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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Aquela parte do Brasil onde ninguém vai nas férias

por josé simões, em 16.06.08

 

Por um acaso, descobri um site com ligação directa ao outro lado do Brasil; aquele onde ninguém vai passar férias, e onde, para os seus habitantes, o termo “férias” não faz parte do léxico: A Favela.

 

«O Favela Tem Memória faz parte do portal Viva Favela, uma iniciativa da organização Viva Rio. O objectivo do site é valorizar as lembranças e resgatar as experiências dos moradores mais velhos das favelas cariocas. É possível consultar depoimentos; saber curiosidades, como a origem do nome das comunidades; notícias e estatísticas.»

 

A Favela por Marcelo Monteiro:

 

“O nome de uma favela pode ter raízes religiosas (Santa Marta), geográficas (Grota), poéticas (Babilônia). Pode ser uma homenagem a uma personalidade importante (Vigário Geral), um agrado a um político (Vila do João) ou apenas uma brincadeira (Kinder Ovo). E pode ainda ter dois significados diferentes (Rocinha). Mas tem sempre uma explicação. 

O termo favela nasceu no Centro do Rio, com o Morro da Favela. E pegou quando outros barracos de zinco começaram a ser construídos em comunidades do Centro e da Zona Sul. Aí virou substantivo e se espalhou pela cidade. Nos anos 40 eram apenas 60 favelas. Hoje são mais de 600. E haja criatividade.

Nem sempre o nome é motivo de orgulho para os moradores. Mas depois que ele vinga não adianta querer voltar atrás. Entre as maiores fontes de inspiração está a televisão. A favela Salsa e Merengue, por exemplo, foi criada em 1996 - época da novela homônima da Rede Globo. Já Minha Deusa foi batizada em homenagem à atriz Vera Fischer, a Jocasta da novela Mandala.

Os moradores mais antigos têm sempre uma explicação. Nem sempre unânime. Mas o que importa não é a veracidade das histórias, e sim sua aceitação.”