||| Pelo cabelo é que vamos
Foi assim com os hippies nos 60s e com as ondas de choque no Portugal, sempre-uns-anos-atrasado-em-relação-ao-que-acontecia-lá-fora, nos 70s pós 25 de Abril, foi assim com as cristas moicano e os arrepiados do punk à "viste o senhorio?", foi assim com os cabelos estilizados e futuristas "Espaço 1999" da new wave, é assim com o cabelinhos à "foda-se" dos betos do CDS, prolongados até à idade da reforma até naqueles que nunca mais se reformam, ler "nunca deixam de andar a saltitar por aí", com excepção dos que vão ficando sem cabelo, era assim nos idos do velho de Santa Comba com quem ousasse ter um dedo mindinho de cabelo por cima da orelha a ser invectivado "vai cortar o cabelo guedelhudo!" nas portas das tabernas. O cabelo sempre foi uma forma de rebeldia e/ ou uma marca identitária e, apesar de o cabelo do camarada Grande Sucessor, filho do camarada Querido Líder, neto do camarada Grande Líder, ser cool e underground, digo eu que nem sou grande fã dos The Smiths, há cabelos e há cabelos e há que cortar veleidades pela raiz e passar o cabelo a ferro como faziam os palhaços Sigue Sigue Sputnik. Eu prefiro fazer coro no pop-samba, com guitarras à la Shadows [que já usavam cabelo à "foda-se" antes de haver CDS e como forma de rebeldia] e com laivos de ye-ye, de José Roberto: "Deixa meu cabelo em paz, Deixa meu cabelo em paz".
«Norte-coreanos obrigados a ter penteado igual ao líder»
[The Smiths na imagem]
