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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

"A Festa da Democracia" (IV)

por josé simões, em 09.10.07

  Eu bem que tinha escrito aqui – e que tenha tido conhecimento, só mais outra referência na blogosfera, aqui – mas ninguém passou cartucho à coisa, embasbacados que andavam a interpretar as palavras do Presidente no 5 de Outubro, como se aquilo fosse passível de alguma interpretação…

 
Atenção! Muita atenção! Não confundir os professores com os sindicatos! Disse Sócrates com a maior das naturalidades, e os jornalistas de serviço ao evento enrolaram o microfone e foram para as redacções a pensar no quereria dizer o Presidente com aquele discurso “encriptado” sobre a Educação
(Eu também não confundo professores com as agendas e cadernos reivindicativos dos sindicatos, nem com determinadas conotações político-partidárias de alguns sindicatos, o que convenhamos é substancialmente diferente de os confundir com “Os Sindicatos”…)
 
Depois foi em Montemor-o-Velho. Isto são os comunas, que vêm para aqui estragar-me a operação de marketing! Já fizeram com o meu camarada Guterres e agora fazem comigo, vejam lá o desplante! No que antes, e em ocasiões semelhantes, era “A Festa Da Democracia”, passou a ser “Assim Se Vê A Força Do PC!” e “Cuidado Que Vêm Aí Os comunas!”, como se alguém ainda tivesse medo do papão do comunismo… E mais uma vez os jornalista enrolaram os fios dos micros e zarparam para as redacções sem lhes passar pela cabeça perguntar porque razão o PC ou os sindicatos afectos não podem manifestar-se contra o Governo, ou de outra forma, porque é que em eventos destes têm de estar sempre uns cromos ali à mão, para dar a mão ao aperto e a face a uns beijinhos do Primeiro. Terão sido contratados como os alunos no bodo informático do CCB?
(Para quem se anda sempre a queixar que não há oposição ao Governo, o PC agradece o protagonismo e o empurrão).
 
Ontem, mais outra. Dois agentes da PSP à paisana entraram na delegação do Sindicato dos Professores da Região Centro e levaram consigo materiais destinados a uma acção de protesto a propósito da visita de José Sócrates a uma escola na Covilhã. Aguardemos pelos telejornais para ver o que é que os jornalistas vão fazer aos cabos dos microfones…
 
Trinta e três anos depois da revolução de Abril é muito triste ver este modus operandi regressar pelas mãos de um Governo PS. Sim. Porque as polícias não são nenhuma organização ao jeito dos okupas ou dos anarcas anti-globalização, que actuam ao sabor das circunstâncias. São organizações estruturas hierarquicamente. Os dois polícias não apreenderam o material porque sim. Alguém lhes deu as ordens.