Quando a esquerda se demite de ser esquerda
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Depois de um governo viabilizado, de um Orçamento do Estado aprovado, de duas moções de censura chumbadas, Leitão Amaro admite que PSD pode não viabilizar um governo minoritário do PS porque "o PS deitou o Governo abaixo", numa moção de confiança-fuga para a frente como forma de Luís Montenegro escapar ao escrutínio de uma comissão parlamentar de inquérito e procurar legitimidade eleitoral para as cada vez mais trafulhices do foro da ética. É o que acontece quando a esquerda se demite de ser esquerda a toque de uma alegada estabilidade política ou do "sentido de Estado". Já tinha acontecido quando o PS meteu Carlos Costa no Banco de Portugal, quando o PS meteu Marcelo num segundo mandato na Presidência, quando o PS saudou a nomeação de Lucília Gago para Procuradora-geral da República, quando o PS meteu Aguiar-Branco como segunda figura do Estado. De repente tudo se resume ao "critério da reciprocidade". Casos que à esquerda são automaticamente corrupção, compadrio, nepotismo e o diabo a quatro, e à direita perseguição política e argumentum ad hominem. Veja-se Luís Montenegro, veja-se Marine Le Pen, o que disseram antes, o que dizem durante e depois.
[Imagem de autor desconhecido]