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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Memórias da Apollo 11

por josé simões, em 21.07.19

 

In this July 20, 1969, image made from television, Apollo 11 astronaut Neil Armstrong, right, trudges across the surface of the moon. Edwin E. “Buzz” Aldrin is seen closer to the craft..jpg

 

 

Os sais de fruto ENO ofereciam um foguete em plástico, tamanho de um dedo indicador. Uma base-recipiente tripé em encarnado, que vermelhos eram os comunistas, e uma cápsula-foguete branca, oca. Na base colocava-se um cadinho de sal de fruto com água, punha-se em cima a cápsula e a efervescência disparava a Apolo 11 em direcção da Lua no candeeiro do tecto. Weeeee! Lá ia ela com o Armstrong, o Neil e o Buzz a bordo.  Não havia sal de fruto que durasse lá em casa até a mãe ter dado sumiço ao foguetão. Nunca lhe perdoei o atentado. No tempo em que o mundo era uma coisa simples e havia bandos de putos a brincar na rua e pouca gente tinha televisão. Passávamos na porta das tabernas, cafés era noutro bairro, todas apinhadas de casacos de pescadores de pescoço no ar e pontas de três vintes e definitivos e kentuques castanhos no canto da boca a olhar para o ecrã, vá-se lá saber porquê, sempre em cima duma prateleira a dois metros e meio do solo, uma imagem rançosa a tremer a preto-e-branco e ainda tremia mais quando passavam os escapes das zundappes e das casais na rua, carregados bairro acima com tudo o que se pudesse carregar. Tintos traçados e dominó na mesa de tampo de mármore branco na terra e o homem na Lua. É mentira, é treta dos amaricanos, pode lá ser?! E depois aquela sala de controlo cheia de homens com o cabelo cortado à homenzinho, por cima da orelha, todos muito bem penteadinhos e barbeadinhos, de camisa branca e gravata muito alinhadinha, sempre a olharem para uma televisão, à sua frente num painel cheio de botões. Cada um tinha a sua, amaricanices, não era como na taberna do João Bicho, uma televisão para todos. Anos mais tarde quando veio a invasão dos Helders a fazerem perguntas escondidas atrás da palavra do Joseph Smith ainda houve alguns que lançaram "olha os amaricanos da NASA!".

 

[Imagem]