Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A importância do ministro

por josé simões, em 03.12.07

 

Sabia que havia um ministério do Ambiente, mas desconhecia a existência dum ministro do Ambiente; pensava até que o cargo não havia sido atribuído e estavam lá para as instalações, os funcionários e as secretárias, entregues à sua sorte; abriam e fechavam as portas no horário de expediente, davam conta da correspondência recebida e reencaminhavam e-mails e telefonemas prioritários, ou seja, relacionados com a aprovação de projectos PIN.
 
Foi pois com surpresa que ouvi um tal de Carlos da Graça Nunes Correia vir dizer que é ministro do Ambiente e que cabe ao seu ministério a última palavra sobre a localização do novo aeroporto. Como ninguém no Governo o desdisse, acredito que o homem fale verdade e seja mesmo ministro.
 
Aqui há coisa de uma semana tinha sido o da Defesa a dizer que não era por ele e pelo seu ministério que o aeroporto não se construía em Alcochete. Como na altura também ninguém o desdisse, nem sequer o mandaram calar, acredito piamente que Nuno Severiano Teixeira se quisesse e dissesse “Aqui não há aeroporto!”; não havia.
 
Ontem o ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Mário Lino Soares Correia, não veio dizer que era ele que tinha a última palavra ou que a sua opinião prevalecia sobre a dos seus colegas de ofício (que isto de ser ministro em Portugal, actualmente é mais um Ofício do que uma Arte, que o diga o do Ambiente…); deve-se ter lembrado, quiçá, da rábula “à primeira todos caem; à segunda…” e por aí fora; e não caiu. Assim à laia de vingança disse que a decisão era colectiva; do Governo no seu conjunto.
 
E Sócrates? Enquanto falam os ministros, passa pelos intervalos da chuva, que é o que mais interessa. Assim, acredita quem quer; que os ministros deste Governo são todos muito importantes, e que têm todos uma palavra a dizer, seja qual for o dossier. Não se desse o caso de termos um Primeiro que é firme e não autoritário como dizem as más-línguas, e que nunca tem dúvidas e raramente se engana (onde é que eu já li isto?).
 
Se aqui no blogue houvesse daquelas setinhas idiotas do “Sobe e Desce”, como na última página do Público, hoje a seta da subida era para o Doutor Manuel António Gomes de Almeida de PINHO, ministro da Economia e Inovação. Assim mesmo. O único Doutor deste Governo. Pelo menos o único ministro que na página oficial do ministério por si dirigido tem o nome de família em maiúsculas e o respectivo doutor antes do nome.
Mas não é por isso que leva o troféu. É que um Doutor ir à Índia em comitiva governamental, contactar empresários “índios” – era para escrever indígenas –, resistir em falar em mão-de-obra barata portuguesa, e permanecer calado é obra!