cada vez que se fala em Espanha, o “vizinha” vir por acréscimo. Como se nós não soubéssemos.)

E ouço também um senhor falar em nome, salvo erro, da Associação das Empresas de Distribuição defender a abertura de todo o comércio – não só dos Hipers – ao domingo, com um argumento deveras curioso. Mais ou menos assim: “Justifica-se a abertura de todo o comércio aos domingos. Vejam-se os meses de Novembro e Dezembro em que isso acontece, com as lojas sempre cheias”. Pois. E o Natal mais o 13º mês não têm nada a haver com isto… Natal é todo o ano. Melhor, Natal é quando a Associação das Empresas de Distribuição quiser.

 

Recordo-me de quando era criança; as enormes viagens de carro que fiz por este país dentro, com os meus pais e o meu irmão. Sempre pela nacional, porque isso de auto-estradas era de Lisboa ao Casal do Marco, e de Lisboa a Vila Franca, e mais um bocadinho de Lisboa até depois de Monsanto; era o que havia. Cruzávamo-nos inúmeras vezes com camiões de uma empresa que não me recordo o nome, e que ostentavam na parte superior da cabina um dístico onde se lia “O Mundo Gira e (nome da empresa) Gira com Ele”. Vem isto a propósito do que Vital Moreira, na sua incansável cruzada em defesa da Ota, escreve no Público de hoje: “os concelhos com maior possibilidade de sofrerem danos em consequência de um sismo são, por ordem decrescente, Lisboa, Almada (onde se situa o Poceirão…) (…)”. Pois. “Portugal Gira e os Concelhos Giram com Ele” podia ser o título do artigo de Vital Moreira. O Poceirão, distrito de Setúbal, concelho de Palmela – terra dos bons vinhos, girou até Almada para se encaixar na argumentação de Vital Moreira. É por causa destas, e de outras como estas, que cada vez mais desconfio da Ota e das doutas opiniões em sua defesa.

O deserto, ou a estupidez tem limites (II)

por josé simões, em 24.05.07

Um aeroporto na margem Sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o Norte do Sul do país

 Almeida Santos no final da reunião da Comissão Nacional do PS.

 

Está assim explicada a razão para os aeroportos de Heatrow e Gatewick serem na margem norte do Tamisa. Nestas coisas da prevenção e combate ao terrorismo, os ingleses estão muito à frente!

O deserto, ou a estupidez tem limites

por josé simões, em 24.05.07

 

Legenda:

Caravana do PS em acção de propaganda - Setúbal, últimas legislativas.

 

Confesso que pensei mais que duas vezes antes de escrever sobre isto, tal não é o absurdo do tema. Ainda tenho as minhas dúvidas se isto merece comentário…

 

«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas»

Mário Lino -  ministro das Obras Públicas.

 

Vamos lá a ver se percebi bem a coisa. Um dos argumentos contra a Portela é que se situa no meio de tudo. No meio das escolas, no meio dos hotéis, no meio do comércio, no meio de milhões de pessoas. E que qualquer dia há uma catástrofe. Este argumento contra a continuação da Portela, marca pontos a favor da construção de um novo aeroporto, noutro lugar qualquer, Ota ou Margem Sul, não é isso que está agora em discussão – apesar de eu me inclinar pela Margem Sul – desde que por ali à volta não haja nada, ou quase nada. E que não se torne a cair nos mesmos erros do passado – especulação imobiliária e urbanizar a eito. O absurdo das declarações do ministro, para não lhe chamar outra coisa, reside no facto de a Ota ser muito mais deserto que a Margem Sul, logo a haver uma aeroporto, e, segundo o raciocínio de Mário Lino, seria no Rio Frio ou no Poceirão.

Também podemos entrar por outro lado. Um aeroporto não é só um local onde aterram e descolam aviões. Quando se constrói um aeroporto, constrói-se um pólo aglutinador de empresas e serviços; de desenvolvimento duma região. Logo teria de ser no “deserto” da Margem Sul, se o discurso de Mário Lino fosse coerente.

Mas a Margem Sul não é nenhum deserto. Temos por exemplo a Auto Europa; a ainda Cintura Industrial de Setúbal; os Parques Industriais do Seixal e Palmela; o Porto de Sines; o Porto de Setúbal; o Fórum Almada; o Fórum Montijo e o Outlet de Alcochete; temos cinemas e teatros – Almada é a capital europeia do teatro; e, pasme-se (!), temos Universidades e Politécnicos. Hospitais, vamos tendo enquanto o ministro Correia de Campos andar entretido a acabar com eles noutras zonas do país…

 

Sobre estas declarações seria deveras interessante ouvir o que os autarcas e presidentes de Câmara eleitos pelo PS têm a dizer. E também os que já foram presidentes, eleitos pelo partido de Mário Lino. Esta trás água no bico, porque estou a lembrar-me concretamente de Mata Cáceres que governou Setúbal durante 16 anos. Setúbal à época não era um deserto, mas era um sítio aprazível e com um bom índice de qualidade de vida, e foi em nome desse mesmo desenvolvimento que o ministro das Obras Públicas diz não haver na Margem Sul, que Mata Cáceres escaqueirou a cidade e a transformou num caos.

 

Interessante de ouvir também, era a opinião de Belmiro de Azevedo. Com milhões de euros investidos para transformar a Península de Tróia num must do turismo. Pespegam-lhe com o aeroporto lá para a Ota e acabam com a Portela. Segundo o douto ministro «não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio». E há as questões ambientais, que só existem aqui, e que não existem, por exemplo, na Costa Vicentina, ao redor do Alqueva, ou no que ainda resta do Algarve. Tudo PIN’s (Projectos de Interesse Nacional), respeitadores do ambiente e tudo!

 

Há quem veja nestas caLINOadas (já tínhamos as PINHOadas do ministro da Economia) um sinal do desespero argumentativo em defesa do indefensável - a Ota. Pode ser que sim, mas eu além disso, encontro também aqui outra variável. Desde a revolução de Abril, e salvo raras excepções, o pessoal cá deste lado, da Margem Sul, vota sempre comunista. E estas coisas pesam e pagam-se. E Mário Lino é um ex-comunista.

 

(As saudades que eu tenho dos tempos da primária, em que o meu pai me levava de camelo para a escola “do Sousa”, ao lado do que agora é o “Santiago do choco frito”, e parava para o animal beber água num oásis que havia nas Fontaínhas, mesmo em frente aos ferrys para Tróia. Tempos que não voltam mais…)