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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 25.11.20

 

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16h – Após ter contactado Álvaro Cunhal e a Intersindical Nacional, o Presidente da República obtém do PCP a confirmação de que não mobilizaria os seus militantes para qualquer acção de rua.

 

O oficial spinolista António Ramos, insuspeito de esquerdismo, confirmou que, no 25 de Novembro, terá havido diversas “cascas de banana” lançadas à extrema-esquerda, que nelas caiu. [...] Afirmou que o PCP não participou na “intentona”, que, por isso mesmo, fracassou, pois faltara a “máquina de informações” comunista.

 

No dia em que "o comunismo foi dominado e o 25 de Abril finalmente cumprido", segundo a narrativa da direita radical, por tropas que previamente juraram fidelidade à cadeia de comando e ao Presidente da República, general Costa Gomes, suspeito de simpatias pelo PCP. E no dia em que a direita radical conseguir explicar isto sem rococós e realidades alternativas vai ser um grande dia.

 

Depois de uma aliança com o Chaga para a governação nos Açores, o cartaz da juventude do Chaga da JSD para assinalar o 25 de Novembro. Não ter a puta da vergonha na cara é isto.

 

 

 

 

O regresso dos palermas ou "25 de Abril Sempre!"

por josé simões, em 24.11.19

 

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"Comunismo nunca mais!" uma frase que não posso gritar. Lamento. Nunca vivi sob um regime comunista, não sei o que isso é. Do marcelismo fascista lembro-me, era puto mas lembro-me. Lembro-me de familiares presos e torturados por reivindicarem coisas tão banais como a liberdade de expressão e de associação, lembro-me dos meus pais a ouvirem rádios estrangeiras à socapa, com o som muito baixinho dentro da própria casa. Lembro-me dos homens de plantão 24 sobre 24 horas na porta da rua, semanas seguidas, só porque o pai acompanhou o Vitória de Setúbal na Taça UEFA com o Spartak de Moscovo, "lá está ele", dizia a mãe depois de espreitar por detrás do cortinado. Tinha estado com os russos era comunista merecedor de vigilância, a lógica da PIDE. Lembro-me das cargas da GNR a cavalo no 1.º de Maio na "Ladeira das Fontainhas", a rua das conserveiras em Setúbal. Lembro-me dos tiros disparados contra as varinas vestidas de preto e de tamancos, em dias de greve pelo aumento de 2 tostões, "hoje não vais brincar para a rua", dizia a mãe. Lembro-me da fome e da miséria no Bairro Santos Nicolau do ir ao mar antes da moda do peixe assado no carvão ao preço dos olhos da cara, e lembro-me de ser o único a usar sapatos na turma de filhos de pescadores e de varinas das fábricas, na "escola do Sousa" ao lado do agora Rei do Choco Frito, à época uma taberna de chão de areia, calcetada a caricas de gasosa AUA para traçar tintos goelas abaixo, nas bocas de cigarros Três Vintes, Quentuques [de Kentucky] e Definitivos. Descalço o ano todo quando o Inverno ainda não tinha morrido às mãos das alterações climáticas. Os mais afortunados usavam chinelos de enfiar no dedo, se fosse hoje era bué chic, usavam Havaianas. Lembro-me dos funerais no cemitério da Nossa Senhora da Piedade dos soldados mortos na Guerra Colonial, com as salvas de G3 pelo pelotão formado no meio da rua, trânsito cortado, e as varinas que andavam sempre de luto, o luto eterno porque morria sempre algum familiar e o luto nunca acabava, a chorarem atrás do caixão que ninguém abria. Lembro-me das bolas de futebol caídas no quintal da PIDE, frente onde é hoje a sede do PSD ao Bairro Salgado, do tempo de jogar à bola na rua, tocarmos à campainha "olhe, se faz favor, a bola caiu no quintal" e do PIDE regressar de sorriso de orelha a orelha com a bola rasgada à navalhada na mão "toma lá". O tempo dos filhos da puta. Lembro-me do dia das matrículas, e das carradas de folhas que era preciso entregar, a mãe preencher as minhas e ainda mais algumas de colegas meus que depois eram assinadas "com o dedo" pelas respectivas mães. Lembro-me dos meus amigos que, terminada a 4.ª Classe, foram para o mar com o pai ou ser servente numa qualquer profissão, que sempre era melhor futuro que andar ao sabor das marés. Lembro-me dos rapazes para um lado e raparigas para outro na escola, e lembro-me do padre de Moral e Religião, avesso a Jaroslav Hasek, que distribuía carolada pela turma como se não houvesse amanhã, e que andou depois a distribuir propaganda do CDS. E não me esquecendo disto mas não conseguindo lembrar-me de outras memórias mais dolorosas, por mais que me esforce, é um mecanismo de defesa do cérebro, dizem, reparo que de cada vez que os suadosistas querem desvalorizar a importância do 25 de Abril aparece sempre uma palhaçada qualquer a evocar o 25 de Novembro. Portanto, 25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais!

 

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Na próxima legislatura depois a gente fala, II

por josé simões, em 19.11.19

 

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O Chega apresentou um projeto de resolução, na Assembleia da República, a “recomendar ao Governo que proceda à instauração de uma celebração solene do 25 de novembro”. O objetivo do partido liderado por André Ventura é que seja dada a esta data a mesma dignidade do 25 de Abril.

 

"Sobre a grande novidade de se pedirem comemorações oficiais do #25denovembro
Há muitos e muitos anos que o CDS as pede. A memória é que é curta.". Nuno Melo no Twitter

 

Na próxima legislatura depois a gente fala, Capítulo I.

 

[Na imagem a estátua que em 25 de Novembro de 2009 o 31 da Armada ergueu a Jaime Neves]

 

 

 

 

O karma é tramado...

por josé simões, em 25.11.18

 

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Mais um ano com a direita radical a celebrar o dia em que o comunista Álvaro Cunhal ordenou aos militantes do PCP que ficassem quietinhos em casa e não se misturassem com os radicais "m-l", futuros militantes do PSD, alguns, de forma a evitar um banho de sangue e o país trucidado por uma guerra civil. O karma é tramado...

 

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||| Dia de S. Jaime

por josé simões, em 04.11.15

 

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[Por ordem cronológica]


- Dia do Corpo de Deus, fora.


- Implantação da República, fora.


- Dia de Todos os Santos, fora.


- Restauração da Independência, fora.


Evocação do 25 de Novembro a propósito dos 40 anos da data, e dos 41 anos e dos 42 anos e dos 43 anos e dos 44 anos e dos 45 anos e anos por aí fora, e 27 de Janeiro de todos os anos, dia da morte de S. Jaime, morte morrida de causas naturais na luta contra o comunismo, Santo Condestável da Nação, Beato Jaime de Santa Maria. É a direita tradicionalista e patriótica que temos. A bem da Nação. Tudo pela Nação, nada contra a Nação. Amém.

 

 

 

 

||| O dia 25 de Novembro de 1975 no dia 25 de Novembro de 2013

por josé simões, em 25.11.13

 

 

 

Explicado às criancinhas e a outros analfabetos, com um mural do MRPP do "dia 26 de Novembro de 1975".

 

A transição dos fiéis escudeiros de Mao, o maior genocída da história da humanidade [ao pé dele Pol Pot era um menino escuteiro], para a democracia, directamente, "sem passar pela casa de partida" e sem que na consciência lhes pese a cúmplicidade, sempre prontos a adjectivar todos os que pensam de modo diferente de "socialistas", "estalinistas" [oh ironia!] e, crime grave, de "keynesianos"; os actores políticos em lugares chave da governação, departamentos de Estado e instituições públicas, empresas públicas e empresas privadas, o que realmente importa reter está aqui tudo condensado.

 

A verdadeira homenagem a fazer no dia 25 de Novembro não é a homenagem a Ramalho Eanes e a Jaime 'Busca! Busca! Ataca! Ataca!' Neves, não. A homenagem a fazer no dia 25 de Novembro é a Arnaldo Matos, o grande educador do neo-liberalismo. Já merecia medalha ou comenda no Dia da Raça.

 

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|| Naomi Klein revisitada

por josé simões, em 25.11.10

 

 

 

 

 

 

Um hipermercado, símbolo máximo do capitalismo consumista, abre ao público a 25 de Novembro, no Barreiro ex-vila piloto da industrialização portuguesa, bastião da resistência operária, do sindicalismo reivindicativo e do Partido Comunista.

 

O poder das marcas e o capitalismo e o mundo gira e o capitalismo gira com ele e o caralho.

 

(Na imagem “Os 3 da Vida Airada”, o resto fica ao vosso critério)

 

 

 

 

 

 

|| O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 27.11.09

 

 

 

«essa instituição iraniana chamada Conselho da Revolução»

 

Se a memória não me falha o Conselho da Revolução foi instituído em 1975 e a Revolução Iraniana é de 1979…

 

Adenda: a direita mais do que não ter sido convidada para a Revolução de Abril, auto-excluiu-se; a direita não comemora a instituição da democracia e do parlamentarismo com o 25 de Novembro, celebra a derrota do esquerdismo e o regresso da”ordem”; o que é “ligeiramente” diferente.

 

(Na imagem cartaz de circo da Rússia Soviética)

 

 

 

"Um Clima de Terror"

por josé simões, em 08.12.08

 

Excerto da entrevista a Pires Veloso, o vice-tolo vice-rei do Norte a propósito lançamento do seu livro de memórias Vice-Rei do Norte:

 

Pergunta: Na altura dizia-se que a norte estava a extrema-direita e que havia o perigo da contra-revolução. Esse perigo nunca existiu?

 

Resposta: Para mim, isso foi tudo inventado. Diziam que havia uma Maria da Fonte, e o cónego Melo, e tal. (…). O que havia era um clima de terror. As pessoas tinham de vir para a rua dizer que eram de esquerda, por medo.

 

As imagens falam por si:

 

(Ao minuto 1:08 é possível ver um dos homens do vice-tolo vice-rei, de arma na mão, a proteger quem foi obrigado a vir para a rua dizer que era de esquerda)

 

 

 

 

 

 

As costas largas – memória do 25 de Novembro

por josé simões, em 25.11.08

 

 

Andava eu no 12.º ano e tinha um prof. , daqueles meio marados e que descaradamente nos roubava “o estatuto”, porque – aparentemente - quem nunca estava na sala de aula era ele. O gajo até tinha fugido da guerra colonial, mas ao contrário dos outros não foi para Paris carpir as mágoas, antes baldou-se para Londres porque lá é que havia música boa e gajas; dizia ele. Adiante.

 

Falava-se bué (também foi por estas alturas que o termo apareceu trazido pelos retornados de Angola) de política nas aulas daquele sôtor (não digo o nome). E, por tudo e por nada, o gajo dizia: “O 25 de Novembro tem as costas largas!”. Nem eu, e calculo que nem ninguém naquela turma, alguma vez percebeu o que o sôtor “marado” queria dizer com aquilo.

 

Continuo a não perceber, mas lembro-me sempre dele no dia 25 do Mês do S. Martinho.

 

(Foto roubada no La Repubblica)

 

 

 

Ainda as declarações do “pantomineiro” (*)

por josé simões, em 28.11.07

 

“Não era costume, mas naquele dia o menino Pedro adormeceu a ver o canal História. Antes de cerrar as pálpebras, ainda viu que bastasse: uns sujeitos de barba hirsuta, braços no ar e dedos em “V”, alguns até com falta de dentes, a gritar qualquer coisa que tinha três letras e acabava em “A”. O alfabeto não seria, porque tinha mais letras do que isso e além de tudo tinha o “A” logo no começo. Pouco importava. O certo é que tal berraria tinha algo de melódico, até chamavam morena a uma qualquer (Grândola ou Girândola, não podia assegurar) numa espécie de hino. Depois os ânimos assanharam-se, havia casas a arder e mobílias e papéis atirados janela fora, mas não se percebia se havia heróis. Além do mais, era tudo a preto e branco. Deixou-se dormir.
De manhã, quando acordou, quis fazer um brilharete. Foi à reunião dos senhores crescidos e disse que era preciso “apontar com frontalidade” os culpados pelas patifarias a preto e branco. (…) E garantiu, sem sombra de dúvida, que vira por lá o Bernardino. Era ele, notava-se pelo bigode. Alguém lembrou, para amenizar, que o Bernardino não tem bigode. Nunca teve. Além do mais, à época, só se o pintasse no infantário, pois tinha quatro anos quando andava tudo a chamar morena à Girândola.
(…)
A teimosia do Pedro valeu-lhe muitos puxões de orelhas, nos blogues e nos jornais. Mas ele sabe que é tudo verdade. Aliás, logo à noite vai voltar a ligar o Canal História. Pode ser que o Bernardino lhe apareça em Roma. Com um punhal, atrás de Júlio César.”
 
Contem-lhe como foi, por Nuno Pacheco no Público.
 
 
“(…)
E se Portas pode, sem pestanejar, dizer que as cópias que trouxe para casa de documentação que se encontrava no Ministério da Defesa eram só inocentes “notas pessoais” (61 839 páginas de “notas pessoais”), porque não pode um aprendiz de Portas “apontar com frontalidade” como um dos responsáveis pelos “sequestros e incêndios às sedes do CDS-PP logo após a revolução de Abril de 1974” o dirigente comunista Bernardino Soares que, à época, tinha quatro tenros anos de idade?
Toda a gente sabe que os comunistas comem criancinhas e que as criancinhas comunistas andam por aí, como o “Baby Herman” de “Roger Rabitt”, de fraldas e charuto, apalpando “baby sitters” e incendiando sedes do CDS. Moutinho estava lá e viu tudo, apesar de só ter nascido oito anos depois. É assim que tem que se escrever a História de Portugal, “com frontalidade”.”
 
Assim se faz a História, por Manuel António Pina no Jornal de Notícias.
 
(*) Termo roubado à Shyz
 
(Foto da autoria de Elsa Mota Gomes)
 
 

A geração de Paulo Portas (Os descendentes)

por josé simões, em 26.11.07
O CDS/ PP que não organiza almoços e jantares comemorativos da data que pôs fim a 48 anos de ditadura e repressão, e restituiu as liberdades (atenção ao plural)ao povo português – o 25 de Abril, celebra o 25 de Novembro. Cada qual é livre de celebrar as datas que na sua escala de valores considera valerem mais. Até de celebrar o 28 de Maio; e esse é indubitavelmente um mérito do 25 de Abril.
 
Uma das liberdades adquiridas com o 25 de Abril foi a de qualquer um poder dizer o que lhe vai na alma. Mesmo a maior das barbaridades. E o que disse o líder da Juventude Centrista, Pedro Moutinho, no jantar evocativo do 25 de Novembro (link aqui e aqui) é, sem sombra de dúvida, mais que uma gafe: uma barbaridade. Mas não uma barbaridade que possa ser classificada como falta de informação ou de cultura geral, do género daquelas que levavam os miúdos a apanhar umas reguadas na primária quando não sabiam a data da batalha de Aljubarrota; mas antes uma barbaridade de ressabiado com o 25 de Abril, e com tudo o que significou e que ainda representa no imaginário do povo português, independentemente do partido em que votam. Na melhor linha dos meninos trauliteiros e caceteiros que já aqui havia evocado e que grande celeuma causou aqui.
 
Aqui no blogue sabemos perfeitamente que o CDS, antes de ser PP, foi uma das vítimas do 25 de Abril. Uma vítima que, apesar de ter sido o único partido com assento parlamentar à época a votar contra a Constituição de 75, não lhe impediu o acesso à cadeira do poder por via de uma coligação com os socialistas, e com Mário Soares como Primeiro-ministro. Mas isso são contas de outros rosários (mais uma vez, atenção ao plural).
 
Fomos vasculhar no baú, e encontrámos as provas dos assaltos e destruições às sedes do CDS, que Pedro Moutinho referiu no discurso. Atenção portanto às imagens, onde é possível ver perfeitamente Bernardino Soares com 4 anos em alegre pilhagem: