Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Rock Against Racism

por josé simões, em 30.04.08

 

Agora que vai por aí grande frenesim e excitação com as comemorações dos 40 anos do Maio de 68 que amanhã se iniciam (confesso que tenho descoberto e aprendido bastantes coisas sobre o acontecimento aqui e aqui), até por ser um acontecimento que me passava completamente ao lado – “coisa de hippie”; pensava – e é sabido da fricção que a minha geração fazia com esses cabeludos da paz e do amor; aproveito para chamar aqui às páginas do blogue um acontecimento que marcou profundamente a minha geração; a data em que a grande maioria ganhou consciência política e uma causa, e aprendeu a canalizar toda a raiva e revolta para um objectivo comum.
Falo dos 30 anos do festival Rock Against Racism, com, entre outros, The Clash, Tom Robinson Band, Specials, X-Ray Spex, e que juntou 80 000 pessoas em Victoria Park/ Londres no dia 30 de Abril de 1978.
Rapidamente alastrou por toda a Europa, quer com festivais similares, quer por ter sido o impulsionador da adesão de milhares jovens a organizações anti-nazis e anti-racistas; um movimento completamente fora do controlo das organizações e partidos políticos tradicionais.
Seria o precursor de outros festivais, por outras causas, dos quais o Live Aid é o mais mediático.
 
Rock Against Racism, o acontecimento que marca o casamento entre a música e a defesa de causas políticas e sociais.
 
 “In 1978, race relations in Britain were in crisis. The National Front was gathering power and immigrants lived in fear of violence. But that year also saw the rise of a campaign aimed at halting the tide of hatred with music - a grassroots movement culminating in a march across London and an open-air concert in the East End.”
 
 “Rock Against Racism had started as a grass-roots movement in late 1976, in reaction to the infamous remarks by Eric Clapton at a concert in Birmingham, when he told the audience that Enoch Powell was right and that there were too many "foreigners" in Britain.”
 
 Outras prespectivas aqui, aqui, aqui e aqui
 
 

30 anos é uma vida

por josé simões, em 28.10.07

 

Passam hoje 30 anos sobre o lançamento da “bomba atómica” que dá pelo nome de Never Mind The Bollocks Here’s The Sex Pistols, e que ao mesmo tempo assinala o dia em que o Punk morreu, dando origem a uma miríade de tribos, subgéneros e outros derivados. Aliás só podia ser desta maneira, num movimento que trazia gravado no seu ADN o que o futuro lhe reservava: No Futur! era então o lema e a palavra de ordem. No Futur! para o Punk, numa atracão suicida pelo abismo mas necessária para pôr cobro ao marasmo em que o Rock n’ Roll havia caído por via de bandas como os Genesis, Yes, Van deer Graft Generation ou King Crimson, que lhe haviam retirado toda a energia e rebeldia, e o tinham levado pelos caminhos do sinfónico até aos limites do insuportável. No Futur! a máxima personificada na vida e na morte de Sid Vicious, para a posteridade como o ícone do movimento; too fast too live too young too die. Nesta fúria avassaladora os Pistols não eram os porta-vozes da destruição, eram a própria destruição encarnada em forma de banda; o papel de ideólogos, a consciência política estava reservado para outros, os The Clash. O puto John Simon Ritchie-Beverly, filho de uma hippie, e que havia sido repescado para a banda já com o comboio do Punk em andamento, acaba por simbolicamente personificar Orestes na tragédia grega: o Punk, descendente directo do movimento Hippie, e cuja praxis levou à destruição da aberração musical em que o flower power se tinha transformado.
 
Ao contrário dos desgraçados da chamada geração de 60, que respondem pelo nome de hippies e que constantemente bradam aos ventos que “no nosso tempo é que era bom!”, nós, os do Punk não dizemos que "naquele tempo é que era". Eu andei por lá e digo, naquele tempo foi o que foi. Foi bom? Com certeza que foi. Foi curto e bom, mas não vamos ficar até ao fim das nossas vidas a chorar pelos bons velhos tempos. Antes pelo contrário, neste momento, e pelo caminho que as coisas levam, já vai fazendo falta uma outra bomba atómica. Aqui há uns anos tivemos umas ameaças com o grunge, mas não passaram disso mesmo, ameaças. O que me dói, o meu quase desespero, é não conseguir ver actualmente, mesmo que em gestação, nada minimamente semelhante e que possa vir a produzir resultados idênticos aos de 77. Vai ser preciso esperar muito mais?
 
Post-Scriptum: Por uma daquelas coincidências da vida, hoje 30 anos após o lançamento de Never Mind The Bollocks, e dois antes de escrever este post, tive um jantar de amigos, daqueles que já não vemos "aos anos!", assim ao jeito de Os Amigos de Alex, aqueles amigos que como já aqui havia referido, e que, apesar de serem da minha geração, à época andavam pelo sinfónico e me faziam a cabeça em água. Trinta anos passados e eles por lá continuam, pelo sinfónico, e eu, que já não ando por lá, pelo Punk, nem de longe nem de perto, e que depois disso já passei por tantas! O gozo que este jantar me deu!
 
(Na foto abaixo, poster que acompanhava a primeira edição do disco)
 

 

 

Contagem decrescente (IV)

por josé simões, em 27.10.07

 

Contagem decrescente (III)

por josé simões, em 26.10.07

Contagem decrescente (II)

por josé simões, em 25.10.07

 

 

Contagem decrescente

por josé simões, em 24.10.07