||| Dito assim até parece
Não digo o patriotismo que podiam interpretar como uma indirecta para a máxima de Samuel Johnson e corria o risco de levar com um processo em cima, mas o sentido de Estado do ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, palpita-me que ainda vamos ficar a saber que também o ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas afinou pelo mesmo diapasão, preocupados com a execução orçamental do Governo 'Geringonço', com os sacrifícios dos portugueses e com a imagem de Portugal nos mercados [a ordem é arbitrária]. "Se descontarmos uma medida que não foi tomada por nós [o Banif] tivemos um défice de 3%". Se descontarmos que 10 dos 12 meses do ano foram da sua [deles] responsabilidade; se descontarmos quem é que escondeu o Banif debaixo do tapete do Banco de Portugal para maquilhar as contas e não estragar a narrativa da saída limpa e do relógio de Aljubarrota em marcha à ré no Largo do Caldas; se descontarmos quem é que depois se escondeu atrás do biombo do Governador do Banco de Portugal, como já se tinha escondido com o BES; se descontarmos isto tudo e ainda se descontarmos a comunicação social câmara de eco que vai repetir, subserviente, a lengalenga ad nauseam; se descontarmos os paineleiros-comentadeiros do pensamento único dominante, nas televisões a tecerem loas e a cantarem hossanas à atitude responsável e desprovida de calculismos eleitorais; se descontarmos até merece um elogio o voluntarismo e uma medalha no 10 de Junho e o nome numa praça ou numa avenida quando a história os julgar.
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