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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Mais vacuidades e banalidades

por josé simões, em 02.12.14

 

 

 

"Os valores sociais e as expectativas" – novos contra velhos, privado contra público, não honrar os compromissos, não confiar no Estado que não é pessoa de bem, vale tudo para progredir na carreira, de quem a tem;


"as qualificações" – depois da geração mais bem qualificada de sempre, a geração do abandono escolar, saber ler e saber contar e trabalhar com as mãos em ofícios diversos;


"e a transição para a vida activa" – meses e anos em acções de formação e cursos vários sem aplicação e utilidade na vida activa e no dia-a-dia, empregos mal remunerados em call centers e cadeias de fast food e na restauração na época alta, um corrupio de volta das agências de trabalho temporário;


"a mobilidade geográfica" – mobilidade geográfica depois da sedentarização do homem. Os de Braga vêm trabalhar para os empregos que não há em Setúbal e os de Setúbal para os que não há em Faro e assim sucessivamente, a ganhar o salário mínimo nacional, de regresso ao bairro da lata pelas rendas de casa incomportáveis;


"a mobilidade social" – o filho do rico casa com a filha do rico e a filha do patrão casa com o filho do patrão e os outros juntam os trapinhos por artes e ofícios. Manda quem pode, obedece quem deve. Cada macaco no seu galho. Sim sô tôr;


"a relação que têm as culturas" – o InteRail e o Erasmus a fazer mais pela integração europeia do que milhares de burocratas há dezenas de anos em Bruxelas. Acabe-se com isso, com o InterRail e com o Erasmus e com as ideias perniciosas que põem na cabeça dos jovens;


"e a forma como os jovens intervêm na política e na sociedade como cidadãos" – abstenção e desilusão e descrença. Extremismos e falta de respeito pela autoridade do Estado.


Quatro anos de Governo de iniciativa presidencial e mais vacuidades e banalidades ou até coisas que não interessam nem ao Menino Jesus. A menos que os conferencistas não sejam as mesmas Katias Guerreiros e espremedores de Nutella de sempre, vai ter tanta importância para os jovens e tanto impacto na sociedade presente, e em linhas mestras para o futuro, como tem uma pedra a cair no Atlântico atirada do Cabo da Roca.


Só já faltam dois longos anos e não sei se será possível ajudar a terminar o mandato com um mínimo de dignidade alguém que em em oito anos não se deu ao mínimo trabalho de a ter.


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